DOCG Barbaresco

A DOCG Barbaresco é uma das 17 DOCG (Denominazione de Origine Controlata e Garantita) do Piemonte (75 na Itália), situada ao norte da cidade de Alba, no Langhe, com uma área de 700 hectares de vinhedos e produção de 4 milhões de garrafas, englobando quatro comunas: Barbaresco, Neive, Treiso e San Rocco Seno d’Elvio (Alba).

Sua área situa-se no Langhe, região geológica formada a 70 milhões de anos atrás, no período Terciário (Cenozócio), e nos sucessivos avanços e recuos do mar sobre a Planura Padana ao longo das eras (que deixou um grande deposito de cálcio),  até culminar na formação de suas colinas sedimentares (20 a 10 milhões de anos), constituídas principalmente de solos Serravalian (mais antigos, vermelhos, compostos de Marga, Arenito, Calcário, Ferro e Fosforo- Vale de Serralunga) e solos Tortonian (mais novos, cinzas azulados, compostos de Argila, Marga, Arenito, Calcário, Manganês e Magnésio- Vale Central de La Morra e Barbaresco).

O cultivo de Nebbiolo e produção de vinhos nesta região é muito antiga, e o nome de Barbaresco deriva de Barbaritium, nome dado pelos romanos ao local de selva impenetrável e seu povo bárbaro (Liguro-Gauleses), e que segundo as lendas já produzia um excelente vinho (Barbaritium).

O Barbaresco como vinho atual remonta a 1894 quando o Prof. Domizio Cavazza implantou um Consorcio (Cooperativa) em Barbaresco, com a finalidade de delinear uma qualidade mínima para os vinhos de Barbaresco.

Em 1933 foi delimitado o território de Barbaresco.

Em 1958 é fundada a Cooperativa dei Produttori del Barbaresco.

Em 1961 Angelo Gaja começa a trabalhar na empresa de seu pai e decide vinificar somente as próprias uvas, não produzindo mais Barolo e fazendo do Barbaresco o carro chefe da empresa.

Em 1966 foi uma das primeiras DOC e em 1980 novamente uma das primeiras DOCG.

Os vinhos de Barbarescos são exclusivamente de uvas Nebbiolo, de vinhedos plantados até 550 m de altitude, com exposição Oeste/Sudoeste/Sul/Sudeste e Leste, com rendimento máximo de 8 t/ha; não sendo permitido vinhedos de exposição Norte, vinhedos estes que são direcionados ao plantio de Barbera e Dolcetto.

O Barbaresco tem de ser envelhecido por pelo menos 26 meses e os reservas por 50 meses, ambos com pelo menos 9 meses de amadurecimento em madeira.

Normalmente são amadurecidos em Botti de carvalho de variadas dimensões e também uma parte em barricas de carvalho, dependendo do estilo que o produtor que dar ao seu vinho.

A tipicidade do Barbaresco é dada por sua cor intensa e brilhante, que varia do vermelho rubi nos vinhos novos ao granada desbotado nos mais velhos; aromas etéreos e buquê estimulante com frutas vermelhas, gerânio, violetas e rosas; além de notas de pimenta verde, canela, noz moscada, feno, madeira, avelã torrada, alcatrão e anis.

Normalmente está no seu melhor a partir de 5 anos, mas alguns só atingem seu auge com 15, 20 anos ou mais.

É recomendado nos mais novos aerar por uma a quatro horas, dependendo da estrutura e nos mais velhos decantar para retirada das borras.

Em 2007, após anos de trabalho, as “Menzione Geografiche Aggiuntive” de Barbaresco DOCG foram finalmente definidas por lei do Parlamento Italiano, o primeiro vinho na Itália a ostentar esta honra. São 66 denominações específicas que se referem não só à área ou à casta, mas diretamente à única vinha.

Toda a área de produção foi dividida em parcelas individuais definidas com nomes históricos e topônimos (muitos deles reivindicados por produtores e agricultores em audiências públicas ou atestados em mapas, rótulos e documentos oficiais) e estabelecendo limites entre eles.

1) Área de Barbaresco- 25 MGA (Menzione Geografiche Aggiuntive)

Asili, Ca’Grossa, Cars, Cavanna, Cole, Faset, Martinenga, Montaribaldi, Montefico, Montestefano, Muncagota, Ovello, Pajé, Pora, Rabajá, Rabaja-Bas, Rio Sordo, Roccalini, Roncaglie, Roncagliette, Ronchi, Secondine, Tre Stelle, Trifolera e Vicenziana

-Solo Tortonian, com 3 sub-regiões:

– Vinhedos mais perto do rio Tanaro, com exposição Oeste/Sudoeste e mais baixos- Vinhos frutados, macios, sutis, menos estrutura. Janela ideal de consumo de 5 a 10 anos.

– Vinhedos no topo, com exposição Oeste/Sudoeste- Vinhos estruturados, viris e elegantes, com boa carga tânica. Janela de consumo de 10 a 20 anos.

– Vinhedos no topo com exposição Leste/Sudeste/Sul- Vinhos estruturados, Tânicos, Poderosos. Janela de consumo de 10 a 20 anos.

2) Área de Neive- 20 MGA

Albesani, Balluri, Basarin, Bordini, Bricco di Neive, Bric Micca, Canova, Cottà, Currà, Fausoni, Gaia-Principe, Gallina, Marcorino, Rivetti, San Cristoforo, San Giuliano, Serraboella, Serracapelli, Serragrilli e Starderi.

– Solos Tortonian e uma pequena faixa de Solos Serravalian, com 3 sub-regiões:

– Vinhedos em solos Tortonian com exposição a Oeste/Sudoeste- Vinhos estruturados, viris e elegantes, com boa carga tânica. Janela de consumo de 10 a 20 anos.

– Vinhedos em solos Tortonian com exposição Sudeste/Sul- Vinhos estruturados, Tânicos, Poderosos. Janela de consumo de 10 a 20 anos.

– Vinhedos em solos Serravalian, no topo com exposição Oeste, Sudoeste, Sul, Sudeste e Leste- Vinhos estruturados, Tanicos, Poderosos. Janela de consumo 10 a 30 anos.

3) Área de Treiso- 20 MGA (03 compartilhada com San Rocco)

Ausario, Bernadot, Bricco di Treiso, Casot, Castellizzano, Ferrere, Garassino, Giacone, Giacosa, Manzola, Marcarini, Meruzzano, Montersino, Nervo,  Pajoré, Rizzi, Rombone, San Stunet, Valeirano e Vallegrande.

– Solo Tortonian e faixas de Serravalian, com 3 sub-regiões:

– Vinhedos mais perto do rio Tanaro, com exposições Oeste/Sudoeste e mais baixos- Vinhos frutados, macios, sutis, menos estrutura. Janela de consumo de 5 a 10 anos.

– Vinhedos no topo, com exposição Oeste/Sudoeste/Sul- Vinhos estruturados, sutis, elegantes e refinados. Janela de consumo de 10 a 20 anos.

– Vinhedos no topo com exposição Leste/Sudeste- Vinhos estruturados, viris, elegantes. Janela de consumo de 10 a 20 anos.

4) Área de San Rocco Seno d’Elvio- 4 MGA (03 compartilhada com Treiso).

Meruzzano, Montersino, Rizzi e Rocche Massalupo.

– Solo Tortonian e Serravalian.

– Vinhedos com exposições Sul/Sudoeste e mais baixos- Vinhos frutados, macios, sutis, mais frescos, menos estrutura. Janela de consumo de 5 a 10 anos.

Observar que os Barbaresco sem menção de vinhedos são produzidos com uvas de diversos vinhedos e que alguns Barbarescos com menção de vinhedos são produzidos com uvas de um vinhedo especifico, nomeado pelo proprietário, mas que não é uma MGA.

Como por exemplo os Barbarescos do Gaja (Sori San Lorenzo, Sori Tildin e Costa Russi); cujo vinhedo Sori San Lorenzo (Sori= colina com exposição sul + San Lorenzo= Padroeiro da Catedral de Alba) está encravado na MGA Cavanna e os vinhedos Sori Tildin (Tildin= apelido da avó de Angelo Gaja, Clotilde Rey) e Costa Russi (Russi= apelido do proprietário anterior) estão encravado na MGA Rocangliette.

Outros 06 vinhedos estão classificados, mas aguardando regulamentação- Bungioan, Canta, Casasse, Cortini, Niccolini e Sant’Alessandro.

Degustação de MGA de Barbaresco

Degustação de MGA de Treiso

Degustação de MGA de Neive

Degustação Gaja

A minha safra 1960 não é boa igual a 1961, mas a companhia é.

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