Viagem à Bordeaux 2015

Viagem enogastronômica à Bordeaux.

11 a 21 de outubro de 2015.

1º dia (12/10/2015), segunda feira: Bordeaux

Depois de uma viagem tranquila, chegando no horário dos vôo Guarulhos/Charles de Gaule/Bordeaux; Plinio Oliveira nos apanhou no aeroporto, com sua costumeira pontualidade, simpatia e profissionalismo, nos levando até o hotel Adágio Bordeaux Gambetta, no coração do centre de ville de Bordeaux.

Instalados, fizemos um curto passeio a pé pela cidade, que a cada ano parece rejuvenescer e esbanjar jovialidade.

Sou um pouco desatualizado das redes sócias e não curto muito o curtir/gostei/compartilhar, preferindo o dialogo ao monologo, mas que ela aproxima as pessoas com interesse em comum, isto eu não tenho dúvidas; e foi isso que aconteceu ao aceitar a amizade do Ju Vieira, que eu não tinha ideia de quem era, mas que o contato virtual foi estreitando os laços, descobrindo os mesmos interesse por vinho, brasileiro, que morava em Bordeaux, e jogava no time da cidade: Jussiê Vieira.

Combinado de ir jantar no dia 12 e por sua indicação fomos ao L’Univerre, um bar de vinhos e restaurante na Rue Lecocq nº 40.

Foi uma noite memorável, primeiro por ter a oportunidade de conhecer pessoalmente o Jussiê, muito simpático, boa conversa, gente fina; segundo que o L’Univerre não é simplesmente um bar de vinhos, mas um tesouro, aonde o Fabrice Maison, garimpa e seleciona vinhos diferenciados do mundo todo; terceiro por ter uma cozinha genuína e muito boa, com ingredientes frescos e selecionados; quarto pela atmosfera de simpatia, cordialidade, hospitalidade proporcionadas a nós pelo Jussíê e Fabrice; e quinto pelos vinhos, que parecem saber quem os venera, e se apresentam de forma inarrável, quando todos os elementos estão em sinergia.

2º dia, terça feira: Pauillac e Saint Estéphe

Saída cedo para o Pauillac para nossa primeira visita, que seria o Château Mouton Rothschild, visita turística e cara (E$ 50), com direito a prova de 03 amostra de barricas, aonde somente o Mouton 2014 se salvou; dali fomos almoçar no café Lavinal, que também é turístico, mas que por felicidade estava melhor que no ano passado, com comida pelo menos boa, que um Leoville Barton 1982 ajudou muito.

Dali seguimos para Saint Estéphe para visitar o Cos D’Estournel, para uma visita privada muito boa, na moderna chai, tendo provado o Cos D’Estournel Blanc 2011, o Pagode de Cos 2011 e o Cos D’Estournel 2008.

Em seguida voltamos para Pauillac para visitar o Pichon Lalande, aonde a simpática Astrid nos recepcionou muito bem, com direito a várias explicações e a prova do Pichon Lalande 2008 e 1999.

Voltamos para Bordeaux e fomos jantar no simpático restaurante GEM, do casal amigo, que não sei o nome, que me reconheceu e me tratou como da casa; continua com boa comida, boas opções de vinhos e excelente custo benefício.

3º dia, quarta-feira: Pauillac, Saint Julien e Margaux

De volta ao Pauillac fomos visitar o Château Pichon Baron, aonde novamente fomos muito bem recebido e com um tratamento diferenciado; após a visita as belíssimas instalações fomos para uma prova especial, numa vertical do Pichon Lalande 1990, 1996, 2000, 2005, 2008, 2009, 2010 e 2012. Simplesmente fantástica e para mim o 2010 continua sendo o meu preferido, com 97 pontos; e tenho a convicção que o Pichon Baron, mantendo esta estabilidade de qualidade está no nível dos Premier Grand Cru Classé, junto com o Cos D’Estournel e Leoville Las Cases.

Dali fomos almoçar no simpático e sempre saboroso Bistrot Chez Meme em Saint Julien, e em seguida para Margaux para a excelente visita ao Château Palmer, com direito a prova do Alter Ego 2006 e Palmer 2006; aqui vai uma crítica generalizada, se os Châteaux tivessem o cuidado com o serviço de seus vinhos, decantando-os por pelo menos umas duas horas, a experiência da prova seria muito mais agradável.

De volta a Saint Julien, fomos fazer a visita ao Château Leoville Poyferré, com direito a bandeira do Brasil hasteada e tudo; O Poyferré é outro dos Leoville que aprecio muito e que a cada safra tem se esmerado em fazer um vinho melhor, comprovado pela prova do 2009, 2010, além do 2012 e da barrica do 2014.

De volta a Bodeaux, fomos jantar no restaurante Racines, do jovem Chef Daniel Gallacher, que correspondeu todas as minhas expectativas, como um dos melhores restaurantes de Bordeaux.

4º dia, quinta feira feira: Barsac e Sauternes

Nos atrasamos um pouco e conseguimos chegar no Château Coutet somente as 09:30, para uma visita rápida, visto que em seguida, tínhamos a visita ao Château Climens, que por sua deferência em nos receber, não queria chegar atrasado; Alexandra Lemahieu nos mostrou os vinhedos, que são biodinâmicos desde 2010, o processo de vinificação e amadurecimento, tendo por final a prova de seus vinhos, que corresponderam toda a expectativa.

Em vez de ir para Sauternes almoçar no Saprien, escolhi um restaurante meio que em off, mas muito bom, o Les Erables, em Preignac, que correspondeu na sua especialidade de peixes, embora alguns frutos do mar nem tanto; dali seguimos para o Château de Yquem, numa visita turística em grupo, porem diferenciada, visto que Cécile se esmerou nas explicações e foi muito atenciosa nas provas, pena que não pode me atender na prova do Y de Yquem, que por ser em quantidade muito limitada, não estava disponível.

Ainda teríamos a visita ao Château Suduiraut, as 16:00, mas um imprevisto nos obrigou a cancela-la e voltarmos para o hotel e dali para o aeroporto, pegando um transito infernal, que nem em São Paulo, em dia de chuva tem.

De retorno a Bordeaux, cansados, fomos jantar na pizzaria Le Pizzaiolo, em frente do hotel, e a preguiça cobrou seu preço, pois comemos (experimentei) uma pizza horrível e um Chianti do mesmo nível. Devia ter insistido e ter ido jantar no Garopapilles.

5º dia, sexta feira- Saint-Emilion

Feito o check-out no Adágio, seguimos para a margem direita de Bordeaux, atravessando Entre-Deux-Mers, para a nossa primeira visita em Saint-Emilion, no Château Pavie.

Fomos muito bem recebidos pela Luciana, que nos mostrou todas as belas instalações, sempre dando ênfase na promoção do Château Pavie a Premier Grand Cru Classé lado A, inclusive com uma garrafa diferenciada para a safra 2012, e depois para a prova do Aroma de Pavie, Château Pavie e por minha insistência o Château Pavie Decesse.

Dali seguimos para o Château Troplong Mondot, para almoçar no restaurante Les Belles Perdrix, bonito, confortável, mas que eu esperava mais em relação a comida; pedimos 06 safras diferentes no Troplong Mondot em taças e fizemos nós mesmos uma degustação vertical.

Dali seguimos para a visita no Château Canon La Gaffelière, aonde Magali Malet nos esperava para uma visita primorosa, muito solicita e atenciosa, nos mostrou os vinhedos, instalações, seguindo depois para a prova de todos os rótulos do Vignobles Comtes von Neipperg: Château Canon La Gaffelière, La Mondotte, Clos de l’Oratorie, Château Peyreau, Château d’Aiguilhe e Clos Marsalette.

Terminada a visita, seguimos finalmente pra fazer o check-in no Château Valandraud, e depois de acomodados, ir até Saint-Emilion para jantar.

Um breve passeio por Saint-Emilion e escolher um restaurante, primeira opção o Logis de Cadene, vazio, mas lotado, sem reserva nada feito; segunda opção o L’Envers du Décor, vazio, mas lotado, insistindo um pouco, consegui um mesa, mas não era no salão principal, e um dos colegas não aceitou, saímos para procurar outro, sem opção fomos jantar no La Côte Braisée; comer e beber mal novamente, devia ter descido mais uns metros e tentado jantar no Le Tertre.

Sair para almoçar/jantar, sem programar/reservar, a chance de se dar mal, é grande, principalmente se for exigente.

Pegar um taxi e voltar para o Château Valandraud .

6º dia, sábado: Baia de Arcachon

Era para irmos para o Perigord, até Salart de la Caneda, mas resolvemos ir para a Baia de Arcachon, seguindo primeiro para o lado externo e provar ostras em Le Canon e Cap Ferret, depois seguir por terra até Arcachon, contornando toda baia, passando por Biganos, mas sem visitar a criação de esturjões/caviar, e depois de um breve passeio por Arcachon, seguir para Dune du Pilat e degustar tapas e ostras no restaurante La Coorniche.

De volta para o Château Valandraud (Saint Ethienne de Lisse), para o excelente jantar preparado por Elodie, a base de Foie Gras, Cèpes (cogumelos), Pommes de Terre, Confit de Canard e uma sobremesa de frutas vermelhas; para beber Virgine de Valandraud Blanc, Château Laniote, Château Laroze, Château Destieux.

7º dia, Domingo: Saint Emilion

Dia livre que começou com uma chuva fria, forçando a ficar mais tempo na cama, mas que devagar foi amainando, convidando para a caminhada programada e lá fomos, por Château Pressac (bonita vista), Château Faugères (bonita adega), Saint Etienne de Lisse, Château Bernateau, Château Boutisse, Château Tour Puyblanquet e Château Haut Veyrac e de volta ao Château Valandraud, num percurso de 9 km, que fizemos em 1:30h, chegando de língua de fora.

Seguimos para o almoço em Saint Emilion, no restaurante L’Huitrier Pie, bastante simpático e agradável, a base de peixes, que correspondeu às expectativas; infelizmente quem não correspondeu às expectativas foram o Condrieu e o Châteauneuf du Pape blanc que bebemos após o Pouilly Fumê.

Um breve passeio por Saint Emilion e de volta ao Château Valandraud, para mais uns vinhos e ai o Château Valandraud 2012.

Sem muita opção para o jantar acabei fazendo um mata fome: Chevre e pepino em conserva, umas torradas com Camembert e damasco, e uma omelete com cebola e Reblochon

8º dia, Segunda feira: Saint Emilion e Pomerol

Acabei acertando a agenda para fazer a visita ao Château Valandraud as 10:00, aonde Juan Carlos nos mostrou os vinhedos, explicando as parcelas, depois a visita a sala de vinificação e de barricas e posteriormente seguimos para Saint Emilion (já com com o check-out feito) para a prova dos vinhos do Jean-Luc Tunevin, bons vinhos, mas o destaque é o Château Valandraud.

Deixando Saint Emilion, fomos almoçar no La Terrasse Rouge, do Château Dominique, o qual não gostei nem um pouco, perdendo a boa impressão que tinha ficado do ano passado; infelizmente o La Cave de Catusseau, melhor restaurante da viagem do ano passado, não abre as segunda.

Depois do almoço fomos para a visita ao Château Gazin, aonde o Sr. Nicolas de Bailliencourt, nos recebeu pessoalmente, com direito da bandeira do Brasil hasteada, e que com paciência nos explicou o terroir de Pomerol, nos mostrando tanto os vinhedos, como fotos das diferentes tipos de argilas, como a azul que compõe o boutonnière de Petrus, a Crasse de Fer, drenagens, graves, etc… Gostei bastante da estrutura do Gazin 2008 e 2012.

Dali seguimos para o Château Le Pin, aonde encontramos o Sr.Jacques Thienpont ocupado e sujo de vinho, mexendo numa prensa pneumática; sem ter muita opção, deixou os afazeres e veio nos cumprimentar e se prontificou em nos mostrar todas as instalações, que são minimalistas e se desculpou por não poder nos dar mais atenção e não poder proporcionar a prova dos vinhos, já que tinha de voltar ao trabalho. Paciência.

Deixamos a margem direita e voltamos para Bordeaux, ficando hospedados novamente no Adágio; saímos para jantar e desta vez escolhi a pizzaria Masaniello para fugir um pouco dos pratos franceses, o que se mostrou bem adequado.

9º dia, terça feira: Pessac Léognan

Fomos para a visita das 11:30 no Château Pape Clement, turística e em grupo, pelas belas instalações do Château, depois seguimos para a loja para a prova de vinhos, aonde nem o Pape Clement rouge 2007 se salvou (se fosse o branco 2007, ai sim); não nos animamos nem em comprar uma safra melhor para provar e seguimos para o Château Smith Haut-Lafite para almoçar.

Bonitas as instalações do hotel Les Sources de Caudalie e dentro dele se encontra o restaurante La Table du Lavoir; bom restaurante, mas que falta um pouco mais de sabor e originalidade para merecer a fama que tem; provamos os Château Smith Haut Lafite Blanc e Rouge, que estavam muito bons.

Linda tarde e aproveitamos para passear pelos Châteaux da região, passando pelo Château de Thill, Carbonieux, La Louvière, Haut-Bailly e Larrivet Haut-Brion.

De volta a Bordeaux, a noite saímos para um passeio pelo bairro do Chartrons, e depois comer uns tapas e beber uns vinhos espanhóis no movimentado Jamon Jamon.

10º dia, quarta-feira: Retorno

Dia livre, um breve passeio pela cidade, acabamos por optar almoçar no restaurante chinês Le Lotus, para variar um pouco e fomos felizes com a entrada de salada de caranguejos, porco com abacaxi caramelizado e arroz, e um mélanges de dim sum no vapor.

Para beber- agua.

A tarde seguimos para o aeroporto de Merignac, para pegar nosso vôo até Paris e dali direto para São Paulo, aonde chegamos no outro dia.

Até a próxima viagem!

Abs,

Luiz Otávio

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