Itália

Histórico

A história do vinho na Itália começa a 2.500 anos atrás, primeiro com os etruscos que desembarcaram na região central por volta do século IV a.C e estabeleceram grande parte da Toscana atual e aos gregos que colonizaram a Puglia e depois tomaram a Sicília dos fenícios.

Devido à grande disseminação de videiras pela região, os gregos a denominaram de Enotria “Terra das videiras”.

Os gregos também disseminaram a vitivinicultura para o sul da França e Península Ibérica, a partir do século III a.C.

As videiras e o vinho tomou conta de toda a Itália.

No século II a.C o culto ao deus Baco se tornaram excessivamente libertinos, que os bacanais foram proibidos de Roma em 186 a.C por um decreto do senado romano.

A partir do século I a.C coube aos romanos disseminarem a sua cultura por toda a Europa, introduzindo a vitivinicultura em Bordeaux no século I d.C, sendo que o mapa da viticultura europeia atual é praticamente o mesmo do mapa do império romano no seu apogeu.

No incio do século I d.C, estima-se que Roma estava consumindo mais de 180 milhões de litros de vinho anualmente, cerca de uma garrafa de vinho por dia para cada cidadão.

As obras de escritores romanos nomeadamente Cato, Columella, Horace, Palladius, Plínio, Varro e Virgílio dão uma percepção sobre o papel desempenhado pelo vinho na cultura romana , bem como a compreensão contemporânea de vinificação e práticas vitícolas.

Muitas das técnicas e princípios desenvolvidos pela primeira vez pelos antigos romanos pode ser encontrada na vinificação moderna, como a escolha de local adequado, condução, poda, colheita e amadurecimento.

Plinio, o Velho (23-79 d.C) catalogou minuciosamente os vinhos de sua época por qualidade, variedade e país de origem, fornecendo valiosas informações sobre a vitivinicultura da sua época.

A erupção do Vesuvio em 79 d.C, causou uma devastação nos vinhedos da região e a posterior escassez de vinhos e aumento de preço, provocando uma corrida para o plantio de videiras em novas áreas, tendo como consequência a conversão de campos de grãos em vinhedos.

A extensão de vinhedos na Itália era tanto que em 92 d.C o imperador Domiciano proíbe a plantação de novas vinhas e o arranque de metade das vinhas, visando impedir a carência de suprimento de grãos; a proibição é revogada em 280 a.C pelo imperador Probus.

A queda do império romano no século V d.C pode ter significado o fim da era dourada do vinho, mas a vinicultura não foi abandonada na Itália, ela continuou, agora sob a bandeira dos governantes de cada cidade-estado até a unificação em 1861.

Mil anos de rivalidade entre as cidades-estados geraram uma extraordinária diversidade nos vinhedos, pois cada federação protegia as variedades e tradições da sua região.

Este isolamento permitiu a manutenção de uma profusão de castas, estilos de vinhos e técnicas enológicas que são encontradas ainda nos dias de hoje.

Esta diversidade de castas sobreviveu a praga da Filoxera e hoje temos perto de 300 castas autóctones italianas.

Algumas zonas vinícolas, como a de Chianti, permanecem praticamente iguais desde o século XIV; outras como o Brunello só aparecem no século XIX.

Neste intervalo de tempo havia pouco interesse para vinhos de qualidade e o que importava era a quantidade para suprir o alto consumo doméstico.

Só a partir da segunda guerra mundial, com o surgimento de uma classe média forte, que o interesse pela qualidade em vez da quantidade foi despertado.

Na década de 1950 já havia uma grande demanda por vinhos melhores e também a estabilidade econômica necessária para a sua produção.

Em 1963 é implantada o sistema de classificação de vinhos italianos, logo após o “Tratado de Roma” e estabeleceu a hierarquia dos vinhos nos moldes da AOC francesa.

Em 1965 Renato Ratti produz o primeiro single vineyard com seu Barolo Marcenasco, seguido por Gaja com seu Barbaresco Sori San Lorenzo em 1967.

O conhecimento do que também se fazia em outros países na área de vitivinicultura ajudou a evolução da qualidade do vinho italiano; em contrapartida nomes como Antinori e Gaja ajudaram o mundo a descobrir o potencial de qualidade dos vinhos italianos.

Na década de 1970 surgem os Super Toscanos (Solaia, Sassicaia e Tignanello), vinhos de alta qualidade, que por não se enquadrarem nas normas das DOC ao utilizarem castas estrangeiras, foram enquadrados como simples Vino de Tavola.

Em julho de 1980 Barolo, Brunello di Montalcino e Vino Nobile di Montepulciano são os primeiros vinhos a serem elevados a Denominazione di Origine Controlatta e Garantita (DOCG); três meses após, em outubro de 1980, Barbaresco também faz parte da categoria.

Renato Ratti ele produz um guia para as safras de Barolo e um para as subzonas históricas de Barolo e Barbaresco, resultado de um esforço de pesquisa de campo minucioso do terroir destas zonas.

Em 1992 para se adequar as novas leis da União Européia, foi estabelecida as “Denominazione de Origine Protetta DOP” que regulam a produção de alimentos e produtos agrícolas, incluindo vinhos; nesta revisão foi criada as IGT “Indicazione Geografica Tipica”, nos moldes dos vinhos regionais, com regras menos rigidas e que puderam abrigar os Super Toscanos.

Em 2008 a União Europeia estabeleceu uma nova revisão para harmonizar a política agrícola entre seus estados membros, com prazo final de regulamentação até 2011; isto acarretou uma corrida para a criação de muitas novas DOC e DOCG entre 2010 e 2011 na pressa de registra-las antes do término do prazo.

https://www.disciplinare.it/?La-Legislazione-Dop-Igp

Em 2007 o Consorcio de Barbaresco introduziu as “Menzioni Geografiche Aggiuntive MGA” para identificar as subzonas de seus vinhedos, o que foi seguido pelo Consorcio de Barolo em 2010.

Em 2018 a Itália figura como o quarto pais em área de vinhedos plantados, com 705 mil hectares e desde 2015 (depois de alternar com a França em anos anteriores) tem se consolidado como o maior produtor de vinhos do mundo, com uma produção anual na faixa de 50 milhões de hectolitros, dos quais 20 milhões de hectolitros são exportados (atrás somente da Espanha com 21 mhl), gerando uma receita de 6 bilhões de euros (atrás somente da França com 9 bilhões).

Classificações.

Atualmente em relação a classificações temos:

– 75 DOCG (a DOCG Lison é compartilhada com Veneto e Friulli) Vinhos de excepcional qualidade e regras muito rígidas de produção.

– 340 DOC- Vinhos de muito boa qualidade e regras rígidas de produção.

– 123 IGT- Vinhos regionais, de boa qualidade, com regras menos rígidas de produção.

– Vino de Tavola- Vinhos genéricos, sem indicação de origem.

Regiões.

Podemos dividir as regiões vinícolas italianas em 04 grandes regiões: Noroeste, Nordeste, Centro e Sul/Ilhas.

Noroeste

Valle D’Aosta

1 DOC- Valle d’Aosta ou Vallée d’Aoste

Piemonte

O Piemonte possui 17 DOCG e 42 DOC e divide-se em 04 sub-regiões:

La denominazione del Nord

Possui 03 DOCG e 15 DOC

L’Astigiano

Possui 05 DOCG (acrescentou a DOCG Nizza em 2014) e 10 DOC

Le Langhe

Possui 07 DOCG e 07 DOC

DOCG Barbaresco

DOCG Barolo

Il Monferrato

Possui 02 DOCG e 10 DOC

Liguria

Possui 08 DOC

Possui 04 IGT

Lombardia

Possui 05 DOCG e 21 DOC

Possui 15 IGT

Fonte- https://www.quattrocalici.it/

Nordeste

Trentino Alto Adige

Possui 08 DOC

Possui 04 IGT

Veneto

Possui 14 DOCG e 28 DOC

Possui 10 IGT

Friulli Venezia Giulia

Possui 04 DOCG e 10 DOC

Possui 03 IGT

Centro

Emilia-Romagna

Possui 02 DOCG (acrescentou a DOCG Colli Bolognesi Pignoletto em 2014) e 19 DOC

Possui 09 IGT

Toscana

Possui 11 DOCG e 41 DOC e divide-se em 02 sub-regiões:

Il Cuore Antico possui 06 DOCG e 14 DOC

L’Altra Toscana possui 05 DOCG e 27 DOC

Possui 06 IGT

Umbria

Possui 02 DOCG e 13 DOC

Possui 06 IGT

Marche

Possui 05 DOCG e 15 DOC

Possui 01 IGT Marche para toda região

Lazio

Possui 03 DOCG e 27 DOC

Possui 06 IGT

Abruzzo

Possui 02 DOCG (Terre Tollesi o Tullum passou a DOCG em 2019) e 07 DOC

Possui 08 IGT

Sul

Campania

Possui 04 DOCG (Aglianico del Taburno passou a DOCG em 2014) e 15 DOC

Possui 10 IGT

Molise

Possui 04 DOC

Possui 02 IGT

Basilicata

Possui 01 DOCG e 04 DOC

Possui 01 IGT Basilicata para toda a região.

Puglia

Possui 04 DOCG e 28 DOC

Possui 06 IGT

Calábria

Possui 09 DOC

Possui 10 IGT

Ilhas

Sardenha

Possui 01 DOCG e 17 DOC (Malvasia, Monica e Moscato di Cagliari juntaram na DOC Cagliari)

Possui 15 IGT

Sicília

Possui 01 DOCG e 23 DOC

Possui 07 IGT

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