Viagem enogastronômica à Bordeaux 2014

Embarquei dia 10/10/2014, no aeroporto de Guarulhos num vôo da Air France, as 19:10, com destino à Bordeaux, com conexão de espera de 06 horas, no aeroporto Charles de Gaule.

Cheguei no aeroporto de Merignac as 19:45 do dia 11/10, onde o nosso motorista e concierge Plinio Oliveira esperava para levar-me ao hotel Adágio Bordeaux Gambetta e encontrar meus outros cinco companheiros de viagem.

Check-in feito, saudações de encontro, fomos para a nossa primeira programação em grupo: jantar no restaurante Glouton Le Bistrot, bom e simpático restaurante perto do hotel, do chef Ludovic Le Goardet.

Algumas garrafas de vinhos, várias entradas, alguns pratos principais (gostei da Poisson de La Criée e não gostei do Pot au feu du Mum), sobremesas compartilhadas, fomos descansar o sono dos justos.

Domingo, dia 12/10, saímos cedo para a nossa jornada por Barsac/Sauternes/Baia de Arcachon e Duna de Pilat.

Grupo e motorista pontuais, partimos as 09:00 para Barsac, aonde Florence Bernard nos recebeu no Château Gravas, encravado entre o Châteaux Climens e Coutet.

Nos mostrou os vinhedos, as rochas de pedras calcarias, o velho lagar de calcareo, datado de 1900.

Por fim provamos os vinhos, aonde o Château Gravas 2010 estava excelente.

Terminada a visita partimos para Sauternes, para almoçar no restaurante Le Saprien, não sem antes passar no Yquem, que já sabia que estaria fechado.

Bonito restaurante, boa comida, mas não me encantou; alguns foram de Menu Barsac e eu fui de Menu Sapriens.

Um champagne Henriot Blanc de Blancs, um S de Suduiraut, um Raimond Lafont 2007 e uma taça de Suduiraut 1999 acompanharam a refeição.

Chegamos com 15 minutos de atraso para a visita das 14:00 no Château Guiraud, e pelo jeito em Barsac/Sauternes não gostam de mostrar a cozinha, pois alegaram que tinha quebrado a chave e não podia abrir o chai.

Prova de alguns vinhos e novamente o destaque foi para o grand vin, o Château Guiraud 1er Cru Classé.

Saindo de Sauternes fomos para a Baia de Arcachon, mas em vez de ir pela auto estrada, voltando para Bordeaux, pedi para atravessar o Parque Natural de Landes.

Passeamos por Arcachon, que lembra um pouco Punta del Leste, fomos para a Duna de Pilat, que me impressionou pelo tamanho, tanto que não foi fácil subir até o seu cume.

Como o restaurante La Coorniche estava fechado, fomos comer umas ostras em Phila Sur Mer, não lembro direito o nome, acho que é Royal Moulleau, mas lembro das batatas fritas côncavas e dos escargots de mer.

Entardecendo seguimos para Bordeaux, chegando por volta das 21:00.

Um bom banho e desmaiar, que o dia seguinte teria de sair cedinho.

Segunda, 12/10, novamente pontuais, saímos as 08:30 para nosso primeiro château do Medoc, o Cos D’Estournel em Saint-Estéphe.

Fomos muitíssimos bem recepcionados e as instalações de 1830 são belíssimas, contrastando a parte exterior antiga do castelo com as modernas instalações da cave interior.

A parte externa tem suas influências arquitetônica da Índia (pagodes), Zanzibar (exuberante porta), norte da África (janelas de Marrocos) e da China (brinquei que o Sr. Louis Gaspard era um homem visionário); já a parte interna, mesmo mantendo as linhas originais, são moderníssimas, baseadas em inox, vidro e concreto, deixando a madeira por conta das barricas; o processo é todo por gravidade e os 04 tanques elevatórios de 10 hl se encarregam de fazer a delestage das cubas tronco cônicas isotérmicas.

Bom, visto a parte técnica chegou a hora de ver o resultado de todo o trabalho, provando os vinhos:

– Cos D’Estournel Blanc 2011- 75% Sauvignon Blanc e 25% Semillon- Branco bem estruturado, muito equilibrado, notas minerais, citricos e excelente retrogosto. Nota 91. Excelente vinho, mas a relação custo/benefício não ajuda.

– Les Pagodes de Cos 2011- 65% Cabernet Sauvignon, 33% Merlot e 2% Petit Verdot- Vinho de corpo médio, frutado, notas de frutas pretas e vermelha (pitanga), especiarias e notas terrosas. Nota 88

– Cos D’Estournel 2008- 85% CS, 13% Merlot e 2% Petit Verdot- Excelente vinho, estruturado, taninos muito agradáveis, muito equilibrado e excelente retrogosto. Nota 93. Na minha opinião ele teria ganho muito se tivesse sido decantado por umas 2 horas.

Tentei degustar o 2009, mas não deu e estava bastante puxado para comprar uma garrafa e degustar. E$ 500.

Eu já tinha comprado uma garrafa do 1982 e pago E$400 e fui ver o preço- E$ 800.

Despedidas feitas seguimos para o nosso almoço no Café Lavinal, não sem antes parar para umas fotos do Château Lafite.

O Café Lavinal é o que eu considero um restaurante turístico das visitas aos châteaux de Pauillac, tanto que eu tinha considerado ir almoçar em Lesparre Medoc, mas estava fechado na segunda.

A comida refletiu esta constatação, farta, porém sem alma; meu Faux Filet (contra filé) veio no ponto, mas não tinha gosto; o magret de canard também não ajudou.

De boa memória ficou o Leoville Barton 1999, que estava excelente.

Seguimos para o belíssimo (desculpem a redundância de adjetivos superlativos, mas não tenho como fugir deles para estes lugares) Château Pichon Longueville Baron.

A visão do castelo refletida no espelho d’agua moldurada por grama é indescritível.

Visita as instalações, com destaque para a selecionadora ótica de uvas, cubas de vinificação, salas de barricas e finalmente uma bela sala de degustação.

A degustação normal seria o Tourelles de Longueville 2011, Château Pibran 2008 e o Pichon 2008, mas dei um jeito de ficar mais Luiz Otávio.

– Tourelles de Longueville 2011- Segundo vinho de Pichon Baron, corpo médio, frutado, com características mais da Merlot. Nota 88

– Château Pibran 2008- 50% CS e 50% Merlot- vinho de estilo mais rustico, mais tanico. Nota 88

– Pichon Baron 1998- 75% CS e 25% Merlot- Já num perfil mais evoluído, com notas terrosas, cassis e tomilho. Nota 91

– Pichon Baron 2008- 71% CS e 29% Merlot- velho conhecido não decepcionou, estruturado, muito equilibrado, viril, com cassis, amora, especiarias, cedro, retrogosto excepcional. Nota 93

– Pichon Baron 2009- E$ 210- 77% CS e 33% Merlot- Estrutura, equilíbrio, tipicidade, taninos, acidez, frutas integram um conjunto harmônico, aliado a um excelente retrogosto fazem um vinho excelente. Nota 96

– Pichon Baron 2010- E$ 210- 79% CS e 21% Merlot- Poderoso, viril, elegante, este é um vinho soberbo; meu melhor vinho da viagem. Nota 97.

Pago a conta, feito as despedidas, seguimos para o Château Ponte-Canet.

O Château Pontet Canet tem o seu foco no cuidado de seus vinhedos, que são biodinâmicos, utilizando cavalos para arar, e mesmo dois jegues (Tic e Tac) por serem mais leves.

Na vinificação procuram ter o mínimo de interferência, mas isto não significa ausência de tecnologia, ao contrário, suas 50 anforas Nomblot produzidas especificamente para Pontet Canet está na vanguarda do processo de vinificação, procurando suprimir o processo de micro oxigenação artificial.

25 destas ânforas foram produzidas a base de cimento e calcário (extraído do próprio solo de Pontet Canet) e são utilizadas para a vinificação da Merlot.

As restantes 25 ânforas foram produzidas a base de cimento e cascalho (graves extraídos do próprio solo de Pontet Canet) e são utilizadas para a vinificação da Cabernet Sauvignon.

Gostaria de ter provado o 2009 e 2010 para ter uma ideia do que estes avanços significaram em relação ao produto final, mas vai ficar para uma outra oportunidade, provavelmente na ENOPIRA.

Provamos o Pontet Canet 2007, que não correspondeu a expectativa de tanto perfeccionismo, embora para uma safra ruim (palavra tabu, pois não existe safra ruim em Bordeaux.rs), até que tenha se superado. Nota 90.

Já era 18:00 e os funcionários estavam com pressa de fechar tudo e ir embora, então seguimos para Bordeaux, por um transito meio congestionado.

Foi chegar ao hotel para um banho e sair para jantar.

Como estávamos hospedados praticamente no centro de Bordeaux, tudo era perto e bastou pegar a Cours de Intendance para ir até as atrações de Bordeaux e daí para uns petiscos e verres de vin na Bodega, atracar no Le Epicerie Bistrot (Jamon Jamon) para uns pintxos, patas negras, pulpo, quesos, uma garrafa de Mauro e umas doses de Jerez.

Dormir que tinha mais para o dia seguinte.

Terça feira, dia 14/10, pudemos tomar o café da manhã mais sossegado, pois começaríamos por Margaux, numa visita ao Château Palmer as 10:00.

Fomos muito bem recebidos e o castelo é belíssimo, com seus jardins, arvores e flores.

Tivemos a felicidade de ver o ultimo recebimento de uvas (Petit Verdot) e o trabalho de seleção de cachos e depois a selecionadora ótica em ação.

Uma percorrida pela área de vinificação e barricas, fomos para a sala de degustação, com exposição de quadros, para provar o Alter Ego de Palmer 2008 e o Château Palmer 2004.

– Alter Ego 2008- 52% merlot e 48% Cabernet Sauvignon- corpo médio, frutas negras, café, especiarias- Nota 89

– Château Palmer 2004- 47% Merlot, 46% Cabernet Sauvignon e 7% petit Verdot- encorpado, estruturado, viril, muito equilibrado, frutas negras, cassis, especiarias, tabaco. Nota 93

Despedidas feitas, fomos almoçar no Bistrot Chez Meme, um lugar simples, mas encantador em Saint-Julien.

Recepção muito simpática, comida encantadora, carta de vinho simples, mas conseguimos localizar e consumir a única garrafa de Leoville Barton disponível.

O Foie Gras Demi Cuit estava muito bom e foi o melhor creme brulé que comi; leve, saboroso.

Pertinho dali, aonde fui a pé, fomos para a visita ao Château Leoville-Poyferre, gêmeo xifópago do Château Leoville Las Cases, atualmente separados.

Instalações antigas e modernas se complementam, com a terceira sala de barricas novíssima.

Terminada a visita as instalações fomos para a prova de seus vinhos:

– Leoville Poyferre 2013- amostra de barrica- 65% CS, 26% merlot, 6% PV e 6% Cabernet Franc- Bom vinho (para a safra desastrosa de 2013, que teve uma redução significativa do volume produzido, para poder fazer algo razoável), bastante concentrado. Nota 89

– Leoville Poyferre 2011- 58% CS, 30% Merlot, 6% PV e 6% CF- corpo médio, interessante, complexo, frutas negras e taninos muito agradáveis; não consegui compreende-lo bem. Nota 91

– Leoville Poyferre 2006- 73% CS, 21% Me e 6% PV- Mais estruturado, viril, frutas e madeira bem integradas, excelente retrogosto. Nota 92

– Leoville Poyferre 2003- 70% CS, 25% Me e 5% PV- Este é o estilo Saint-Julien que gosto, estruturado, elegante, muito equilibrado, frutas negras e vermelhas, cassis, terra, tostado, tabaco, cedro e um excelente retrogosto. Nota 95.

A visita demorou mais que o previsto e saímos apressados, pois eu tinha de pegar uns vinhos em Bordeaux e o pessoal queria aproveitar o tempinho livre para as compras em Bordeaux.

De volta ao hotel, um bom banho e sair para jantar, não sem antes provar uns verre de vin no bar da esquina.rs

Os vin aberto não deram para encarar, mas o Château Gloria desceu bem.

Eram 22:00 e fui jantar no Bistrot L’Exploit, mas desole/ferm; passei em outros e desole/ferm, até que encontrei o GEM, fechando, mas consegui uma mesa.

Umas entradas e um Filet de Cabillaud acompanhou um Dr.Lossen Riesling kabinnet e um Ris au Veau Gratinado, muito bom, acompanhou um La Conseillante 2008.

Foi divertido, pois o casal proprietário também abriu uma garrafa de vinho e ficamos conversando, só que eu não falava francês e eles não falavam português, mas nos entendemos (acho) e rimos bastante, um gozando com o outro.

Ferm o Gem, estiquei para o Calle 8, um bar cubano, para ouvir umas salsas e provar rhums vieux: Clement, JM, Diplomatico e Don Papa. Aiaiaiai.

Ferm o Calle 8, ainda tive de fazer as minhas malas, pois logo as 08:30, tinha o check-out no hotel, para seguirmos para o Haut-Brion e dali para Saint-Emilion.

Quarta feira, dia 15/10, check-out feito, saímos para a visita ao Haut-Brion e La Mission Haut-Brion, aonde fomos muito bem recebidos.

Os dois Châteaux ficam encravados dentro da cidade e primeiro visitamos o Haut-Brion, com suas instalações e salas de barricas e depois fomos para o La Mission, as uns 800 m dali, aonde também visitamos as suas instalações, salas de barricas e seus lindos jardins.

Depois fomos para a sala de prova, aonde provamos o Haut-Brion e o La Mission 2007.

– La Mission Haut Brion 2007- 48% CS, 43% Me e 9% CF- Sensual, elegante, muito equilibrado. Nota 93

– Haut-Brion 2007- 44% CS, 43% Me e 13% CF- Viril, estruturado, muito equilibrado, excelente retrogosto. Nota 94

Novamente, dois vinhos que poderiam ter sido beneficiados com umas duas horas de aeração.

Despedidas, partimos para Pomerol, para almoçar no Le Bistrot e La Table des Vignerons.

Eu imaginava um bistrot simples, mas me surpreendi, pois era de muito bom gosto, elegante, sutil, um encanto de lugar.

Um atendimento irrepreensível, presente sem ser intruso, atencioso e prestativo; estávamos em 07 pessoas e como de costume, gostamos de compartilhar entradas e conhecer as variedades, e ao perguntar se era possível, a resposta foi de que tudo era possível.

Entradas de Trompet de la Muerte e Foie Gras frescos- simplesmente deliciosos.

Para coroar o dia, o aniversariante José Flavio Gioia nos oferece um Champagne Cristal 2006 e nós para retribuirmos tamanha gentileza, oferecemos uma Dom Perignon 2004.

Um Chablis premier Cru acompanhou os peixes e vieiras e um Clos Fourtet acompanhou as carnes.

Eu fui de Ris de Veau e estava estupendo, melhor do que eu tinha comido no GEM.

Para mim foi o melhor restaurante da viagem. Sensacional.

Pertinho dali, seguimos para o Cheval Blanc.

Fomos muito bem recebidos, e enquanto aguardávamos um pouquinho para ir visitar as caves, pudemos contemplar a bela paisagem ao redor e dar um breve olhada nos vinhedos.

A nova cave é espetacular, toda em curva e até as suas novas cubas tronco cônicas de cimento tem curvaturas do lado exterior.

Terminada a visita as instalações fomos provar o Cheval Blanc 2006.

– Cheval Blanc 2006- 55% Merlot e 45% CF- Vinho muito fechado, poderia ter ganho muito com umas horas de Decanter, estruturado, frutas negras, taninos ainda a lapidar, bom retrogosto. Nota 92.

Despedimos, mas em vez de irmos embora, fomos dar uma curtida na paisagem, se instalando na cobertura da adega, que nos dava uma visão privilegiada da região, tanto de Pomerol, quanto de Sant-Emilion.

O vontade era de ter pego a garrafa pela metade e ficar ali bebericando com os amigos de viagem.

Finalmente saímos, com destino ao Château Valandraud, para fazer o chech-in.

O Château Valandraud está a uns 10 km de Saint-Emilion e é um encanto de lugar; funciona com um Bed & Breakfast sofisticado, aonde dispõe de 05 suites; como tínhamos reservado 04, o Château ficou praticamente a nossa disposição.

Instalações modernas, cozinha excelente e decorações sofisticadas atestam o muito bom gosto do casal Jean Luc Thunevin e Murielle Andraud.

Instalados abrimos um Virgine de Valandraud Blanc para comemorar.

Já anoitecendo fomos passear em Saint-Emilion e jantar no L’Envers du Decor.

Abri um Château Clos Fourtet 1989 e me apareceu meio que na decadência e um outro Château novo (que não me recordo o nome) que pedi para decantar e fomos passear por Saint-Emilion, retornando dentro de uma hora.

Qual não foi a surpresa de ver o Clos Fourtet despertar e se mostrar inteiro e delicioso, com um alcaçuz e frutas vermelhas.

Como estávamos todos cansados e sem fome, foi pedido somente umas entradas e coisas leve para comer.

Voltamos para o Château Valandraud para um sono reparador.

Quinta feira, 16/10, como é bom dormir bem e acordar no meio da natureza.

Após um belo e lauto café da manhã seguimos para o Pomerol, para a visita ao Vieux Château Certain, que produz um vinho que gosto muito.

O Vieux Chateau Certan fica bem no meio do Le Pin (o qual eles cuidam da viticultura) e do Château Petrus.

Mais uma vez fomos muito bem recebidos e visitamos os vinhedos com estação meteorológica própria, as instalações, etc…

Fomos para a prova do vinho, na própria sala de barricas (me lembrou do Aalto), aonde o próprio Guillaume Thienpont veio conduzir a prova e elucidar as perguntas técnicas que tínhamos feito anteriormente.

– Vieux Château Certan 2006- Viril, muito equilibrado, estruturado e excelente retrogosto. Nota 93

– Vieux Château Certan 2002- mais sutil, muito equilibrado, frutas e madeira em perfeita sintonia, taninos finos. Nota 93.

Comentei com Guillaume, que na minha opinião a safra 2002 de Bordeaux foi subavaliada e que muitos dos vinhos provados agora tem se mostrado muito bom.

Para não atrapalhar, já que estavam em pleno processo de vinificação, nos despedimos e seguimos para o Château Petrus, só para tirar foto, e eu para andar pelos terrenos do Petrus e Lafleur, observando as diferenças de solos e seu sistema de drenagem.

Dali partimos para o Château La Dominique, para almoçarmos no La Terrasse Rouge, moderno restaurante todo em vermelho. E com nós chegou a chuva.

Bonitas instalações, restaurante lotado, nos acomodamos na nossa mesa e já fomos presenteados com uma taça de vinho branco de boas vindas. Aprecio este gesto.

Pedimos um caviar de france (ovas de esturjão criados em Biganos, na Baia de Arcachon) e uma terrine de foie gras demi-cuit de entrada e para acompanhar uma Bollinger.

Um vinho branco para os peixes e um Château Dominique 2009 para as carnes.

Eu fui de Lampreia à Bordalesa, que estava muito bom, melhor que a que comi em Matosinho.

Por um default deles, fomos agraciados com uma garrafa de Taittinger de cortesia.

Terminado o almoço, partimos para um tour pelos arredores de Saint-Emilion, parando em frente do Château Angelus para umas fotos.

Seguimos para Saint-Emilion, aonde deu para visitar a igreja e suas ruazinhas, aonde providenciaram uns quitutes para uma linda tabua de frios e outras guloseimas a serem degustadas no nosso Dinêr/Pic-Nic.

Comprei um Marcel Deiss Schoenenbourg 2004 e um Leoville Barton 1985 para a noite e o Plinio nos presenteou com uma garrafa do Château Le levant de L’Aiguille 2009.

De Saint-Emilion seguimos para o Château Valandraud, para a nossa visita, aonde o Juan Carlos nos aguardava para nos mostrar as instalações e explicar os conceitos que transformaram um simples vinho de garage em um dos vinhos de mais prestigio de Saint-Emilion, culminando na sua classificação como Premier Grand Cru Classé B em 2012.

E foi justamente a amostra ainda de barrica do 2012 que provamos, mostrando todo o seu potencial. Na minha inexperiente avaliação de vinhos de barrica. Nota 92.

Também provei o Valandraud 2009, muito estruturado, muito equilibrado, frutas vermelhas e pretas, tostado, alcaçuz, e excelente retrogosto. Nota 95.

Desfrutar do entardecer no château com os vinhedos ao fundo, uma boa música, boa conversa com os amigos, boa comida e bons vinhos. Perfeito.

Dormir que amanhã o percurso seria longo.

Sexta feira, 17/10, novamente um lauto café da manhã, chech-out feito, despedidas e seguimos para Libourne, aonde Gioia, Heloisa e Noeli seguiriam suas viagens pela Dourdogne/Périgord.

Nos despedimos já com saudades e Gerhard, Rosana e eu seguimos para a Gare de Saint Jean para pegar o TGV para Paris.

Viagem de 3:30 tranquila, tanto que se soubesse que podia, teria comprado um vinho para ir tomando no percurso.

Chegamos a Paris 13:50, pegamos um táxi e fomos para o Hotel Langlois na Ópera para fazer o check-in.

O hotel fica ao lado da igreja de La Trinité, a poucas quadras da galeria Lafaiette e da Ópera; tem um estilo meio carregado de carpetes e cortinas e moveis antigos, mas eu gostei, principalmente pela sua localização.

Instalado, banho tomado, sair para conhecer a cidade e os restaurantes; andando pelas ruas me deparei com um restaurante japonês que me chamou a atenção, pois não tinha nome, só dois balcões centrais para no máximo 12 pessoas.

Entrei e consegui uma cadeira, era o restaurante Sara, um restaurante de Soba.

Provei várias entradas, um tempura delicioso, um soba de sarrasin e uma prova de 03 tipos de saques. Muito bom.

Dali segui para o restaurante Costes, no hotel Costes; lugar muito bonito, sofisticado e ao mesmo tempo descontraído.

Pedi uma taça de Bilecart Salmon Rosé para acompanhar uns crevettes e uma taça de Puligny-Montrachet e outra de Pommard acompanharam os escargot.

Já que estava embalado pela música do Costes, estiquei para a Cave de Huchete, e curtir um pouco de jazz e dançar fox-trot embalado por algumas doses de Calvados.

Boa banda, bons dançarinos, ambiente muito agradável.

Ferm Cave de Huchete e volta para o hotel para desmaiar.

Domingo, 19/10, eu ia almoçar no L’Epicure, no hotel Le Bristol, provando seu menu degustação, tinha até levado blazer, obrigatório até no almoço, mas acordei tarde e perdi a hora; a opção foi fazer um tour pelos pontos turísticos de Paris, no teto de um ônibus.

Tinha também programado de jantar no Café Marli, no Louvre, mas ao me dar conta que tinha de acordar as 06:30, pois meu voo era as 10:30, desisti e fui jantar no Bistrot des Deux Theatres, ao lado do hotel.

Consegui uma mesa e pedi um Calvados para abrir o apetite e acompanhar uma soupe a l’oignon (muito boa), um achado de um Dagueneau Pur Sang 2009 para acompanhar um Sole a Belle meunière e uma taça bem servida de Sauternes para acompanhar um Crepe Suzette, uma nova dose de Calvados, café e assim encerrei de maneira clássica a minha viagem enogastronomica pela França.

Dormir, acordar cedo, pegar pontualmente o táxi as 07:30, 08:20 no Charles de Gaule, tramites de despacho de malas, 12 horas de avião, ônibus do aeroporto para a rodoviária, do Tiête para Piracicaba e finalmente as 23:30 chego em casa.

Um beijo na esposa e olhar se todos os vinhos chegaram bem.

Enfim posso dormir sossegado, com a certeza de ter vivenciado uma bela experiência.

Com a cabeça num turbilhão,  com degustação de Margaux na próxima quinta, a grande degustação da Probat Maximum em dezembro, fechando todas as degustações do Enopira Road Gonçalves 2015, nossa viagem para o Chile no Carnaval 2015, Alentejo e Andaluzia em abril/2015 e Liguria, Piemonte, Lombardia e Acetaia em outubro 2015, me desculpo por nestas reminiscências, trocar alguns nomes, erros de português, vinhos e etc…, mas são tudo fruto das minhas recentes lembranças, marcadas e tatuadas para sempre, na minha memória e na minha retina.

Agradeço aos meus companheiros de viagem, por terem me aturado, neste compartilhamento de sensações e emoções e mais uma vez ter provado que ao beber vinho não simplesmente ingerimos a bebida, mas sim sorvemos cultura.

Grande abraço,

Luiz Otávio

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