Viagem à Espanha 2013

Uma inesquecível viagem enogastronomica à Espanha.

Após concretizar um grupo de 05 enófilos para visitar vinícolas e restaurantes na Espanha, saímos no dia 11/10/2013, sexta feira, as 19:10, num vôo direto da Iberia, com destino a Madri.

Chegamos em Madri as 10:20 do dia 12/10 e fomos direto para o Hotel Petit Palace Lealtad Plaza, bem no centro, praticamente ao lado dos museus.

O dia da nossa chegada coincidiu com o dia nacional da Espanha (ou dia do Hispânico), em homenagem ao dia 12 de outubro de 1492, data do descobrimento da América por Cristovão Colombo.

Madri fervilhando, inúmeros desfiles, transito bloqueado, quase nos impediu de chegar com as malas no hotel.

Acomodados, fomos fazer um tour rápido pelo centro e acabamos visitando o Museu Reina Sofia (Guernica), um rápido almoço e fomos visitar o Museu Sorolla, numa longa caminhada a pé.

A noite seguimos caminhando entre multidões até a Puerta do Sol e Teatro Real para jantarmos no restaurante El Abrazo de Vergara, que nos surpreendeu pela qualidade da comida e sua excelente relação custo/beneficio. Recomendo.

Um Cava Recadero e um Alion completaram nossa refeição.

Domingo festivo e igualmente movimentado, fomos para visitar o Museu do Prado, impossível, pois a fila tinha quilômetros, tinha a opção da mostra de Velasquez, mas novamente muita fila, desistimos; fomos ver o Museu Tyssen-Bornemisza, mas igualmente lotados; fomos até a Moratin Vinoteca Bistrot para tapear, mas estando fechada, nos acomodamos na La Plateria, que nos atendeu muito bem.

Cava, Verdejo e Mencia completaram a seleção de tapas.

Segunda, dia 14/10, com a Van lotada, saímos cedo com destino da Quintanilla de Onésimo, em Ribera del Duero.

Viagem tranqüila, avistando ao longe o Vale de Los Caidos nas proximidades de Guadarrama, passando pela bela Segovia, seguindo até Cuellar, aonde cortei caminho por Cogeces del Monte até Quintanilla de Onésimo, fazendo os 190 Km em duas horas, chegando na Vega Sicilia as 10:00 em vez das 11:00 agendada.

Fomos conduzidos para um espetacular jardim japonês, aonde esperamos um pouco a chegada da Sra.Yolanda Perez, que também estava vindo de Madri para nos recepcionar e conduzir a visita.

Veja Sicilia é um mito e sonho de visita de todos enófilos, ansiosos em desvendar seus segredos, da constância de sua qualidade, que o tornaram referência não somente dos vinhos de Ribera del Duero, mas também dos grandes vinhos espanhóis.

O árduo trabalho no cuidado com os vinhedos, a busca do ponto ideal de maturação, a seleção das uvas, a tecnologia implantada na vinificação, o asseio das instalações, a própria tanoaria, o cuidado do amadurecimento na sala de crianza, o afinamento em garrafas, a eficiência da logística de distribuição/exportação, o cuidado da imagem, tudo somado para a realização de uma lenda, expressa na forma de seus vinhos: Vega Sicilia Único, Vega Sicilia Reserva Especial, Valbueña nº 5; e também Alion, Pintia, Oremus e o Macan, novo projeto de vinhos em Rioja, em parceria com Benjamin Rothschild.

Seguimos para uma belíssima e ancestral casa, ricamente decorada, aonde pudemos degustar os vinhos Pintia 2009, Alion 2009, Veja Sicilia Único 2003 e Oremus Tokaji 5 Puttonyos, todos excelentes, com destaque para o Único 2003, uma mão de ferro em luva de pelica que mereceu 95 pontos na minha avaliação.

Saímos da Vega Sicilia e fomos direto para a Aalto, aonde Arantxa estava nos esperando para a visita.

A Aalto é moderna, toda asseada, pratica e funcional, com sua vinificação minimalista, baseada em suas excelentes uvas, provenientes principalmente de Aguillera, Moradillo de Roa e La Horra, zonas mais elevadas de Ribera del Duero e na expertise de Mariano Garcia.

Só produz dois vinhos, o Aalto e o Aalto PS (Pagos Selecionados), os quais tivemos o privilégio de provar a safra de 2011, com a presença de Javier Zaccagnini.

Excelentes vinhos, com destaque para o Aalto PS 2011, que mereceu 95 pontos na minha avaliação, sendo o segundo representante de Ribera del Duero, junto com o Veja Sicilia Único 2000, para o painel dos grandes vinhos de Ribera del Duero e Rioja.

Saindo da Aalto, fomos para Sardon del Duero, na Abadia Retuerta, almoçar no belíssimo restaurante Vinoteca/Le Domaine, dentro do  hotel de mesmo nome.

Excelente refeição, acompanhadas dos vinhos: Le Domaine Blanco 2012, Abadia Retuerta Seleccion Especial 2009 e Abadia Retuerta Pago Negralada 2010.

Em êxtase seguimos para Peñafiel, para acomodarmos no excelente e moderno hotel AF Pesquera, aonde a noite provei uns tapas e umas tulipas de cordeiro, acompanhadas do Pesquera Gran Reserva 1995 e do Pesquera Janus 2003.

Dormir que no dia seguinte tinha mais.

Terça, dia 15/10, saímos as 9:00 com destino a La Horra para visitar a Viña Sastre.

A vindima este ano estava muito complicada em Ribera del Duero, pois devido a um inverno rigoroso e tardio, o desenvolvimento natural da videiras tinha atrasado pelo menos uns 15 dias, conseqüentemente tardando a vindima, como podemos ver in loco, já que era dia 15 de outubro e em algumas regiões ainda não tinha sido feita a colheita, visto que as uvas, mesmo com graduação de açucares adequados, não possuíam maturação fenólica adequada, que culminando com alguma chuva nestes dias, fazia o pesadelo de quase todos vitivinicultor de Ribera del Duero.

Foi neste clima que nos deparamos na Viña Sastre; o pessoal da vindima parado, esperando o tempo firmar, para ver se iriam colher ou não neste dia.

Fomos recebido por Eugenio Bayon, que nos mostrou toda a bodega, simples e prática, numa sinergia de tradição e tecnologia, capaz de fazer alguns dos grandes vinhos da Espanha.

Jesus Sastre nos cumprimentou rapidamente, absorvido em suas preocupações de autorizar ou não a vindima.

Fomos para a prova dos vinhos, provando o Sastre Crianza 2010, Pago de Santa Cruz 2010 e Regina Vides 2011, sendo este ultimo muito refinado e elegante, o qual também pontuei com 95 e trouxe uma garrafa para o painel.

Saindo de La Horra e tendo tempo para o almoço, que só abriria as 14:00, resolvi fazer um tour por Olmedillo de Horra, Anguix, Quintanamanvirgo, Boada de Roa e Pedrosa de Roa, aonde só entramos na Pago de Capellanes (sem visita)e paramos na Perez Páscua; sem agendamento, acabamos por ser convidados a visitar a Viña Pedrosa, por Adolfo Peres Herrero e seu pai Adolfo Peres Pascuas, que ainda nos proporcionaram um prova dos vinhos Gavilan Crianza 2010, Pedrosa Crianza 2010, Pedrosa La Navilla 2009 e Pedrosa Gran Reserva 2005.

Enfim fomos para Roa, para o almoço no bonito e acolhedor Asador Nazareno, para provarmos o famoso Lechazo asado; muito bom, muito tenro, o qual acompanhamos com um Pago de Capellanes El Nogal 2009.

Terminado o almoço, já um pouco atrasado, seguimos para a Finca Santa Marta, local da sede a bodega Alonso del Yerro, aonde Miguel Alonso del Yerro nos esperava.

Miguel numa receptividade surpreendente nos levou para conhecer as diversas parcelas de seus vinhedos, nos mostrando a diversidade de solos e exposições.

Depois, voltando a bodega, para uma prova de vários vinhos ainda em barricas e depois na casa de seus pais, a prova de seus três vinhos: Alonso del Yerro 2010, Maria 2010 e seu novo vinho de Toro, o Paydos 2010, todos surpreendentes para quem não conhece a qualidade dos seus vinhos; num aspecto complexo, viril e explosivo o destaque ficou com o Maria 2010, alcançado os 95 pontos, o qual também trouxe uma garrafa para o painel.

Anoitecendo voltamos para Peñafiel, ainda a tempo de matar  a garrafa do Pesquera Gran Reserva que tinha deixado pela metade e que ainda estava ótima.

Quarta, dia 16/10, saímos não tão cedo para a visita a Pago de Carraovejas, que tínhamos agendado para as 10:00; errei a entrada e acabei chegando na vinícola por trás, fazendo uma pré-visita a seus vinhedos, principalmente aos de mais altitudes.

Impressionante arquitetura da bodega, como também da sua vista, descortinando uma parte do vale e tendo o castelo de Peñafiel ao fundo.

Uma visita que pareceria burocrática, se mostrou fantástica, com mais de 5 horas de duração, aonde alem de conhecer as instalações, nos buscaram uvas e folhas das variedades Tempranillo, Cabernet Sauvignon e Merlot, para que notássemos as diferenças ampelográficas, suas salas de vinificações, de crianza, visita ao vinhedo Cuesta de Las Liebres, seu mirador, o controle de insetos através de feromonios, seu laboratório, a prova de seus vinhos harmonizados com tapas (Autor e Crianza), a visita a suas instalações de cozinha e restaurante, a prova do Pago de Carraovejas El Anejon Cuesta de Las Liebres 2009, junto com Pedro Luiz Ruiz; outro vinho de destaque, com um nariz fantástico e completamente harmônico em boca, também teve os 95 pontos na minha avaliação.

Já estando com a cota de vinhos de Ribera del Duero lotada, não inclui ele no painel.

Ainda esperamos a chegada das uvas, para acompanhar o processo de recebimento e inicio do processo de vinificação, comprovando que um fiscal do Conselho Regulador de Ribera del Duero, estava presente, conferindo a procedência e o rendimento do vinhedo, que no caso de Ribera del Duero é de no máximo 7 t/ha, mas que muitas bodegas trabalham com rendimento menor, razão de ver tantas uvas descartadas nos chão dos vinhedos.

Voltamos ao hotel e a pé fomos para a visita na Bodega Protos, as 18:00, numa visita turística.

Muita bonita a bodega, num contraste entre as velhas instalações e a moderna arquitetura.

Provamos o Verdejo, já velho conhecido, que como sempre não decepciona, e um crianza, também muito bom.

Fora da degustação pedi um Gran Reserva e um Protos Seleccion El Grajo Viejo para degustarmos também, mas rapidinho, pois estava fechando. Rs

Saindo da Protos, uma breve passagem no hotel para um banho e fomos jantar no restaurante Molinos de Palacios, pertinho dali, para novamente provar um Lechazo asado.

Tivemos sorte e tinha Setas (cogumelos), as quais pedimos de entrada, junto com um Ossian Capitel, visto que está bodega do enólogo Pierre Milleman, foi recentemente comprada pela Pago de Carraovejas.

Para mim o Lechazo estava fantástico, que embora não tão tenro quanto ao do Asador Nazareno, estava muito mais saboroso, na minha percepção não ficando somente no sal/água/vinho, mas num sutil tempero de garrigue. Para acompanhar um Mauro Terreus 2010.

Dormir que no outro dia tinha de sair cedo para Rioja, numa viagem de 200 km.

Primeira etapa cumprida, próxima etapa: Rioja.

Quinta feira, dia 17/10/2013, após tomarmos café e fazer o check-out no hotel AF Pesquera, saímos com destino a Haro, em La Rioja.

Viagem de 210 km, tranqüila, passando por Aranda del Duero, Burgos, seguindo pela AP1 em direção a Miranda del Ebro/Vitoria; eu ia cortar caminho em Pancorbo, pegando a N-232 para Haro, mas na hora, ao ver descortinar na minha frente a belíssima paisagem do Parque Natural Montes Obarenes-San Zadornil e vendo que a estrada entrava num túnel, fiquei curioso para ver o que tinha do outro lado e segui em frente, seguindo pela bela paisagem até Miranda del Ebro e contornando até Haro.

Chegamos na Bodega Lopes de Heredia/Viña Tondoñia um pouco cedo e ficamos aguardando até o começo da visita, as 12:00.

A Lopes de Heredia é uma das mais tradicionais bodegas de Rioja, e faz seus vinhos de maneira mais tradicional possível, recebendo suas uvas ainda em cones de madeira, tipo Gönc, vinificação em toneis de madeira velhas, leveduras naturais, longo amadurecimento de seus vinhos em barricas usadas, etc…

Eles estavam recebendo uvas para a vinificação e a correria era grande, podendo conversar somente um pouco com a enóloga Mercedes Lopes de Heredia.

Percorrido todas as instalações, incluindo a tanoaria,  fomos para a prova do Gravonia Blanco 2004 e Bosconia Reserva 2003.

Tentei comprar uma garrafa do Tondonia Gran Reserva Blanco 1991 e uma garrafa do Tondonia Gran Reserva 1994, mas nos informaram que estes vinhos só podiam ser vendidos, uma garrafa, se comprasse 01 cx do Bosconia Reserva, o que era inviável para mim; com apelo da minha parte, consegui que me vendesse 01 gf do Tondonia Gran Reserva Blanco 1991, para prova ali na bodega.

Eu sempre gostei muito deste Blanco de 1991 (mais que o 1981) e tinha certeza que ele seria o vinho branco que traria para integrar o painel, mas infelizmente, a garrafa provada não estava nos seus melhores, não estando bouchonné, mas também não tendo a vivacidade das outras garrafas que tinha provado. Paciência, coisas dos vinhos.

Chato que sou para tentar aprender com estas situações, ia até interpelar a Mercedes, para que desse sua opinião, mas vendo-a atarefada com os procedimentos do inicio da vinificação, tive o bom senso de não atrapalhar.

Saindo da Tondonia fomos para o centro de Haro tapear, num pequeno circuito conhecido como La Herradura, tendo como opções o Bar Tiriquilla, o Atamauri e o Beethoven; decidimos por este ultimo, mas o Beethoven I, bar de tapas e não o restaurante Beethoven II. Muito bom, nos deliciando com tapas, pinchos e várias raciones de setas, caracoles, bacalao, etc… e provar alguns vinhos: Roda, Dinastia Vivanco e mais alguns em copas, que não me recordo.

As 16:00 tínhamos visita agenda na Bodega Muga e para lá fomos, podendo observar na frente da mesma a locomotiva e vagão com o tonel de vinho, meio de transporte de antigamente.

Fomos muito bem recebidos e fizemos todo o recorrido das instalações, a tanoaria, numa mistura de tradição e modernidade.

Separados do grupo, fomos encaminhados para uma sala de recepção ricamente decorada, aonde na ausência do Juan Muga, fomos recepcionados por Jesus Viguera e provamos os vinhos: Muga Blanco Fermentado em Barricas 2012, Muga Reserva 2009, Muga Seleccion Especial 2009, Muga Prado Enea Gran Reserva 2005 e o Torre de Muga 2009, este ultimo alcançando os 95 pontos na minha classificação e comprando um garrafa para meu painel.

Deixando Haro, cortei caminho por Labastida até Ábalos, tendo a belíssima Sierra Cantabria a minha esquerda.

Muito bem acomodados no hotel Villa de Ábalos, jantamos no restaurante do hotel, La Cocina de Merche e aproveitei para conhecer os vinhos que José Luis Castillo elabora, o Empatia Blanco Fermentado em Barrica e o Empatia tinto Vendimia Selecionada.

Cair na cama e desmaiar, que outro dia os serviços começariam cedo, tanto que ao anunciar que teríamos visita as 8:30, no hotel nos anunciaram que ninguém recebia nesta hora e o café da manhã era somente após as 09:00. rs

Sexta feira, dia 18/10/2013, saímos cedo para Páganos, para visita na Bodega Viñedos de Páganos, do grupo Eguren.

Chegamos as 08:30, mas nos informaram que o Alberto Saldón estava nos esperando na Bodega San Vicente, em San Vicente de Sonsierra; aproveitamos para ver rapidamente os vinhedos El Puntido e La Nieta e tocamos para San Vicente, uns 20 minutos dali, retornando por Ábalos.

Alberto nos esperava na entrada da bodega, que fica dentro de San Vicente, e numa rápida visita nos mostrou as instalações, que tinha recebido as uvas no dia anterior e estava em processo de vinificação.

O grupo Eguren possui 06 bodegas, sendo 04 em Rioja (San Vicente, Sierra Cantábria, Viñedos Sierra Cantábria e Viñedos de Páganos), uma em Toro (Teso La Monja) e a Dominio de Eguren, que produz vinhos com uvas da região de La Mancha (Vino de La Tierra de Castilla)

Após o recorrido, fomos para a prova dos vinhos, que seria o meu café da manhã: Sierrra Cantábria Reserva 2007 (91 pontos), San Vicente 2008 (93), La Nieta 2009 (95+), Finca El Bosque 2009 (94) e o Alabaster 2010 (96).

O La Nieta e o Finca El Bosque são sensacionais, mas eu me rendi ao Alabaster 2010, um vinho de vinhedos de 145 anos, préfiloxérico, que contraria o que se esperava da DO Toro, potente sim, mas com uma finesse contagiante, uma acidez quase sápida, muito equilibrado, taninos finíssimos e muito agradáveis, evolução em taça excelente, um retrogosto delicioso e prolongado, complementando o conjunto. Espetacular.

Eu particularmente gosto muito dos vinhos de Teso La Monja, tanto do Vitorino (R$ 400,00), como do Almirez (R$ 190,00), que são versões mais econômicas que os E$ 130/R$ 1.300,00 do Alabaster.

Acabei depois comprando um La Nieta 2010 na Vilaviniteca para integrar o meu painel, já que não podia colocar o Alabaster, pois não vistamos Toro.

Terminada a visita, um pouco atrasados, seguimos para a Finca Allende em Briones, do outro lado do Ebro.

Sem indicação do nome da bodega no prédio, acabamos entrando pelo fundo, área de recepção das uvas, sendo orientados para contornar e entrar pela frente, aonde Nathalie, com um ar cansado nos esperava.

Recepção fria, numa visita enfadonha, quase deu vontade de desistir, mas prosseguindo, subimos até um belo mirante, vendo descortinar a nossa frente todo o vale do Ebro, com a Serra Cantábria ao fundo.

Fomos para as provas dos vinhos e acabamos provando uns 9 rótulos, com destaque para Allende Branco, o Calvário e o Aurus; como o Allende Blanco foi o melhor vinho branco que tinha provado até agora nesta excursão, acrescentei ele ao meu painel.

Retornamos a Páganos, para almoçar no restaurante do Hector Oribe, o qual se mostrou muito bom, com uma sequência de pratos muito bem conseguidos e saborosos e um preço bastante razoável pela qualidade da comida e do serviço. A não perder. Uma garrafa de vinho branco e uma de tinto, que não me recordo os  nomes, completaram a nossa refeição.

Saindo de Páganos seguimos para Oion, pertinho de Logroño, para a visita a Bodega Faustino, mas Javier Perez acabou tendo um contratempo e não pudemos fazer a visita, já que era final de tarde de sexta e não tinha ninguém para nos conduzir na visita.

Como tinha pessoas aqui de Piracicaba que não participaram da degustação dos Faustino de Itaipava, e de tanto ouvirem falar do Faustino Gran Reserva 1964, comprei um garrafa do mesmo para integrar o meu painel, mas não deram/dei sorte, pois esta garrafa quebrou na mala (junto com um Chave Hermitage Blanc 2003), mesmo estando embalada em papel bolha e roupas, visto que a mala de policarbonato quase furou ao ser jogada de encontro a uma superfície pontuda. Prejuízo.

Voltamos para Ábalos para um passeio a pé pelas cercanias da cidadezinha, circulando entre vinhedos ao cair da tarde, num belíssimo por do sol  e depois uma breve visita a bonita igreja de San Esteban.

A noite fui na pracinha, aonde um único bar, reunia praticamente todos os moradores da cidade, com seus filhos brincando alegremente, enquanto seus pais bebiam uma copa de vino ou uma cerveja, numa conversa animada.

Pedi uma copa do vinho da casa, joven, frutado e fiquei bebericando e observando o movimento do povo.

Cansado, fui dormir.

Sábado, dia 19/10/2013, retornamos até Laguardia para visitar a Bodega Ysios.

Bodega de arquitetura impressionante, muito bonita.

Visita turística, com o atrativo que tinha umas 10 crianças juntas, que ficou engraçado pelo inusitado da mesma; criança em cima das barricas tirando fotos, criança correndo, de olho para não cair junto ao remonte, os pais cerca uma, a outra escapa. Rs

Depois da visita, fomos para a prova de dois vinhos: Ysios Reseva 2006 e Ysios Essencia 2007, muita badalação, fashion e marketing, mas pouco vinho.

De Laguardia fomos para Elciego, aonde tinha agendado almoço na Marques de Riscal.

Muita bonita a Ciudad del Vino, com a sua arquitetura surpreendente.

Como chegamos um pouco cedo, nos acomodamos no terraço do hotel, com a bela paisagem da cidade a nossos pés e a Sierra Cantábria ao fundo.

Eu já tinha reservado o menu Chirel do restaurante e harmonizado com o Marques de Riscal Finca Montico, O Marques de Riscal Limousin e o top da casa, que eu não conhecia, o Gehry Selection 2001.

Pedi que servisse o Finca Montico no terraço, excluindo-o do almoço.

Muito bonito o restaurante, e o menu Chirel de 8 passos foi sendo servido: Tejas de pipas y pan de aceitunas negras (muito bom), Suero de tomate a modo de cerveza (inexpressivo), Caviar de vino tinto (inexpressivo),Sardina, pan y queso (bom), La croqueta del Echaurren (bom), carpaccio de gamba roja sobre tartar de tomate y ajoblanco (muito bom), cigalas (lagostim) sobre uma base de almendras y um fondo de crema de puerros (muito bom), remolacha asada a la sal sobre tierra, tallarines de sépia y esfera de yogurt (médio), Cocochas em caldo untuoso com patata, panceta y perejil (médio), Láminas de bacalao com um ligero gusto de parrilla, siemprevivas y carbón (médio), Pichón (pombo) asado al momento sobre concassé de pêra y lima (muito bom), Mojito com plátano y menta (médio), Tosta templada com queso Cameros, manzana y helado de miel (bom), Petits fours (inexpressivo).

Alguns pratos bem conseguidos, outros nem tanto, está longe de ser uma cozinha de referência.

Os vinhos do Marques de Riscal não são caros e não tive a preocupação de checar os preços dos mesmos; qual não foi a minha surpresa ao ver a conta e constatar que o Gehry custava a bagatela de E$ 350, num vinho que na minha avaliação não passava dos 93 pontos, devia ter escolhido um Marques de Riscal Gran Reserva 1994. Mea culpa feita, serviu de lição de não pedir nada sem saber o preço.

Total do menu/vinho- E$ 180 por pessoa.

Voltamos para Ábalos por Villabuena de Alava, passando pelas bodegas Izadi e Luis Cañas e seguindo até a Bodega Puelles, aonde Jesus Puelles nos recebeu cordialmente.

Pequena e bonita bodega, praticamente encravada no sopé da Sierra Cantabria, na qual pudemos ver as instalações no antigo moinho, seus vinhedos, a construção de uma moderna bodega e a prova de seus vinhos: Joven, Crianza, Reserva, Gran Reserva e Zenus; este ultimo comprei uma garrafa.

Saindo da Puelles, ao entardecer, subimos por uma estradinha de terra até os 850 m na Sierra Cantábria, no camino de la ermita de La virgem de La Rosa, aonde pudemos ver todo o vale do Ebro, com as cidadezinhas de Bastida, Pecina, Ábalos, Samaniego e San Vicente de Sonsierra abaixo de nós.

Escurecendo e umas nuvens mais pesadas se formando, o bom senso nos enviou de volta aos 600 m de Ábalos.

Check-out feito, o jeito era descansar e ter um bom sono, pois no dia seguinte seriam 420 km até o Priorat e teria de sair cedinho.

O ruim destas viagem é ter de acordar cedo. Rs

Segunda etapa cumprida, próxima etapa: Priorat.

Domingo, 20/10/2013, saímos cedinho de Ábalos com destino a Porrera, no Priorat, numa viagem direta de 420 km, passando por Logroño, Zaragoza, cortando caminho em Fraga e seguindo por Serós, Flix, seguindo o curso do rio Ebre até Mora d’Ebre, e daí seguindo até Falset e adentrando pelas curvas do Priorat até Porrera.

Chegamos cedo a Porrera, as 12:00, num percurso de 5 horas, e seguimos até a pracinha, aonde situa-se a Sangenís I Vaqué, e como combinado anteriormente, se chegássemos cedo faríamos a visita as 12:30 em vez das 16:00 agendada.

Antes da visita, pudemos ver a localização da Celler Vall Lach, que estava fechada.

Pere Sangenís nos mostrou todo o processo de vinificação, onde estavam fazendo o remontado duas vezes ao dia, e fomos para a prova dos vinhos, que poderia dizer que se encaixavam na escola tradicional do Priorat: Lo Costers Blanc 2011, Porrera 2008, Dara 2008, Vall Por 2004, Coranja 2000, Clos Monlleó 2000 e Sinfonia del Dulç 2007.

Muito bons vinhos e este ultimo, por sua atipicidade, pois foram elaboradas somente 800 garrafas dele, trouxe uma garrafa para o painel do Priorat.

É um vinho doce natural, de Garnacha e Cariñena, de uvas passificadas no pé, envelhecido em barricas, com 15,5% de álcool e ainda uns 70 g/l de açúcar residual.

Depois da visita, passamos na loja Vinum e um breve descanso na frente do Bar Carl Carlet, seguimos para o restaurante La Cooperativa, a poucos metros dali.

Muito bom restaurante, numa cozinha tradicional de cocção lenta: Amanida de Ruca amb Foie i confitura de Figues, Flam de porros amb salsa de gorgonzola, Arrós Salvatge amb Favetes, Assortiment d’iberics a La brasa amb confitura de pebrot escalivat (secreto, pluma e presa), Llom de Bacallá a la llauna, Lagostins amb salsa d’ ametlles.

Para beber um Marco Abella Olbia 2012 e um Clos Mogador 2009; eu ainda comprei um NIT de Vin 2011 para o meu painel.

Saindo de Porrera nos dirigimos para Torroja del Priorat, para nos acomodarmos no hotel Cal Compte, bem no centro da pequena cidade, aonde a Van quase não conseguiu chegar de tão estreitas as ruelas.

Bem acomodados, pudemos curtir o belíssimo por do sol sob as montanhas do Priorat.

Segunda, 21/10/2013, saímos cedo até Scala Dei para dar uma olhada no monastério, mesmo sabendo que estava fechado; muito bonito, praticamente encravado na montanha.

Dali seguimos para Poboleda, para a visita a Mas Doix, onde Valenti nos esperava e nos conduziu para uma visita a um vinhedo, que considera emblemático, tanto de solo (licorella), como de exposição (leste). A curiosidade deste vinhedo é que o solo deste foi tombado e o sentido da extratificação da licorella está em sentido vertical e não no horizontal, permitindo o aprofundamento das raízes das vinhas em busca de nutrientes em até 15 m. As videiras centenárias (1902) estão plantadas em vasos e nos vinhedos ao lado já estão plantadas em patamares, com videiras mais jovens.

E ao atingir o seu cume a 400 m de altitude, na exposição oeste nos deparamos com sua vegetação original arbustiva, bastante aromática (madresilva, menta, açucena, etc…), podendo ver Poboleda ao fundo.

É das uvas deste vinhedo (Garnacha e Cariñena) que se produz o Doix e a edição especial 1902, um vinho 100% Cariñena.

A safra de 2013 foi muito boa para o Priorat.

Depois desta didática visita ao vinhedo, fomos para a visita as instalações da bodega e a prova de vinhos: Les Crestes 2011, Salanques 2010 e Doix 2010, o qual comprei uma garrafa para o meu painel.

Diria que os vinhos da Doix são num estilo mais moderno do Priorat.

Terminada a visita seguimos por entre as curvas do Priorat para Cornudella de Monstsant e dali até a cidadezinha de Siurana, a 730 m de altitude e uma paisagem deslumbrante sobre o pequeno cânion do rio Siurana e as matizes de cores de suas formações rochosas. Fantástico.

Almoçamos no restaurante Siurana, muito bom. Como não era época de calçots, pedimos umas Setas a la plancha, ensalada de Siurana, Alpargata (tostada com escalivada y anchoa), Bacalao ao estilo de la casa, costillitas de cabrito a la brasa e paletilla de cordero al horno.

Uma Cava Canals& Canales Brut Nature e um vinho tinto Castillo di Siurana Selecion Costeros acompanharam  a refeição.

Uma bola de sorvete de mandarina e uma dose de Ratafia completaram a refeição.

Saimos de Siurana e seguimos para Torroja, voltando por La Morera de Montsant (800 m), Escaladei e Torroja, chegando pontualmente as 16:00 na Terroir al Limit, aonde Dominik Huber nos esperava e rapidamente nos conduziu pela montanha, para o topo do vinhedo Les Tosses, de solo licorella, 100% Cariñena centenárias.

Voltando para o bodega Terroir al Limit, pudemos ver o processo de vinificação e provar alguns de vinhos ainda em tanques/foudres, toneis.

Dominik está para o que denomino de artista, com muito cuidado na vinha, mas indo em sentido contrário a sobre maturação das uvas e baixo rendimento, procurando ter vinhos fluidos, com baixo teor alcoólico, boa acidez natural  e expressão de mineralidade; na cantina procura intervir pouco, pouca barrica nova e mais foudres inertes, incansável na busca de frescor e personalidade em seus vinhos.

Para mim um novo estilo no Priorat e que deve levar os seus vinhos brancos a um patamar que poderá igualar ao prestigio de seus tintos.

De seus vinhos, todos bons, para mim destaca o Pedra de Guix Blanc 2011, o Arbossar 2010, o Les Tosses 2011 e o grande Les Manyes 2008 e 2010.

Trouxe uma garrafa do Pedra de Guix 2011, uma do Les Manyes 2010 e uma garrafa do azeite Caragols (azeitonas Rojala, Arbequina e Farga) para o meu painel.

Terça, dia 22/10/2013, saímos cedo de Torroja, com destino a Sant Sadurni D’Anoia, em Penedés, numa bonita e tranqüila viagem de 120 km, atravessando Réus, contornando Tarragona e passando por Villafranca de Penedés.

Chegamos no horário na Bogeda Juvé y Camps em Sant Sadurni, esperando um pouco a chegada do Oriol, qua acabou nos levando conhecer a nova bodega no bairro de Espiels.

Grandiosa e moderna bodega, com tanques enormes, galerias de repouso das garrafas, pulpitres, etc… conhecendo todo o processo da elaboração dos cavas.

Depois de volta as instalações antigas em Sant Sadurni D’Anoia, provamos o  Cava Reserva de Familia e o Gran Juvé Gran Reserva 2007, a qual colocarei no meu painel.

Saindo da Juvé y Camps fomos até o restaurante La Cava D’en Sergi, aonde tinha reserva para o almoço.

Bom restaurante, mas como tínhamos visita as 15:00, optamos pelo menu diário, com uma entrada, um prato principal e sobremesa.

Um Cava e um tinto acompanharam a refeição.

Um pouco atrasados fomos à visita a Gramona, aonde o enólogo David Piqué nos mostrou todas as instalações, com destaque para o fechamento das garrafas com rolhas de cortiça e grampo, em vez das tampinhas coronas e as soleras onde se processa o seu licor de expedição.

Provamos a Gramona Imperial Gran Reserva, a Gramona III Lustros Gran Reserva, a Gramona Argent Rosé e a Gramona Gran Reserva Celler Batlle 2002, a qual trouxe uma garrafa para o meu painel.

Terminada as visitas as bodegas, seguimos  para Barcelona, sendo complicado chegar ao hotel Barcelona Catedral, visto que as vielas estavam interditadas para chegar até a praça catedral.

Deixando a Van num estacionamento próximo, levamos as malas por uns dois quarteirões até o hotel Barcelona Catedral, aonde nos instalamos e um banho reparador me aliviaria do cansaço.

A noite, quente, numa Barcelona fervilhante de pessoas e turistas, nas praças e nas ramblas, seguimos por vielas cheias de fotógrafos até o Sensi Bistrô, lotado, mas que tinha a nossa mesa reservada; deixamos o menu por conta do dono, numa sequencia de croquetas, setas, calamares, tartar de atum com maionese de gergelim, ventresca de atum, Duck Timbale e sobremesas. Muito bom. Recomendo.

Eu ainda fui num concerto de jazz no ótimo Jamboree e estiquei no dance club até madrugada adentro.

Quarta feira, dia 23/10/2013, dia livre, aonde fui na Vilaviniteca comprar alguns vinhos e aproveitei para comer uns tapas lá mesmo, queijos diversos, um ótimo pata negra joselito Gran Reserva, junto com umas copas de vinhos e uma garrafa do Pardas Collita Rojas, vinho com a uva Sumoll negro, que eu não conhecia.

A tarde fui até o aeroporto, entregar a Van na GoldCar e a noite fomos no restaurante La Estrella, quase na ronda litoral.

O restaurante prometia, e as entradas de setas e aspargos nos animou, mas o primeiro prato de bacalao deixou um pouco a desejar no sabor, os Calluts do delta d’Ebre, diferentes, até hoje não sei se gostei ou não?, o meu pezinhos de porco dessosado com migas e coentro estava muito bom. Bom, mas esperava mais.

Bebemos um vinho branco e um tinto que não me recordo quais foram

Aproveitei a noite para conhecer o Ocaña e seu ótimo Mojito e depois esticar um pouco no seu dance clube e passando novamente pelo Jamboree.

Quinta feira, dia 24/10/2013, dia livre, aonde aproveitei para comprar mais alguns vinhos que estavam faltando na minha lista.

A noite fomos jantar no restaurante Lasarte, do Martin Berasategui, tendo a frente o Chef Paolo Casagrande, o Maitrê Joan Carlos Ibañez e o Somellier Antonio Coelho.

Bonito restaurante, mas que na verdade não exigia o traje formal que fomos.

Tinha a opção de 3 menus:  menu Lasarte, menu degustación e a La Carta, só que todos da mesa tinha de pedir o mesmo menu.

Pedimos o menu Lasarte, de 8 passos a E$ 115.

O menu:

– Acepipes diversos, uns 8

– Atún en crudo al balsámico, con minestrone fría de verduras, infusión de manzana verde y su sorbete de albahaca

– Ravioli de cigala con yogurt a las finas hierbas, jugo espumoso de jamón y albahaca

– Foie-gras asado en algas con caldo de soja fermentada, citronelle, cuajada de raifort y sal de avellanas 

– Denton del Mediterráneo, bombón líquido de pescados de roca al azafrán y salsa gribiche

Solomillo de vaca asado, terrina de patata, tocineta ibérica a la flor de sal y mostaza

– Cremoso al miso y chocolate blanco, gelée de miel con helado de pera y yuzu

– Frutos rojos del bosque al ron con helado de coco

Petit Fours

Tinha a sugestão de vinhos harmonizados a E$ 65 cada, mas preferi eu mesmo escolher os vinhos:

– Pazo de Señorans Selección de Anada

– Pedra de Guix 2011

– Aalto PS 2010

– Henriques & Henriques 10 anos Sercial

– Bacalhoa Moscatel Roxo de Setubal

Total da conta E$ 200 por pessoa.

Fantástico, valeu cada euro.

Desta vez não estiquei a noite e desmaiei na cama.

Sexta feira, dia 25/10/2013, dia livre, com a Plaza Catedral lotada, já que teria inicio do Rally RACC Catalunya Costa Daurada 2013, com a largada em frente da Catedral, as 18:00, mas que os preparativos levaram o dia todo.

Eu fui almoçar no Pasadis del Pep, indo numa seqüência de raciones, muito boa.Recomendo.

Pedi uma garrafa de Milmanda para acompanhar.

A noite tínhamos reserva no restaurante Con Gracia, perto da Sagrada Famillia, mas cansados, resolvemos ficar por ali mesmo e acabamos indo jantar no restaurante japonês Sinjunku, que tirando um tempurá de camarão que estava ótimo, o resto era bem mediano. Serviço muito ruim também.

Sábado, dia 26/10/2013, fazer check-out e pedir um táxi para o aeroporto, aonde um senhor muito simpático fez milagre ao conseguir colocar 08 grandes malas na SUV e ainda 04 passageiros.

Lembrei da piada, que era só dizer que não cabia, que espanhol, teimoso, daria um jeito de caber. Rs

Pegamos o vôo as 17:45 até Madri e depois o vôo das 00:35 para Guarulhos, chegando as 07:20, cansados, mas com sensação de que valeu a pena.

Até a próxima.

Abs,

Luiz Otávio

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