Viagem ao Chile 2015

Uma viagem enogastronomica ao Chile.

Dia 13 de fevereiro de 2015, embarquei para Santiago, para visitar vinícolas e restaurantes de algumas das regiões vitivinícolas do Chile, percorrendo os vales de Cachapoal, Colchagua, San Antonio, Casablanca, Aconcagua e Maipo.

Meu foco de visão seria como o Chile tinha evoluído nas áreas de viticultura, vinificação e gastronomia desde 2012.

A minha percepção foi que a evolução se deu mais na viticultura, com novas aéreas de exploração e uma melhor percepção do ciclo de maturação da Carmenère, e de qual tipo de solo/clima melhor se adapta; e algumas gratas surpresas com castas não convencionais no Chile, como a Verdejo, Viognier e Petit Verdot.

Nas brancas a Sauvignon Blanc ainda é o destaque, firmando seu Terroir nos vales de San Antonio, Casablanca e potencial no sul (Itata) e norte (Limari).

A Chardonnay ainda que tenha avançado um pouco e alguns bons resultados em Quebrada Seca e Malleco ainda não me convenceram.

A Syrah tem se esforçado e mostrado uma boa versatilidade de adaptação em diferentes climas e terroir, apresentando bons resultados tanto em áreas mais frias como San Antonio e Casablanca, como em Aconcagua e Maipo Alto.

A Carignan continua se destacando, principalmente em Maulle e a Cot (Malbec) ensaia uma tímida amostra do seu estilo além da Viu Manent.

A Cabernet Sauvignon continua sendo a rainha das uvas chilenas, mas que fica melhor com sua corte bordalesa.

Por outro lado, no Chile continua atirando para todos os lados, em buscas de novas aéreas de viticulturas e da melhor adaptação de cepas nestas regiões, aonde castas como Garnacha, Mazuelo, Cinsault, Tempranillo, Riesling, Gewurztraminer, Semillon, etc… estão sendo testadas.

Na aérea de vinificação não observei grandes avanços, a não ser a já esperada micro oxigenação e os testes com Vat Eggs e algumas apostas nas selecionadoras opticas.

As Viejas Tinajas no meu modo de ver são apostas de riscos.

Na parte comercial, a agressividade é aparente, tanto na conquista de novos mercados, na valorização de preço de seus vinhos e até na parte de visitas, aonde tudo é business.

Só que mostrar tudo isto acima não é suficiente, se os vinhos também não puderem falar bem de si mesmo, e nem sempre eles conseguem.

Os Reservas e Gran Reservas, quase sempre são sinônimos de vinhos básicos ou muito básicos e estas classificações estão se tornando pejorativos e algo mais sério deveria ser feito para um melhor enquadramento destas classificações.

Eu não gosto muito de citar notas, mas não tenho como fugir delas, e para se situarem numa escala mundial de vinhos, talvez tivessem de descontar uns 04/05 pontos das notas avaliadas nos guias e publicações; não vejo nenhum vinho chileno com nota acima de 94/95 e estes seriam raríssimos. Na minha forma de ver, a maioria dos ícones estariam nos 91/92 pontos.

Ou a escala teria de ser de 80 a 120 pontos e não mais de 80 a 100.

Esta é minha opinião e vale o que vale.

Indo para a parte das visitas propriamente dita, como visitei algumas vinícolas duas vezes, não vou detalhar e vou só dar uma visão genérica das mesmas:

1- Colchagua, vale a pena ficar um ou dois dias, em vez do bate e volta de Santiago.

– Casa Silva- Boa visita, valeu mais o papo com o Mario Geisse, do que a visita propriamente dita.

Vinhos recomendados: Sauvignon Blanc Cool Cost, Micro Terroir Carmenere e Altura.

– Restaurante Club House (Casa Silva)- Muito bom restaurante, boa comida, linda vista. Recomendo.

– Montes- Na primeira visita, muito conturbada; na segunda visita muito boa; muito bonita vinícola.

Vinhos recomendados: Outers Limits CGM, Purple Angel, Folly e M; não provei o Taita.

– Neyen- Muito boa visita, vale a pena a visita as videiras centenárias.

Vinhos- Neyen de Apalta, um dos melhores custo benefício que encontrei- U$ 55

– Montgras- Bonita vinícola.

Vinhos- De básicos a médios.

– Viña Santa Cruz- Belíssima vista do morro do teleférico, muito bonita as casas indígenas, instrutiva produção de Merken dos Mapuches, e os adereços dos Rapanui, além das lhamas. Vale a pena a visita.

Vinhos básicos e rústicos.

– Restaurante Rayuela (Viu Manent)- Muito bom, as costillas de cordero estavam excepcionais, como sempre. Vinho- El Incidente Carmenere e Viu 1. Recomendo.

– Restaurante Etiqueta Negra- Muito bom; excelente Lomo Vetado (Ancho).

– Restaurante Casita de Barreales- Boa comida peruana, mas sem maiores atrativos.

– Restaurante Casa Colchagua- Muito bom restaurante chileno, Pastel de Choclo e Plateada muito saborosos.

– Restaurante Azul Profundo- Péssimo.

– Hotel Terraviña- Muito bom, simples, mas funcional, bela vista no meio dos vinhedos e funcionários muito atenciosos. Recomendo

2- San Antonio, Casablanca e Valparaiso- Vale a pena a visita, seja num bate e volta ou melhor ainda para pernoitar um ou dois dias.

– Casa Marin- Boa e instrutiva visita, bons vinhos e impressão de uma leve decadência.

Vinhos- Cipreses Sauvignon Blanc

– Matetic- Bonito lugar, visita turística, bonita Casona.

Vinhos- Básicos a médios.

– Veramonte- Turístico

Vinhos- Básicos a médios.

– Restaurante Tanino (Casa del Bosque)- Excelente- Recomendo

Vinhos- Pequenas Produciones Pinot Noir

– Restaurante El Muelle (Algarrobo)- Bom, bela vista, mas o serviço estava atrapalhado devido a muita gente (último final de semana dos chilenos antes da volta as aulas). Congestionamento por todo lado, desde Cartagena até Algarrobo.

– Restaurante Fuego Lento (Valparaiso)- Excelente Cordero al Palo (Magallanico)

– Hotel Alto Mirador (Valparaiso)- Bom para os quartos de baixo e bom + para os quartos de cima. Bela vista do mar de Valparaiso e Viña del Mar.

3- Aconcagua- Vale muito a pena a visita, pode ser em bate e volta de Santiago.

– Errazuriz- Belíssima vinícola e estonteante paisagem; visita turística que não tira a boa impressão.

Vinhos- De básicos a muito bons- Don Maximiano, Kai e Seña; não provei o Chadwick.

Tenho me decepcionado um pouco com o Seña, até 2007 era o meu vinho chileno favorito, depois perdeu a elegância e deu uma anabolizada, e não tem se encontrado.

– Von Siebenthal- Ao lado da Errazuriz, não tem o mesmo impacto visual que a anterior e tudo é mais simples e prático, mas ao chegar aos vinhos vê-se que o esforços do Mauro tem produzido resultados, com vinhos de personalidade e muito a muitíssimos bons.

Estava cético ao provar um Viognier e fiquei espantado com a qualidade do mesmo, principalmente sendo a primeira e limitada produção do Rio Mistico 2003, no melhor estilo de Condrieu. Meu melhor vinho branco chileno provado. Nota 92.

Os tintos muito bons, desde o Carabantes, passando pelo Montlig e o surpreendente Toknar (Petit Verdot); o Tatay eu não provei, mas comprei uma garrafa para a degustação aqui na Enopira.

– Restaurante El Jabali- Restaurante de beira de estrada, simples, mas bom, tinha acabado o javali e fomos do que tinha, um belo lomo vetado. Deixou abrir os vinhos que sobrou da Von Siebenthal.

4- Santiago e Maipo- Santiago lotado de brasileiros, continua bonita, limpa e ponto de partida para as visitas do Maipo.

– Perez Cruz- Muito bonita vinícola em Paine, no extremo sul de Maipo Alto.

Vinhos- De médio a muito bons, seus vinhos tem um ótimo custo benefício; destaque para o Chaski, um Petit Verdot com uma pitada de Carmenère.

– Viña Santa Rita- tinha agendado o almoço no restaurante Doña Paula, mas por um erro de comunicação a pessoa não se deu conta que a data agendada era na segunda feira (lunes), dia em que eles não abrem. Demos como a cara na porta fechada. Na volta ao Brasil encontrei o e-mail comunicando que estavam cerrado em lunes e solicitando a troca para martes; mas ai já era tarde.

– Viña Almaviva (Puente Alto)- Muito bonita e muito cuidada vinícola, tudo minimalista e limpo; caro (U$ 80) para provar um vinho só, mas vale a pena conhecer. O Álvaro Gonzalez que conduziu as visitas foi extremamente profissional e com um conhecimento bastante apropriado.

Vinho- Almaviva 2009, excelente, o melhor vinho provado no chile. Nota 94

Comprei um Almaviva 2010 para o Torneio Mundial de Vinhos 2015 e um Epu 2012 para a degustação na Enopira.

– De Martino (Isla de Maipo)- Muito boa visita, os vinhedos, buraco no solo para ver a composição, os foudres e tinajas viejas, bela sala de degustação e até um pequeno terremoto completaram a visita.

Vinhos- Bom Chardonnay de Quebrada Seca e  muito bom Alto de Los Toros.

– Undurraga- O que era para ser uma visita turística, se transformou na mais objetiva e sincera visita junto com o enólogo, que mostrou todo o processo de vinificação, não se furtando de nenhuma pergunta.

Vinhos- TH e Altazor.

– Altair (Cachapoal)- Muito bonita vinícola e paisagem.

Vinhos- Sideral (bom) e Altair (muito bom).

– El Principal- Difícil de encontrar, encravada na parte mais sudeste de Maipo Alto.

Bonita paisagem e bela vista do mirador.

Vinhos- Gonzalo Guzman está lançando o Kiñe, um verdejo, inspirado na Ossian de Rueda.

Calicanto (médio), Memorias (bom), El Principal (muito bom)

– Restaurante Baco y Vino- Continua excelente, comidas muito boas, com destaque para as ostras, tartar de salmão, pulpo e sopa de lentilhas com foie gras; a sua proposta de vinhos em taças é fantástica e com um custo muito bom. No restaurante os vinhos são mais baratos que em muitas lojas de vinhos ou supermercado. Comprei o Almaviva 2010 e o Lota lá. A não perder.

– Restaurante OX- Excelente carnes, e na minha opinião os de Angus melhores que os de Wagyu; se a comida estava boa, o serviço foi péssimo e o atendimento do pseudo sommelier surreal.

– Astrid y Gaston- Muito bom restaurante, sem ser excepcional- Ceviche honestos, bom robalo e um gnocchi com molho de tinta de lula excelente.

– Galindo- Simples, muito bom, barato e porções fartas.

– Panko- Simples, boa opção de comida japonesa para jovens, escorrega no excesso de cream cheese.

– Bocanariz- Bom bar de vinhos no centro, mas não se compara com o Baco y Vino em opções e preço. Boa música.

Hotel Torremayor- duas experiências.

– Providência- Tendo feita reservas no Torremayor Lyon, ao fazer o check-in, fui informado que tinham transferidos nós para o Torremayor Providência, uns 300 m acima (overbooking?), bem no meio da agitação; sem o que fazer, aceitei, pensando que por ser mais novo seria melhor; ledo engano, tivemos problema com falta de agua fria, mangueira vazando, box sem muita vedação do blindex, ar condicionado muito barulhento, enfim ruim.

– Lyon- Mais velho, mas muito mais bonito e charmoso, num lugar mais tranquilo, a apenas 300 metros da agitação; simples, mas com boas instalações, funcionários bastante atenciosos, enfim muito bom.

Bom, é isto, agora se preparar para a nova viagem, para conhecer os meandros enogastronomico da Galícia e de Portugal, agora em abril.

Abs,

Luiz Otávio

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