Classificação de 1855

Grands Crus Classés en 1855- Médoc & Sauternes

A história de Bordeaux pode ser lida nas páginas de sua classificação.

Mais do que apenas uma hierarquia de propriedades produtoras de vinho, a lista fala muito sobre a origem da região, os seus vinhos, e seus Châteaux.

A localização geográfica de Bordeaux definiu seu destino comercial desde os seus primeiros dias, situado nas margens do rio Garonne, a cidade foi fundada como um posto avançado romano, aonde vinhos vindos de regiões do interior eram levados rio acima para serem carregados em navios com destino à Itália.

Mais tarde, quando vinhedos foram plantados em torno da cidade e começaram a produzir seus próprios vinhos , a produção da região seguiu o mesmo caminho marítimo para seus mercados no exterior.

A exportação dos vinhos de Bordeaux era necessária, visto encontrar dificuldades para vendas internas destes vinhos, já que os clientes franceses para vinhos desta qualidade encontravam-se entre a nobreza, na corte de Paris, onde a distância de Bordeaux da capital, inúmeros impostos e tarifas de deslocamento, faziam deslocar a aceitação da Corte para os vinhos de Bourgogne e Champagne.

Por volta do século XVII havia dois principais mercado para os vinhos de Bordeaux: os holandeses e os britânicos.

Cada um destes mercados foi de fundamental importância, ainda que de maneira diferentes, na formação da personalidade e qualidade do vinhos de Bordeaux.

Os holandeses procuraram os vinhos de qualidade, mas mais baratos, visto que suas compras estavam destinados a ser enviados para as colônias holandesas em todo o mundo, e qualquer finesse de um vinho de melhor qualidade pudesse ter, ela desapareceria na longa viagem até o seu destino.

Para ajudar a preservar os vinhos durante a sua longa viagens, comerciantes holandeses desenvolveram uma série de técnicas para dar-lhes maior potencial de guarda, entre elas a queima de enxofre em um barril antes de preenchê-lo com vinho, descobrindo empiricamente e sem noção do mecanismo de atuação, o efeito antibacteriano do sulfito (SO3).

Graças a esses métodos, os holandeses gradualmente vão transformando os vinhos bordaleses, de um vinho para ser bebido rapidamente para um com capacidade de alguma melhoria com a idade.

Os britânicos por sua vez seguiam outra direção, já que com viagens curtas até seu destino, procuravam vinhos prontos para beber e sua prioridade era a melhor qualidade do mesmo.

A aceitação dos melhores vinhos de Bordeaux pela classe média alta inglesa se tornou tão grande que uma demanda continuamente crescente inexoravelmente levou os preços destes vinhos para patamar cada vez mais alto.

Na década de 1640, começou a regionalização dos vinhos de Bordeaux, aonde já não se pedia aos comerciantes vinhos de Bordeaux, mas do Medoc, como uma garantia de receber um vinho de maior qualidade e conseqüentemente de maior preço.

No decorrer do tempo, os pedidos dos clientes tornaram-se mais e mais focado, aonde comunas particulares tinham desenvolvido a reputação comercial por melhores técnicas de vinificação. Em meados do século XVII, listas de preços mostram que os vinhos de Bordeaux tinha se identificado não apenas como Graves, por exemplo, mas também como Pessac .

À medida que as décadas se passaram, os britânicos tornaram-se mais preciso para designar as origens de seus vinhos de preferência, deslocando a escolha da comuna para produtores individuais que tinham desenvolvido uma reputação particular que os distinguem de seus vizinhos na mesma localidade.

Este processo é geralmente reconhecido para ter começado com uma iniciativa comercial de  Arnaud de Pontac,  proprietário do Haut- Brion, que durante a reconstrução de Londres , na esteira do grande incêndio de 1666, enviou seu filho para a capital Inglesa para estabelecer uma taberna conhecida como Tête du Pontac, que serviria como uma vitrine para o vinho de sua propriedade .

A taberna e o vinho fez grande sucesso com classe média de Londres, e a identidade do produtor do vinho começou a ganhar maior significado ao fazer uma compra.

No final do século XVII, para os compradores já não era suficiente pedir um Pessac , instruindo seus comerciantes para adquirir Haut- Brion .

Haut- Brion não foi a única propriedade que beneficiada pela qualificação de uma marca, três outras propriedades também tinha esculpido uma identidade distinta de qualidade entre os apreciadores britânicos de vinhos: Margaux, no município de mesmo nome, e Latour e Lafite em Pauillac .

Como a qualidade do vinho destes quatro produtores deu-lhes um reconhecimento de nome incomparável, a demanda por eles foi maior do que para qualquer outro vinho, e esta demanda eleva seus preços a nível inigualável por qualquer outro propriedade em Bordeaux. Juntos, Haut- Brion, Margaux, Latour e Lafite foram agrupados em sua própria categoria  comercial, o que veio a ser conhecido como os “Premier Cru “

Em meados do século XVIII, outros produtores que viram as recompensas financeiras que tais esforços de qualidade trouxeram , também procuraram fazer vinhos que seriam dignos de nota entre os apreciadores britânicos mais bem remunerados .

Um grupo de propriedades conseguiu criar um reconhecimento semelhante para si no mercado, embora sem nunca atingir os preços mais elevados dos quatros “Premier Cru”.

Cerca de uma dúzia de propriedades, cujos vinhos foram agrupados juntos no preço, ficaram conhecidas como “Deuxième Cru”

Na seqüencia, um número de propriedades adicionais estavam começando a se libertar de seu anonimato, embora que ainda não tinham alcançado a identidade comerciais do “Premier Cru” e dos “Deuxième Cru”.

No momento em que Thomas Jefferson chegou a Bordeaux, na primavera de 1787, este sistema estava evoluindo para incluir um terceiro nível de “Cru” bem definida.

Seu sucesso comercial encorajou a identificação de mais uma série de vinhos como uma categoria apenas ligeiramente inferior para o “Troisième Cru”.

 As listas de preços a partir dos anos 1820 mostram que essa tendência continuou com o estabelecimento dos “Quatrième Cru”.

No início da década de 1850, havia cinco grupos bem definido nesta hierarquia comercial.

Assim foi que a estrutura desse sistema de classificação comercial tomou forma, num desenvolvimento de cima para baixo e em constante evolução, como as condições nas propriedades individuais e no mercado Bordeaux mudaram.

No início dos anos 1600, os vinhos de maior demanda eram de Graves, mas com os séculos avançando o Médoc desenvolveu sua vocação de vinhos de alta qualidade e seus preços subiram em conformidade; lembrando que as vinhas do Médoc só foram avançando para o norte, conforme o mesmo era drenado pelos holandeses.

Pelos meados do século XIX, os vinhos do Médoc conquistaram preços tão altos que Haut-Brion permaneceu o único vinho que podia equipara-los, tornando-se o único vinho de Graves digno de inclusão nas fileiras superiores dessa hierarquia, e nenhum vinho de outras regiões de Bordeaux poderia equiparar com esses preços.

A classificação foi uma pedra angular do comércio de vinho local, e todos os envolvidos, sejam comerciantes, proprietários e corretores, sabiam onde cada propriedade estava situada dentro dela.

Esta familiaridade com a hierarquia estabelecida foi reforçada pela distribuição ampla que a classificação veio desfrutar.

Desde o seu uso primário entre iniciados do comércio do vinho do Bordeaux, a classificação encontra exposição cada vez maior ao longo do século XIX, e em grande variedade de locais.

Livros de vinhos destinados para os apreciadores foram se tornando mais comum a partir do século XIX, e a lista foi muitas vezes incorporadas ao texto, em livros como Topographie de tous les vignobles connus ( André Jullien-1816) , The History of Ancient and Modern Wines (Alexander Henderson-1824) e A History and Description of Modern Wines (Cyrus Redding -1833).

A classificação também demonstrou a sua utilidade para ajudar a moldar políticas públicas: foi incluído em um relatório parlamentar britânico ” sobre as relações comerciais entre a França e a Grã-Bretanha ” elaborado em 1835, e em uma pesquisa encomendada pelo Ministro francês da Agricultura e do Comércio, intitulado “Vine Growing, Evaluation of the Produce for 1847 and 1848″.

A evolução da lista ainda fez aparições em um número crescente de guias turísticos para os visitantes da região, como o Le Guide de l’ étranger , que passou através de várias edições começando em 1825, bem como um livro intitulado Bordeaux: Its Wines, and the Claret Country (Charles Cocks-1846) que eventualmente se tornou a “bíblia” de Bordeaux.

A cada nova aparição do vinho na classificação comercial, proprietários, corretores e comerciantes podem ver como a estrutura de preços do mercado funciona e os consumidores tem uma idéia da valorização da qualidade do vinho de Bordeaux.

Além da satisfação pessoal dos produtores em ver suas propriedades alcançar uma classificação, houve um aspecto mais prático deste sistema para o comércio de vinho Bordeaux.

A cada primavera, quando uma nova vindima estava pronta para a venda, compradores e vendedores eram confrontados com a tarefa de determinar um preço justo para os vinhos em oferta.

Como principal indústria na França, o comércio do vinho era uma empresa de grande complexidade, cuja própria existência dependia de seu bom funcionamento.

Com milhares de produtores oferecendo seus vinhos para venda a centenas de comerciantes, todo o sistema teria entrado em colapso se os compradores tivessem que começar definindo os preços a partir do zero a cada ano, a classificação foi uma ferramenta bem -refinada que serviu para agilizar o processo.

Baseada no registro de preço, que uma propriedade vendia seus vinhos, durante um período prolongado de tempo, a classificação ofereceu um atalho nas negociações comerciais, um ponto de partida a partir do qual um preço final apropriado para um vinho pode ser determinado de forma eficiente.

Como exemplo, se uma propriedade tinha tradicionalmente vendido seus vinhos ao nível do terceiro grupo (3ème), e outros nesta classe tivessem vendido seus vinhos a cem francos por garrafa, tanto o proprietário como o cliente potencial sabiam que uma centena de francos era uma estimativa razoável de valor comercial do vinho, e as negociações poderiam começar com isso como um ponto de partida.

Era (e ainda é) habitual que os proprietários segurarem o lançamento de sua nova vindima até conseguirem ver o nível de aceitação ou resistência que o preço inicial enfrenta no mercado. Não houve ordem fixa de precedência na declaração de preços, e o sistema permitiu que o mercado de Bordeaux desenvolvesse o nível de eficiência que era essencial para a maior região de vinhos finos do mundo funcionar sem problemas.

Em 1855, a Exposição Universal foi planejada para Paris, e bens de toda a França e do mundo, foram enviados para a capital francesa para exibição.

Vinhos de Bordeaux seriam enviados, numa coleção organizada pela Câmara de Comércio da cidade, porem, os organizadores se defrontaram com um problema; apenas seis garrafas de cada vinho estavam a ser enviadas para Paris, uma quantidade suficiente apenas para a exibição e para uma degustação privada por um painel de juízes.

Os milhares de visitantes comuns da Exposição não teriam a oportunidade de provar os vinhos e desenvolver uma apreciação das diferentes qualidades possuídas pelos vinhos de Bordeaux . Tudo o que seria evidente para essas massas seria a visão bastante comum de um conjunto uniforme de frascos alinhados nas prateleiras de uma vitrine.

Para tornar a apresentação mais interessante e para melhor comunicar a idéia de qualidade superior representada pelos melhores vinhos de Bordeaux, foi elaborado um mapa de vinhos da região, para acompanhar a exibição.

Neste mapa, foi incluída uma lista dos melhores vinhos de Bordeaux, e a Câmara de Comércio pediu ao Sindicato dos Corretores para fornecer uma lista das propriedades que eram dignos de tal status.

Os corretores foram a escolha ideal para este trabalho, uma vez que entre os três atores principais no comercio de vinho: produtores de Bordeaux , corretores e comerciantes , estes eram os únicos com uma visão abrangente de todo o quadro comercial, visto que tinham um conhecimento de primeira mão da produção , desenvolvida através de suas visitas regulares as vinhas ao longo do ano, e um senso bem desenvolvido de perspectivas comerciais de um vinho, graças à sua maior proximidade com o mercado .

Assim foi que, em 5 de abril de 1855, a Câmara de Comércio enviou uma carta ao Sindicato dos Corretores solicitando uma “lista de todos os Crus” classificados no departamento, mais exata e completa possível, especificando em qual das cinco classes cada um deles pertence e em que comuna eles estão localizados.

Devido à estréia iminente da Exposição Universal , que era a menos de um mês, um prazo apertado foi imposto, mas os corretores tinham todas as  fontes necessárias à disposição para fornecer a lista dos melhores vinhos em um tempo tão curto.

Em 18 de abril de 1855 a lista ficou pronta, e se tornou conhecida como a “classificação de 1855”.

Nesta lista constam  60 vinhos tintos do Medoc, 01 vinho tinto de Graves (Pessac) e 27 vinhos brancos doces de Sauternes e Barsac, classificados em:

Médoc

– 05 Premiers Grand Cru Classé

03 Pauillac, 01 Margaux e 01 Pessac

Château Lafite- Rothschild; Château Latour; Château Margaux; Château Haut-Brion; Château Mouton-Rothschild (incluso em 1973)

– 14 Seconds (Deuxième) Grand Cru Classé

02 Saint-Estéphe, 02 Pauillac, 05 Saint-Julien e 05 Margaux

– 14 Troisièmes Grand Cru Classé

01 Saint-Estéphe, 02 Saint-Julien, 10 Margaux e 01 Haut-Médoc

– 10 Quatrièmes Grand Cru Classé

01 Saint-Estéphe, 01 Pauillac, 04 Saint-Julien, 03 Margaux e 01 Haut-Médoc.

– 18 Cinquièmes Grand Cru Classé

01 Saint-Estéphe, 02 Margaux, 12 Pauillac e 03 Haut-Médoc

Sauternes:

– 01 Premier Cru Supérieur

Château D’Yquem- Sauternes

– 11 Premier Cru

09 Sauternes e 02 Barsac

– 15 Seconds Cru

08 Barsac e 07 Sauternes

A inclusão de uma propriedade na lista não resultou apenas do fornecimento da Câmara de

Comércio com vinho para enviar para Paris , na verdade, a maioria das propriedades na lista não se preocupou em enviar amostras .

Um olhar mais atento sobre o documento original mostra que a palavra “None” , está escrito em todos os nomes dessas propriedades que não ofereceram vinhos para a Exposição Universal.

A inclusão de uma propriedade nesta hierarquia também não foi resultado de ter feito um vinho superior em 1854 e obter um preço anormalmente elevado neste ano, e conseqüentemente um lugar na classificação em 1855, seguido por um retorno à qualidade inferior nas próximas vindimas.

O sistema de classificação dos vinhos de Bordeaux não foi baseado em um ano de resultados, nem mesmo uma meia- dúzia de safras; foi baseada num histórico de longo prazo que uma propriedade ganhou sua vaga na classificação.

Se houvesse uma única razão pela qual as propriedades que aparecem na classificação de 1855 foram incluídos, foi simplesmente porque eles mereciam estar lá.

Sua superioridade foi estabelecida por um nível consistente de qualidade excepcional ao longo de um prolongado período de tempo, que não deixou dúvidas quanto à sua capacidade fundamental para a produção de grandes vinhos.

Com o tempo esta lista alcançou uma autoridade e uma longevidade que as versões anteriores a 1855 nunca tinha conseguido.

 Ao longo da segunda metade do século XIX século, essa classificação tornou-se aceita, fonte autorizada para a compreensão da noção de qualidade no topo da produção de Bordeaux.

No entanto, tida como uma referência para os apreciadores de vinho, não impediu o comércio de continuamente estar reavaliando o preço para os vinhos de uma propriedade, com base em seu desempenho atual, pois o gênio da classificação de 1855 é que nunca dificultou o funcionamento contínuo do comércio do vinho na sua tarefa de garantir que a qualidade de um vinho encontre o sua proporcional recompensa no mercado.

Assim, embora a classificação dos corretores terem experimentado apenas duas alterações oficiais desde a sua transcrição em Abril de 1855: a inclusão de Cantermele no 5ème (16 de setembro de 1855) e a promoção do Mouton Rothschild para o “Premier Cru” (junho de 1973); a qualidade do vinho de uma propriedade sempre incentivou a mobilidade em seu preço atual , ganhando uma posição apropriada acima ou abaixo de sua classificação “oficial” de 1855.

Os julgamentos dos corretores de 1855 permanecem notavelmente precisos, no entanto, ninguém diria que a sua classificação continua a apresentar a mesma imagem precisa da relação dos vinhos/qualidade como fez cento e cinquenta safras atrás.

Hoje, o maior papel da classificação é como uma ferramenta promocional, não apenas para as propriedades que ele inclui, mas para toda a área de Bordeaux.

Nenhuma outra região vinícola possui um sistema semelhante de ranking de seus vinhos, com a fama que beneficiam os classificados de Bordeaux.

 Como um mapa rodoviário básico para os melhores vinhos que esta área de vinha produz, a classificação oferece uma confiável e reconfortante referência para novatos apreciadores de vinho fazerem suas escolhas iniciais.

Mais de cento e cinquenta anos depois da classificação de 1855, é evidente que o mundo do vinho é mais rico, mas a existência deste testamento, é uma amostra para a excelente qualidade que a região de Bordeaux é capaz produzir.

A lista em si e os nomes inscritos nela tem alcançado uma existência dupla que fala com os nossos espíritos e corpos; um status mítico que fala da possibilidade de alcançar a perfeição em um mundo imperfeito, e uma expressão tangível na forma dos próprios vinhos, que oferecem tanto prazer, para enófilos de tantos lugares.

Abs,

Luiz Otávio

Tradução via Google da Historic of classification

http://www.crus-classes.com/

Degustação Premier Grand Cru Classé e Sauternes

Degustação Grand Cru Classé de Saint-Estèphe

Degustação Grand Cru Classé de Pauillac

Degustação Grand Cru Classé 5ème Pauillac

Degustação Grand Cru Classé Pauillac e Haut-Médoc

Degustação Grand Cru Classé de Saint-Julien

Degustação Grand Cru Classé St-Julien e Haut-Médoc

Degustação Grand Cru Classé 2 e 3ème Margaux

Degustação Grand Cru Classé 3ème Margaux

Degustação Grand Cru Classé 3,4 e 5ème Margaux

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