Santa Catarina

Vinhos finos de Santa Catarina.

O estado de Santa Catarina possui 4.016 hectares de vinhedos implantados, com uma produção de 58.261 toneladas de uvas (2018- PAM IBGE).

Deste total apenas 10% são de vinhedos de variedades viníferas finas (Vitis viníferas), com aproximadamente 400 hectares, que estão implantados no planalto catarinense.

Produção de vinhos

Na Região do Planalto Catarinense, foram colhidos em torno de 2.440 toneladas de uvas viníferas, em 400 hectares, na safra 2017/2018, que produziram em torno de 1,6 milhão de litros de vinhos (EPAGRI/CEPA, 2019).

Em torno de 70% da área plantada e da produção são representados por sete variedades, de um total de 35 variedades de uva plantadas, destacando-se a Cabernet Sauvignon, Merlot e Sauvignon Blanc, que representam mais da metade do total da área plantada e da uva produzida.

A produção de vinhos finos tranquilos representa 59,9% da produção (54,3% são de vinhos tintos, seguido pelo rosé com 23,4% e branco com 22,3%) e a produção de espumantes 40,1%( 61,3% são de espumantes brancos e 38,7% rosé).

Destaque para a região de São Joaquim, que concentra mais da metade dos vinhedos e produção de vinhos da região.

História

A história da vitivinicultura em Santa Catarina tem início no final do século XIX e início do século XX, quando os colonizadores, especialmente os de origem italiana, provindos da Serra Gaúcha, trouxeram consigo a tradição do cultivo da uva e produção do vinho, com ênfase nos vinhos de uvas de variedades americanas.

Entre 1930 e 1960 ocorreu o segundo período, quando se deu a diversificação da produção de vinhos, com a introdução de variedades hibridas e viníferas.

Na terceira fase, entre 1970 e 1990, se verificou um incremento na qualidade e na oferta de vinhos varietais.

A quarta fase começa a partir de 1990, quando a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI-SC) implanta unidades de pesquisa para observação do desenvolvimento de videiras em várias regiões do estado; dais quais se destaca a unidade de São Joaquim pela alta qualidade do vinho produzido na mesma e que atraiu interesse empresarial para a região, entre os quais há pessoas descendentes de italianos do sul do Estado de Santa Catarina, do Estado do Rio Grande do Sul e do Estado do Paraná.

Embora a unidade se encontrasse em São Joaquim, a primeira vinícola a implantar vinhedos de variedades viníferas no planalto catarinense foi a Vinícola Panceri em 1994 na cidade de Tangará (região de Caçador), seguida pela Quinta da Neve (região de São Joaquim) em 1999.

A partir do século XXI a produção de vinhos finos de altitude continuou em expansão, tendo empresários motivados pelas características geoclimáticas e também pela possibilidade de empregar sofisticadas técnicas enológicas, utilizando modernas instalações produtivas, como ocorreu nos primeiros investimentos.

Em 2001 são implantados os vinhedos da Vinícola Villa Francioni e da Vinícola Suzin, ambas em São Joaquim

Em 2002 são implantados os vinhedos da Vinícola Pericó (São Joaquim) e da Vinícola Villagio Grando (Agua Doce, região de Caçador).

Em 2004 são implantados os vinhedos da Vinícola Quinta Santa Maria (São Joaquim), Vinícola Santo Emilio (Urupema, região de São Joaquim) e Vinícola Serra do Sol (Urubici, região de São Joaquim).

Em 2005 são implantados os vinhedos da Vinícola Villagio Bassetti (São Joaquim)

Em 2005 é criada a Associação Catarinense de Produtores de Vinhos Finos de Altitude (ACAVITIS) composta de 3 regiões produtoras: Campos Novos (abrangendo os municípios de Campos Novos e Monte Carlo), Caçador (Caçador, Água Doce, Salto Veloso, Treze Tílias, Videira e Tangará) e São Joaquim (São Joaquim, Urupema, Urubici, Bom Retiro, Painel e Campo Belo do Sul).

Em 2008 a chegada à estação experimental de São Joaquim do agro meteorologista e enólogo João Felippeto, encarregado de uma série de pesquisas para tipificar os vinhos de altitude.

Em 2010, a chegada à estação experimental de São Joaquim do agrônomo Geraldo Deffune, cuja principal missão é difundir práticas biodinâmicas entre os agricultores locais.

“Os fungicidas interferem na cinética de fermentação das leveduras nativas”, diz Deffune, salientando que o mundo agrícola caminha “irreversivelmente” para práticas agrícolas limpas. Um de seus experimentos é o cultivo de centeio sob os parreirais. O objetivo é restaurar o equilíbrio dos solos, alimentar animais de pequeno porte no inverno e gerar um acréscimo de renda para os pequenos produtores.

Até 2013, 590 vinhedos tinham sido implantados, totalizando uma área de 332,35 hectares distribuídos em 53 propriedades e conseguem a obtenção, junto ao INPI, do registro da marca coletiva para os vinhos finos de altitude de Santa Catarina.

Em 2015 tem a criação da associação “Vinho de Altitude – Produtores & Associados”, que substitui a Acavitis; e a demanda dos produtores para a estruturação de uma indicação geográfica para os vinhos da região.

https://www.vinhodealtitude.com.br/

Em 2017 te início do projeto de estruturação da Indicação de Procedência para os vinhos finos de altitude de Santa Catarina, sob a coordenação da Epagri, com a participação da Embrapa Uva e Vinho, Sebrae e Vinho de Altitude – Produtores e Associados.

A coragem e o empreendedorismo dos produtores, o incansável trabalho da pesquisa científica e assistência técnica, o profissionalismo dos enólogos, clima e solo conspirando a favor fizeram da região do Planalto Catarinense o segundo maior polo de vinhos de qualidade do Brasil.

E junto com o vinho veio o turismo, hoje a Serra Catarinense é um destino disputado e cheio de opções para quem aprecia a bebida.

Belas paisagens, clima agradável, a neve no inverno, boa gastronomia e gente acolhedora; nas quatro estações do ano, os vinhedos se transformam e brindam o visitante com diferentes espetáculos de luzes, cores, aromas e sabores.

O cenário é um convite para degustar o que existe de melhor neste fascinante mundo dos vinhos.

A Estruturação da IG Região do Planalto Catarinense:

O conjunto de trabalhos desenvolvidos pela então Acavitis para a marca coletiva dos vinhos de altitude de Santa Catarina, numa parceria da Embrapa Uva e Vinho, Epagri, UFSC e Sebrae, geraram importantes avanços que culminaram com a demanda dos produtores para a estruturação de uma indicação geográfica para os vinhos finos produzidos na região.

Atualmente as ações em desenvolvimento buscam não só fortalecer a marca coletiva para os vinhos de altitude de Santa Catariana, como também estruturar a primeira Indicação de Procedência para os vinhos finos tranquilos e espumantes de altitude do Estado. 

As ações são coordenadas pela Epagri, em parceria com a Embrapa Uva e Vinho, tendo o Sebrae como parceiro das ações, em articulação com a associação de produtores, representados pela “Vinho de Altitude – Produtores & Associados”. Também cooperam instituições como a UFSC, UDESC, UFRGS e UCS.

Vinhos de Altitudes do Planalto Catarinense.

A região dos vinhos de altitude do planalto catarinense abrange 30 (trinta) municípios, com área total de 21.149,383 km², representando 22,09% do território catarinense.

Situa-se em duas macrorregiões, a Serra Catarinense e o Vale do Contestado, com altitudes de 900 a 1.400 metros sobre o nível do mar.

Dentro da Região do Planalto Catarinense vamos ter 03 microrregiões, abrangendo 14 municípios:

– São Joaquim, abrangendo os municípios de São Joaquim, Urupema, Urubici, Bom Retiro, Painel e Campo Belo do Sul.

– Campos Novos, abrangendo os municípios de Campos Novos e Monte Carlo

– Caçador, abrangendo os municípios de Caçador, Agua Doce, Salto Veloso, Treze Tílias, Videira e Tangará.

Algumas considerações para a diferenciação das condições geoclimáticas para a viticultura no planalto catarinense, observando que a elevação sozinha não aporta as características necessárias para uma boa região viticultura, aonde outros fatores também são relevantes, tais como latitude, relevo, distância da costa e outros fatores da topografia e clima local.

– Clima temperado (estações do ano bem definidas com verões quentes e invernos frios) e úmido (em média 1600 mm/ano)

– Altitude, na zona produtiva mais alta do país, entre 900 e 1.400 metros acima do nível do mar; sendo que a cada 100 metros acima do nível do mar, o ar perde 1% de seu carbono, o que representa dizer que no Planalto Catarinense há em média 10% a menos desse elemento na sua atmosfera, resultando num processo vegetativo mais lento.

Elevada intensidade da luz e exposição de raios UV e diminuição de componentes atmosféricos como oxigênio e dióxido de carbono, que podem proporcionar uma elevação dos taninos, porem com estrutura mais polarizada/aveludada, dependendo da variedade de uva implantada/adaptada.

A pressão atmosférica menor e a maior proximidade do sol têm ação sobre a evaporação nas folhas, que eliminam mais água do que o normal, concentrando os nutrientes que vêm do solo e formando a seiva rica de alimentação das bagas de uva.

– Boa amplitude térmica (diferença de temperatura entre o dia e a noite).

“Durante o dia, a planta produz, via fotossíntese, carboidratos que são levados para os órgãos de reserva, como as bagas. Durante toda a noite, a respiração ocorre sem fotossíntese, consumindo alguns dos carboidratos e outros compostos orgânicos. Quanto menor a temperatura noturna e, portanto, quanto maior a amplitude térmica, menor a quantidade desses componentes consumidos durante a respiração, resultando em maior intensidade da expressão da uva devido a uma maior riqueza na baga desses componentes, que afetam a cor, o aroma e estrutura do palato. ”- Manuel Louzada

– Temperatura mais fria; a temperatura média anual varia entre 12ºC e 18ºC, porém destaca que tanto a amplitude térmica quanto as horas anuais de sol são consideradas suficientes para completar o ciclo de todas as variedades.

A temperatura baixa durante a noite faz com que a respiração das folhas seja menor, economizando carbono, fazendo com que o ciclo vegetativo seja mais longo, o que faz com que a colheita das variedades precoces (aquelas que tendem a amadurecer mais cedo, como a Chardonnay por exemplo) ocorra a partir da segunda quinzena de março e a colheita das variedades tardias (aquelas que demoram mais para amadurecer, como a Cabernet Sauvignon) estenda-se pelo mês de abril, coincidindo com períodos de menor precipitação pluviométrica.

– Solos- os solos da Região do Planalto Catarinense são originários da formação da Serra Geral, e sua formação é constituída por uma sequência espessa de rochas basálticas predominantemente básicas, formadas a partir de derramamento de lava vulcânica e que contém termos ácidos, mais abundantes na porção superior.

Entre cada derramamento de lavas ácidas e básicas ocorreu a deposição de uma camada de areia, originárias das dunas do deserto Botucatu.

Essa formação geológica particular (basalto combinado com arenito) atribuiria às rochas uma fragilidade característica da disposição em camadas, resultando na conformação em patamares dos morros, mostrando-se favoráveis ao desenvolvimento da viticultura.

Nessas condições encontra-se os melhores solos, com a disponibilidade de nutrientes equilibrada, principalmente os micronutrientes essenciais a videira que foram dispostos pelo processo dos derrames basáltico.

Dentro destas características, há diferenciação de solos, com porções acidas e básicas; aonde em terrenos com solos ácidos (Solos Litólicos Distróficos e Cambissolo Álico) há uma dificuldade de calagem para neutralizar o alumínio trocável (Al3+), principalmente se os mesmos estão em profundidade maiores, e que podem prejudicar o desenvolvimento das videiras, quando ao longo dos anos suas raízes atingem maior profundidade; exatamente na época em que se espera que tivessem a melhor qualidade de seus frutos, obrigando a necessidade de reconversão do vinhedo.

– Escolha de porta-enxertos- tendo em vista o exposto acima, a escolha de um porta-enxertos adequado ao terreno é fundamental, visto que uma orientação radicular mais horizontal que vertical pode atenuar o problema da calagem em solos ácidos profundos.

Nota- estas considerações em destaques acima são minhas (Luiz Otávio), aonde não possuo qualificação técnica e as mesmas não estão embasadas em estudos técnicos, e nem sei se tem estudos a respeito do tema; se encontrar algo que fundamente ou corrija estas informações, prontamente modificarei o texto.

– Escolha das variedades- devido aos fatores mencionados acima, a escolha das variedades de uva vinífera que melhor se adaptem a região e também os seus respectivos porta-enxertos.

– Local e condução das videiras- Além da exposição solar, outros fatores que amenizam a alta pluviosidade da região estão o relevo do terreno e sua exposição, para que possam proporcionar uma boa drenagem, eliminando o excesso de umidade, mas também permitindo uma boa circulação das correntes de ar, que ao secar as folhas das videiras diminuem a oferta de agua e também a diminuição de proliferação de doenças fungicas.

– Elevado do risco de geadas e outras intempéries como granizo, chuvas e ventos fortes; que aporta um custo a mais de proteção e conservação dos vinhedos.

Aguardar que a IP Região do Planalto Catarinense seja aprovada e venha a se constituir da segunda IP do estado de Santa Catarina para vinhos.

Obs- a primeira foi a IP Vales da Uva Goethe, sendo exclusivamente com uvas da variedade Goethe (originalmente designada como “Roger’s 01”, a Goethe foi obtida nos EUA no século XIX a partir do cruzamento entre as variedades Moscato de Hamburgo/vinifera e Carter/labrusca) e seus clones, como Goethe Primo (mutação da Goethe ocorrida em Urussanga na década de 1950).

Como é uma variedade hibrida, não entrou no estudo das variedades viníferas finas que estou fazendo.

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