Paraná

O estado do Paraná possui uma área de 3.946 hectares de vinhedos e produção de 57.036 toneladas de uvas, que corresponde a 3,58% da produção nacional, e também se caracteriza por uma alta dispersão de municípios produtores de uva (2018- PAM IBGE).

Em 2019 teve uma diminuição (ou diferença de dados) e são 3.666 hectares de área plantada, sendo 2.049 hectares com uva de mesa (consumo in-natura), 1.584,9 hectares com uva rústica (americanas e hibridas), para fabricação de sucos e vinhos e 32,1 hectares com variedades finas viníferas para a produção de vinhos finos e espumantes.

Região Metropolitana de Curitiba

A Região Metropolitana de Curitiba tem na sua população uma origem étnica diversa, formada em parte por imigrantes europeus chegados na segunda metade do século XIX em diante: italianos, ucranianos, alemães e poloneses entre outros; e com sua cultura e religiosidade, trouxeram consigo a tradição da videira e do vinho.

A região, entre os anos 1930 e 1960 foi tomada por parreiras de uvas americanas que compunham a paisagem, tendo inclusive o brasão municipal de Curitiba contém um ramo de uvas em seu desenho.

Nos anos 1970 houve um declínio do cultivo de antigos parreirais devido ao surgimento de pragas e doenças.

A retomada ocorreria somente algumas décadas mais tarde, de maneira mais pontual, com uso de novas tecnologias de viticultura, como o uso de porta enxertos resistentes a doenças. De 1998 para cá, os produtores começaram a plantar uvas num microclima considerado desafiador para o cultivo de uvas viníferas, aonde o excesso de umidade e chuva somado aos frequentes dias nublados pode não ser considerado o ideal para viticultura, mas tem sido aos poucos superado.

A escolha de trabalhar com uvas de outras regiões paranaenses e de outros estados do sul do Brasil apresenta-se como uma alternativa viável, e apesar dos projetos serem todos novos, os resultados são surpreendentes.

Vinícolas da região que não possuem vinhedos próprios de variedades viníferas finas no estado do Paraná:

– Vinícola Cave Colinas de Pedra

– Vinícola Família Fardo

– Vinícola Famiglia Zanlorenzi

– Vinícola Franco Italiano

– Vinhos Santa Felicidade

Serra da Esperança- Bituruna

Localizada na região sul do terceiro planalto paranaense, a cerca de 900 metros de altitude, possui uma trajetória quase centenária dedicada a vitivinicultura. Descendentes de italianos, se instalaram no município a partir de 1930 e trouxeram consigo mudas de videiras do sul do Brasil.

Atualmente são cerca de 117 hectares de uvas de mesa e finas (IBGE 2018), destinadas ao consumo in natura e à elaboração de vinhos e derivados.

Com destaque para a uva aromática Casca Dura (Goethe), resistente, produtiva e bem adaptada ao solo e clima da região, conferindo vinhos brancos autênticos, frutados e intensos, que atualmente passam pelo processo de reconhecimento de indicação geográfica: Vinhos de Bituruna.

O município celebra desde os anos 1970 sua Festa da Uva e a partir dos anos 2000 criou a Festa do Vinho com o objetivo de celebrar a vitivinicultura como um traço da identidade regional e fomentar a produção e o consumo de uvas, sucos e vinhos.

Em 2020 Bituruna recebeu em o título de Capital Paranaense do Vinho, concedido pela assembleia legislativa do estado.

Bituruna, capital paranaense do vinho, busca a Indicação Geográfica (IG) (agrolink.com.br)

Norte Paranaense

Maior região produtora de uvas do estado do Paraná, corresponde a mais de 40% da produção do estado.

Embora uma boa parte dos vinhedos do norte paranaense sejam de variedades viníferas (Itália, Brasil, Benitaka, Rubi), tendo só na cidade de Marialva mais de 570 hectares de vinhedos (junto com as variedades hibridas Nubia e Vitória), elas não são apropriadas para a elaboração de vinhos finos.

Vinhos Finos do Paraná.

Pelo que pude apurar (ligando para as vinícolas, pesquisa na internet ou mesmo visitando vinícolas, como a Dezem e Araucária), no estado do Paraná há somente 32,1 hectares de vinhedos de variedades finas de uvas, que são propicias à elaboração de vinhos finos.

A produção de vinhos finos deve girar em torno de 150.000 litros, parte de vinhos tranquilos e parte de espumantes.

Regiões de vinhos finos do Paraná:

Região Metropolitana de Curitiba- 8 hectares de variedades viníferas finas

– Vinícola Araucária (São José dos Pinhais) – 3 hectares

A propriedade está situada a cerca de 980 metros de altitude, possui clima temperado húmido e solo argilo-calcário.

A implantação do vinhedo foi feita em 2007, projeto pioneiro no município, e predominam as uvas Cabernet Franc (a melhor adaptada ao terroir) e Chardonnay; além de Cabernet Sauvignon, Pinot Noir, e Viognier.

– Vinícola Legado (Campo Largo) – 5 hectares

Localizada em Bateias, zona rural de Campo Largo, possui cerca de 10 hectares de vinhedos em solo argilo-calcário, a 1040 metros de altitude nos pés da Serra de São Luiz do Purunã.

O projeto inicia em 1998, com a plantação de duzentas mudas de Cabernet Sauvignon em caráter experimental.

Em 2006, após um estudo técnico que sinaliza o potencial do terroir para viticultura, o vinhedo é ampliado com outras variedades de origem europeia, lideradas pela branca Viognier e a tinta Merlot; Pinot Noir e Fiano (única no Brasil) completam o vinhedo plantado em espaldeira. Todo o trabalho é desenvolvido dentro do conceito de terroir, visando refletir nos seus vinhos, com fidelidade e autenticidade as características locais.

A amplitude térmica durante a época de maturação tem sido um dos principais aliados da uva, produzindo frutos com bom equilíbrio entre açúcar e acidez.

Hoje a Vinícola planta 5 hectares com cinco variedades viníferas – Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Fiano di Avelino e Viognier e produz cerca de 12 mil garrafas/ano, sendo 100% da produção feita com as uvas de seus vinhedos.

A vinícola conta ainda com um parreiral de uvas de mesa Bordô, de manejo sustentável e perfeitamente adaptadas ao microclima e um vinhedo experimental com mudas de Alvarinho, Pinot Meunier, Chardonnay e Lunganese.

O manejo do parreiral é minucioso: são feitas podas manuais em técnicas específicas para cada variedade, faz-se seleção de cachos para homogeneização da qualidade de cachos e redução de produtividade, podas verdes para controlar o vigor e otimizar a exposição solar, utilizam-se telas de proteção de cachos no período de maturação, garantindo a qualidade da uva e diminuindo a necessidade de tratamentos químicos e colheita manual seletiva de acordo com a maturidade de cada cacho.

Serra da Esperança- 10 hectares de variedades viníferas finas

– Vinícola Bertoletti (Bituruna)- 5 hectares?

– Vinícola Casa Sanber (Bituruna)- 3 hectares, confirmado ligando para a Michele Bertoletti

– Vinícola Di Sandi (Bituruna)- 2 hectares?

Sudoeste Paranaense- 9,6 hectares de variedades viníferas finas

– Vinícola RH (Mariópolis) – 9,6 hectares

A vinícola possui uma área de 9,6 hectares, dos quais estão plantados em sua maioria mudas de uva branca Chardonnay de clones francês e italiano, e mudas da uva francesa Pinot Noir.

O vinhedo está sob condução em espaldeira, pois possibilita melhor ventilação entre as plantas e melhor exposição ao sol, utilizando-se de postes de plástico reciclado.

– Vinícola São Francisco de Sales- não tem vinhedos

Oeste Paraense- 4,5 hectares de variedades viníferas finas

– Vinícola Dezem (Toledo)

São 4,5 hectares de plantações, onde são cultivadas uvas viníferas europeias, dentre elas, a Chardonnay, Sauvignon Blanc, Malvasia de Cândia, Merlot, Cabernet, entre outras.

Estive visitando a vinícola em 2016 e os vinhedos estavam bem decadentes e cheios de doenças; não sei se tiveram uma recuperação.

Norte Paranaense- Sem vinhedos de variedades viníferas para vinhos finos.

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