Por Cornelis Van Leeuwen e Jean-Philippe Roby
Depois da invasão filoxera, no final do século XIX, as vinhas são plantadas sobre porta-enxertos, selecionados ou criados por hibridação, a partir de espécies de vinhas americanas.
Trinta porta-enxertos são autorizados na França atualmente, donde uns 20 são significativamente utilizados.
Além de oferecer uma tolerância ao ataque da filoxera, o porta-enxerto permite a adaptação do material vegetal ao tipo de solo.
Sua escolha é feita em função do teor de calcário ativo, do Ph e do regime hídrico induzido.
Cada porta-enxerto é caracterizado pelo maior ou menor vigor conferido ao enxerto.
Escolhendo um porta-enxerto onde o vigor conferido é inversamente proporcional a riqueza e profundidade do solo, pode se obter vinhas de vigor equilibrado em diversas situações.
Estas condições é um pré-requisito a produção de uvas, onde sua constituição permite elaborar vinhos originais e de grande complexidade organoléptico e com forte potencial enológico.
História
Até 1860 todas as vinhas plantadas no mundo eram em “Pé Franco”.
A propagação as vinhas eram feitas por meio de bouturage (estacas), marcottage (enterrar um galho) ou provignage (enterrar uma vinha).
Com o aumento de trocas de material vegetal durante o século XIX, os botânicos acabaram introduzindo um pulgão chamado piloxera, originário da América, aonde era até então endêmico.
A filoxera devastou os vinhedos europeus a partir de 1863, quase interrompendo para sempre a produção de vinhos finos.
Os cientistas compreenderam rapidamente que as espécies de vinhas americanas eram tolerantes à filoxera, elas não morriam em solos infestados.
Num primeiro momento, os viticultores tentaram produzir vinhos faz uvas americanas (Vitis labrusca) ou com vinhas criadas por hibridação de vinhas americanas e europeias (híbridos de produção direta).
Os híbridos tiveram sucesso graça a sua robustez (resistência a geada e a numerosas doenças), mas os vinhos produzidos eram infelizmente de qualidade inferior.
A riqueza das paredes das cascas das uvas em pectinas, liberava por hidrolise, quantidades importantes de metanol nos vinhos, o que constituía um perigo a saúde pública.
Devemos à Laliman, a ideia genial de combinar as propriedades das variedades americanas (tolerância a filoxera) com as propriedades das variedades europeias (qualidade dos vinhos), por enxertagem, isto a partir de 1869.
Este princípio revolucionou a viticultura mundial e perpetuou a produção de vinhos de qualidade a partir de Vitis vinífera e permitiu dissociar a escolha da casta (em função do tipo de vinho pretendido) da escolha do sistema radicular (em função das propriedades do solo); vendo surgir uma nova profissão, o viveirista, favorecendo a intercambio de materiais vegetais.
Num primeiro momento, as seleções de variedades de origem americanas (Rupestris du Lot e Ripária Gloire de Montpellier) são utilizadas como porta-enxerto.
Em seguida, a partir do fim do século XIX e o começo do século XX, os cientistas e viveiristas, vão criando, por hibridação, a maioria dos porta-enxertos disponíveis hoje.
É surpreendente que apenas dois dos trinta porta-enxertos homologados na França tenham sidos obtidos recentemente.
Recentemente o Instituto de Pesquisa Agronômica de Bordeaux retomou as investigações sobre os porta-enxertos, com vista a obtenção de novas variedades.
Critérios da escolha de um porta-enxerto.
Os genitores dos porta-enxertos.
Os primeiro porta-enxertos utilizados foram seleções de Vitis riparia e de Vitis rupestres.
Outros porta-enxertos foram obtidos por hibridação destas duas variedades, como as hibridações de Vitis riparia com Vitis berlandieri e de Vitis rupestres com Vitis berlandieri.
Um número limitado de porta-enxertos é obtido de cruzamentos complexos de Vitis vinífera, Vitis lambrusca ou Vitis cordifolia.
Um conhecimento do comportamento dos genitores (a respeito do meio ambiente, vigor conferido e a seu ciclo) pode ajudar a compreender o comportamento de seus descentes.
Resistencia a Filoxera.
A primeira qualidade de um porta-enxerto é sua tolerância à Filoxera.
A recente invasão da Filoxera na Califórnia lembrou que este ponto não deve ser negligenciado; nesta vinha o porta-enxerto “ A.X.R” foi largamente plantado. Este porta-enxerto vem do cruzamento da Aramon X Vitis rupestres e possui então um pai da espécie Vitis vinífera; sua tolerância insuficiente à Filoxera o colocou numa situação de fracasso.
Os viticultores californianos tiveram de replantar uma grande parte de seus vinhedos, após haver tido perdas qualitativas e quantitativas muito importante.
Os trinta porte-enxertos homologados pela França apresentam à priori uma tolerância suficiente face à Filoxera, com uma certa reserva para os porta-enxertos 196-17 CI, o Fercal, o 333EM e o 41B, que possuem todos um pai da espécie Vitis vinífera.
O G1 (Solonis X Riparia) X Rupestris du Lot possui igualmente uma tolerância limitada ao Filoxera, assim como o Vialla (Riparia X Lambrusca).
Adaptação ao Solo.
As espécies que deram origem aos porta-enxertos por hibridação são originárias de biótipos diferentes. Por consequência, elas apresentam adaptações as diferentes condições de solo (teor de calcário, seca ou humidade), que são transmitidas a seus descendentes.
Para evitar situações de fracasso, é conveniente então escolher os porta-enxertos adaptados ao tipo de solo.
Teor de Calcário.
Numerosos solos de qualidade apropriada para a viticultura são de formação calcárias.
Os solos contendo calcário ativo são muito conveniente a Vitis vinífera e Vitis berlandieri, mas menos adequados a Vitis riparia e Vitis rupestres.
De fato, numerosos casos de clorose clacária apareceram depois da introdução de porta-enxertos ao final do século XIX; este é um problema de assimilação de ferro em solos com níveis elevados de calcário ativo.
Os sintomas são um amarelecimento das folhagens, que em casos extremos, pode se acompanhar de necrose foliar e dificultar a assimilação da clorofila; estes sintomas são agravados por um tempo frio e úmido (clima de costa atlântico).
O comportamento de alguns dos diferentes porta-enxertos em relação ao teor de calcário ativo é bem conhecido.
Inicialmente, baseava-se na porcentagem de calcário ativo. Juste et Pouget propuseram um Índice do Poder Clorante, que também leva em conta a riqueza do solo em ferro livre:
I.P.C= (% Calcário ativo) *104/% Ferro livre
A tabela abaixo indica os valores limites de calcário ativo e o IPC que os diferentes porta-enxertos conseguem suportar.
| Porta-enxerto | Valor limite de IPC | % limite de Calcário ativo |
| Vialla; Riparia Glorie deMontpelier;196-17 C1 | 5 | 5 |
| 3309C; 101-14MG; 44-53MG | 10 | 10 |
| Rupestris du Lot | 20 | 14 |
| Gravesac | 25 | – |
| 110 R;99 R;SO4;1103 P | 30 | 17 |
| 5 BB; 420 A | 40 | 20 |
| 161-49 C; RSB 1 | 50 | 25 |
| 41 B;333 EM | 70 | 40 |
| 140 RU | 90 | – |
| Fercal | 120 | – |
É preciso notar que nos solos calcários o teor de calcário ativo aumenta geralmente com a sua profundidade; é então importante verificar o IPC, além dos horizontes normalmente analisados (0-30 e 30-60 cm).
As amostragens mais profundas podem ser obtidas após a abertura de um fosso pedológico.
Acidez do Solo
Nos solos muito ácidos (pH 5,5), a toxidade de metais pesados ( notadamente cobre e alumínio) podem ser a origem da dificuldade de colonização do sub solo pelo sistema radicular da videira.
As correções de pH são muito difíceis de realizar em níveis mais profundos (); em solos muito ácidos o enraizamento das vinhas podem então ser limitadas aos horizontes onde o pH pode ser corrigido e então fica muito superficial.
Este tipo de implantação gera um regime hídrico muito pouco tamponado.
A vinha pode sofrer de excesso de umidade na primavera e de stress hídrico severo no período estival. O INRA criou recentemente um porta-enxerto de qualidade relativamente bem adaptado aos solos ácidos: o Gravesac.
Resistência a seca.
Em função das características de seus genitores, os porta-enxertos toleram mais ou menos bem as condições de seca.
Os riscos de seca devem serem avaliados em função da escolha da casta, das condições climáticas locais (quantidade e regime de precipitações, E.T.P.) e das reservas de agua no solo.
Estas últimas variantes sobretudo com relação a profundeza do solo explorado pelas raízes, os solos superficiais são muito expostos ao risco de seca.
É preciso estar consciente que um porta-enxerto adaptado a seca é um porta-enxerto que se desenvolve em um meio relativamente mais hostil.
Estes porta-enxertos são geralmente rústicos e conferem um vigor muito elevado ao enxerto; é preciso então evitar a utilização de porta-enxertos tolerantes a seca em solos profundos e em climas úmidos.
A tabela abaixo resume a capacidade dos porta-enxertos mais utilizados em relação a suas resistências à seca.
| Muito resistentes | Média resistência | Pouco resistente |
| 140Ru; 110R; 1103P; 1447 P | Rupestris du Lot; 99R; 41B; Fercal; 333EM; Gravesac; SO4; 161-49C; 3309C; RSB 1; 196-17Cl; 44053M; 420A | Riparia Gloire de Montpellier; 101-4 MG; 5BB |
Resistência a umidade.
Quando a umidade do solo intervém na escolha do porta-enxerto, é preciso em primeiro lugar interrogar sobre a vocação para viticultura do terreno a ser plantado.
Os trabalhos de saneamento devem preceder ao plantio.
Além disto, nenhum porta-enxerto está bem adaptado a colonizar solos hidro mórficos.
O 1103 P e o Riparia Gloire de Montellier toleram uma certa umidade, com uma clara vantagem qualitativa para este último.
Resistência ao sal.
A salinidade constitui um problema maior para a viticultura na beira do mar (areias do litoral mediterrâneo) e nas regiões irrigadas sobre clima quente e seco.
Vitis vinífera tolera até 3% de sal, o que explica o recurso de “Pé Franco” em situações extremas (areias do litoral mediterrâneo, vinhedos irrigados sobre clima quente na Austrália).
Contudo, é uma questão, neste caso, de avaliar o risco da Filoxera diante da plantação.
Entre os porta-enxertos, podemos destacar que o 216-3 Cl e o 1616C são os mais tolerantes a salinidade.
La Tilose.
A Tilose é uma doença fisiológica da vinha que afeta em particular o porta-enxerto 161-49C, e embora bem que menos frequentemente, o SO4, o 5BB e o 3309C.
Esta doença tira seu nome das tilas, que são tampões de goma que obstruem os vasos do caule do porta-enxerto impedindo a circulação de seivas e consequente a secagem das folhas (folletage).
A secura das folhas é a manifestação instantânea e reversível de um excesso de transpiração do vegetal comparado a capacidade de absorção de agua.
Ela se manifesta por um murchamento das folhas, geralmente em vinhas jovens.
É preciso então evitar de implantar estes porta-enxertos, notadamente o 161-49C em zonas secas ou onde a evapotranspiração pode se revelar muito importante (perímetro mediterrâneo por exemplo).
Em climas menos quentes (tipo oceânicos) é preciso evitar de implantar o 161-49C em solo úmido, porque este ambiente asfixiante limita paradoxalmente a alimentação de agua do vegetal quando sua transpiração é elevada (má colonização do solo pelas raízes).
O excesso de vigor por exemplo, provocada por uma fertilização excessivamente azotada (nitrogênio) é um fator agravante, porque ele aumenta a superfície de transpiração da folhagem.
Noção de vigor conferido.
A introdução dos porta-enxertos teve um impacto no vigor da vinha.
Geralmente é admitido que a utilização de porta-enxerto aumenta o vigor da vinha em comparação com as vinhas de Vitis vinífera plantadas em “Pé franco”.
O mito dos vinhos pré-filoxera, mantido notadamente pelos nostálgicos enófilos ingleses durante uma boa parte do século XX, alegando que a enxertia provocasse um declínio geral na qualidade dos vinhos.
Se é incontestável que certos porta-enxertos, que conferem um forte vigor ao enxerto, não são os mais propícios a produção de vinhos de qualidade, a realidade é mais complexa.
Historicamente, parece que, em Bordeaux, a introdução dos porta-enxertos despreciou os vinhos produzidos com a uva Cot (Malbec); esta casta teria se tornado excessivamente produtiva, favorecendo o desenvolvimento da Botytris; por outro lado a Merlot se comporta bem quando enxertado e talvez não seja por acaso que ela tenha mais ou menos ocupado o lugar da Cot nos vinhedos bordalês, após a generalização da enxertia.
Além do mais, Delas e al. (1991) mostrou o comportamento medíocre da Merlot em “Pé franco”, dentro de um dos raros estudos publicados, comparando a casta Merlot implantada em diferentes porta-enxertos com a mesma variedade implantada em “Pé franco”.
A introdução dos porta-enxertos foi a ocasião de uma verdadeira revolução na viticultura da Europa; ele modificou profundamente os sistemas de condução e a densidade das plantações.
Uma eventual mudança na qualidade e da tipicidade dos vinhos no início do século XX não é então necessariamente consequência da enxertia.
A utilização dos porta-enxertos abriu uma oportunidade muito interessante aos viticultores: o de atuar no vigor da população vegetal em função das condições oferecidas pelo ambiente.
Uma viticultura de qualidade exige um vigor equilibrado da vinha.
A escolha do porta-enxerto em função do vigor que ele confere ao enxerto permite alcançar este objetivo dentro de solos muito variados; essa utilização do porta-enxerto, como uma verdadeira ferramenta de gestão técnica razoável é ainda insuficientemente implementada nos dias de hoje.
Muitas vezes a escolha do porta-enxerto é visto como uma restrição (evitar incompatibilidade de solos) em vez de um trunfo (permitir limitar o vigor da vinha para obter uma uva de forte potencial enológico).
A utilização de porta-enxerto bastante fraco pode melhorar o potencial qualitativo, mas necessita aceitação de um risco mínimo, que é na maioria das vezes largamente recompensado.
O potencial qualitativo da colheita é intimamente ligado a uma expressão moderada do vigor; o qual depende do porta-enxerto, mas igualmente do meio ambiente e notadamente do regime pluviométrico e das reservas hídricas do solo.
O quadro abaixo mostra a relação dos porta-enxertos em função do vigor conferido ao enxerto:
| 1(pouco vigor) | 2 | 3(médio vigor) | 4 | 5(muito vigor) |
| Riparia Gloire de Montpellier | 101-14MG; 44-53M; 3309C. 420A; 161-49C | Gravesac; 41B; Fercal | SO4; 110R | 196-17Cl; 1103P; 5BB; 140 Ru; 99R |
Todos os porta-enxertos das classes de vigor 1 e 2 são a priori qualitativos; é imperativo de se utilizar estes porta-enxertos em situações onde o regime hídrico é pouco ou não limitante.
Os porta-enxertos obtidos recentemente pelo INRA de Bordeaux (Fercal e Gravesac) são igualmente qualitativos, apesar dos eu vigor conferido ser medianamente elevado.
Nos meios hostis (solo seco, teor de calcário ativo elevado), bons resultados podem ser obtidos com porta-enxertos que induzem um vigor moderado a forte (por exemplo Fercal em solos muito calcários ou o 110R em solos fracos de reserva hídricas).
A mior parte dos porta-enxertos são obtidos por hibridação entre dois ou mais genitores; conhecer o cruzamento dos quais forma originados, assim como as principais características de seus pais, permite facilitar a memorização das propriedades dos porta-enxertos.
Os genitores.
Vitis riparia:
Possui um sistema radicular trançante.
Ele induz um fraco vigor ao enxerto, o que encurta o ciclo e avança a maturação.
Sua tolerância ao calcário ativo é muito fraca; ele resiste pouco a seca, mas tolera relativamente bem a umidade.
Vitis rupestres:
Possui um sistema radicular profundo.
Ele induz um forte vigor ao enxerto, prolongando o ciclo e retardando a maturação.
Ele apresenta uma tolerância média ao calcário ativo.
Vitis berlandieri:
Possui um sistema radicular profundo.
Ele induz um forte vigor ao enxerto, prolongando o ciclo e retardando a maturação.
É utilizado como genitor por suas qualidades de resistência a seca e ao calcário ativo do solo.
Vitis vinífera:
É utilizada como genitor dos porta-enxertos por sua forte tolerância ao calcário ativo.
Os híbridos de Vitis vinífera podem apresentar uma tolerância insuficiente ao Filoxera (como é o caso do A.X.R.)
Os porta-enxertos de seleção de vinhas americanas:
Riparia Gloire de Montpellier (Vitis riparia Michaux):
Confere um vigor muito fraco ao enxerto.
Confere uma maturidade precoce, com exceção de situações muito secas, onde pode bloquear a maturação.
É muito sensível a Clorose; tolera uma umidade importante.
O preparo do solo é recomendado para evitar a instalação do seu sistema radicular no horizonte superficial.
Este é um porta-enxerto qualitativo dos solos adequadamente nutridos de agua; ele tem uma boa afinidade com a Merlot.
Os porta-enxertos do cruzamento de Vitis riparia e Vitis rupestres:
101-14 MG
É um porta-enxerto mais próximo da Riparia que de Rupestris; sendo assim ele é pouco rigoroso e fornece uma maturação precoce ao enxerto.
Ele é largamente utilizado nos vinhedos de qualidade, entretanto é sensível a clorose e a seca, o que limita sua implantação.
Ele tem uma boa afinidade com a Cabernet Sauvignon.
3309 C
É um porta-enxerto mais próximo do Rupestris.
Ele confere um vigor moderado, mas superior que o 101-14 MG.
Ele teme a seca e excesso de umidade, e resiste pouco a clorose.
Ele tem uma boa afinidade com a Merlot.
Ele é sensível a Tilose em solos Boulbènes (solos de origem aluviais, composto de seixos, areia e uma base argilosa, caracterizado por baixa permeabilidade, encontrado sobretudo na região do vale do Garonne), especialmente com a Cabernet Sauvignon.
Os porta-enxertos do cruzamento de Vitis riparia e Vitis berlandieri:
161-49 C
É um porta-enxerto qualitativo, o menos vigoroso destes cruzamento Riparia X Berlandieri.
Ele tem o inconveniente de ser sensível a Tilose, particularmente em solos úmidos com uma nutrição de Nitrogênio excessivo; este problema no entanto, pode ser gerido na maioria das situações.
Ele é muito utilizado na Bourgogne e é muito adequado para solos argilosos e argilo-calcário de Bordeaux, principalmente associado a Merlot.
420 A
É um porta-enxerto qualitativo que confere um vigor moderado ao enxerto.
Ele tolera bem a seca estival; ele retarda a maturação.
Ele é reservado para as castas precoces sobre solos drenantes.
SO4
Este é um porta-enxerto largamente difundido.
Ele resiste bem a Clorose e é tolerante para com a seca e umidade.
Ele é muito vigoroso em solos profundos e retarda a maturação.
Muitas vezes proporciona altos rendimentos e uma colheita de baixa qualidade, o que melhora conforme as plantas vão envelhecendo.
Seu caule fino torna-o frágil durante os trabalhos de aração do solo (décavaillonage).
5 BB
Este porta-enxerto apresenta as mesmas falhas do SO4, sendo ainda mais vigoroso.
Ele resiste bem a umidade da primavera, mas teme a seca.
Os porta-enxertos do cruzamento de Vitis rupestres e Vitis berlandieri:
110 R
Este porta-enxerto é o mais qualitativo dos cruzamentos Rupestris X Berlandieri, e é largamente difundido nas vinhas do perímetro mediterrâneo.
Ele resiste bem a Clorose e a seca.
Ele retarda a maturação e é conveniente principalmente em situações quente e seca, para a obtenção de produtos de qualidade.
99 R
Este é um porta-enxerto mais produtivo que o 110 R, o que o penaliza para obtenção de vinhos de qualidade; ele também é mais resistente a seca.
140 Ru
Este é o porta-enxerto mais rustico e certamente o mais vigoroso dos porta-enxertos.
Neste ponto, ele é capaz de ser implantado em todos os lugares (incluindo situações muito clorosantes), mas dando frequentemente um produto de fraca qualidade.
Parece reservado para zonas calcárias muito secas, beneficiadas por temperaturas muito elevadas durante o ciclo vegetativo.
1103 P (Paulsen)
É o porta-enxerto mais vigoroso para obter um produto de qualidade.
Ele resiste bem a umidade e a seca.
Seu uso é reduzido em vinhas grandes, em solos argilosos compactos, onde seu sistema radicular não se desenvolve muito profundamente.
Os porta-enxertos de cruzamento Vitis berlandieri e Vitis vinífera:
41B
Este é um porta-enxerto que pode ser sensível a filoxera.
Ele é muito resistente a Clorose, mas sensível a umidade.
Ele confere um vigor mediano e uma fertilidade importante; ele retarda a maturação.
Fercal
Este porta-enxerto é o mais resistente a clorose entre todos os porta-enxertos.
Ele também resiste bem a seca, como também a umidade.
Seu vigor conferido é superior ao do 41 B, mas ele produz vinhos com um potencial de qualidade mais elevado.
Dentro de condições excessivamente secas em solos calcários superficiais, vamos preferir o 140 Ru.
Os porta-enxertos com cruzamentos com mais de dois genitores:
Gravesac
Este é um porta-enxerto recente, que como seu nome indica é adaptado aos solos de graves (pedregosos), ácidos (é muito tolerante a solos ácidos).
Ele se mostra suficientemente tolerante a umidade, mas confere um vigor elevado, como também um rendimento significativo em solos bem suprido de agua.
44-53 M
Este é um porta-enxerto de vigor moderado, pouco fértil e suficientemente tolerante a seca.
Ele é interessante para a obtenção de um produto de qualidade, mas raramente utilizado, isto porque ele é muito sensível a carência de magnésio, principalmente em condições de umidade na primavera; e ele é pouco resistente a clorose.
Conclusão
A escolha do porta-enxerto é um elemento determinante para uma implantação bem sucedida.
Ele deve ser escolhido em adequação com o tipo de solo (calcário ativo, acidez, umidade ou seca).
Para obter um vigor equilibrado a fraco, elemento indispensável para a obtenção de vinhos de qualidade, onde o vigor conferido é inversamente proporcional a fertilidade do solo (hídrico e mineral).
A paleta de porta-enxertos é grande, com uns 30 indivíduos representados, mas os porta-enxertos que conferem um vigor fraco, aptos a obtenção de produtos de qualidades, são menos numerosos.
Eles são especialmente sensíveis a seca e também a clorose; esta sensibilidade limita consideravelmente sua utilização.
A escolha dos viticultores acaba ficando frequentemente em torno de porta-enxertos menos qualitativos.
É desejável obter, dentro dos próximos anos, de porta-enxertos tolerantes a situações clorosantes e de seca, mas que proporcione um vigor fraco ao enxerto
