Douro

Historia

Nas encostas escarpadas, um rio banhava margens secas e inóspitas. Nele rolavam, noutros tempos, brilhantes pedrinhas que se descobriu serem d´ouro. Daí o nome dado a este rio: Douro. Aqui nasce a vinha e se produz o vinho, desde que os romanos, continuando e ampliando a ação nativa (moldavam os declives em socalcos) aproveitavam as povoações castrejas e dinamizavam o cultivo de cereais e da vinha nos terrenos de xisto, imprestáveis para outras culturas.
Ao longo da história do Vinho do Porto, diversas crises surgiram entre produtores e comerciantes, opostos pela questão do que era o genuíno Vinho do Porto. Em 1756, o Primeiro-ministro Marquês de Pombal interveio, demarcando, no território duriense, os terrenos mais propícios e as quintas mais dotadas para o plantio das castas produtoras do vinho do Douro,  tendo sido esta a primeira Região demarcada do mundo, através do alvará régio de instituição da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, de 10 de Setembro de 1756.

Marco Pombalino


A designação “do Porto” provém da armazenagem e comercialização, a partir do porto existente no estuário do rio Douro, entre a cidade do Porto e Vila Nova de Gaia. O vinho era transportado ao longo do rio, pelos barcos rabelos, até aos armazéns de Vila Nova de Gaia, localização privilegiada pela proximidade do Atlântico e pelas suas reduzidas amplitudes térmicas, favorecendo o longo envelhecimento dos vinhos em cave.

A REGIÃO DEMARCADA DO DOURO

A Região Demarcada do Douro situa-se no nordeste de Portugal, na bacia hidrográfica do Douro e sua área é de 247.420 hectares, sendo que a vinha ocupa 43.608 hectares, sendo que somente 26.000 hectares estão autorizadas a produzir vinhos do Porto.

O rio que lhe deu o nome nasce no alto da Sierra de Urbion, no interior da Espanha e se estende por 640 quilómetros até o seu encontro com o oceano Atlântico, cruzando a Região do Douro de leste a oeste. As vinhas são plantadas nas encostas em declive de 35° a 70° de inclinação, erguendo-se sobre o rio Douro e seus afluentes Corgo,Tavora, Pinhão, Tua, Torto, Côa e Sabor.

 A paisagem vinícola vista do rio é sem dúvida nenhuma uma experiência enoturística inesquecível.

 A serra do Marão, que se eleva a 1500 metros no extremo oeste da região, assinala a mudança dos planaltos saturados pelo ar úmido e frio do Atlântico para um clima mediterrâneo montanhoso, quente e seco.

 Solo


Originando sempre produções muito pequenas, o solo também permite uma maior longevidade da vinha e  uma qualidade muito elevada dos mostos devido à conservação de   umidade, adquirindo as uvas um maior teor de açucares e cor.
A imensidão do xisto duriense é completada na sub-região do Douro Superior com aflorações graníticas e no Baixo Corgo, com alguns solos de aluvião, mais produtivos nesta sub-região.

Cerca de 95% de todo o Vinho do Porto é cultivado neste xisto. Como existe apenas uma camada muito fina de terra argilosa, as vinhas são plantadas partindo a pedra até uma profundidade de um metro, onde as fissuras no xisto permitem que as raízes cheguem até 21 metros em busca de água. O solo é muito ácido, devido a um nível alto de potássio, tem baixo nível de cálcio e magnésio, apresenta excesso de alumínio, o que é tóxico para as raízes.

Quinta do Caedo_Douro (6)

O Terreno irregular, com altitudes, junto ao rio Douro que podem atingir entre os 60 e os 140 m, e noutras zonas atingindo mais de 1000 m e inclinações com mais de 30%, só podem ser preparadas para plantação através do nivelamento de socalcos ou terraços, com ferramentas de ferro pontiagudas ou dinamite e, mais recentemente, bulldozers e tratores.

Essas excepcional adversidade tornam a Região Demarcada do Douro numa das regiões mais caras e difíceis de trabalhar do mundo, mas é nessa mesma adversidade que nasce um grande vinho.

Tipo de vinhas

O papel desempenhado pelo Homem foi fundamental na criação dos socalcos, que são uma característica de toda a região.

Antes da crise filoxérica, praga que surgiu na região pela primeira vez em 1862, as plantações eram feitas em pequenos terraços irregulares (geios), com 1-2 filas de videiras, suportados por paredes de pedra. Os socalcos eram ‘ rasgados ‘ nas encostas, de baixo para cima, as paredes eram construídas com as pedras tiradas do terreno, a sua altura dependia da inclinação da parcela e a movimentação da terra para preparar o solo para a plantação era pequena. A densidade de plantação rondava as 3 000 – 3 500 plantas/ha. Estes pequenos terraços foram posteriormente abandonados e constituem hoje os designados ‘mortórios’.

Após a filoxera, foram feitos novos terraços, mais largos e inclinados, com ou sem paredes de suporte, permitindo maiores densidades de plantação (cerca de 6 000 plantas/ha). Surge também nesta altura a vinha plantada em declives naturais, segundo a inclinação do terreno. Nestes sistemas a mecanização é impossível pois não existem ou são escassas as estradas de acesso às vinhas e a inclinação lateral está associada a uma forte densidade de plantação. Este facto, traduzido pelos custos elevados que implica em termos de mão-de-obra, tem conduzido ao abandono gradual deste tipo de vinhas.

No fim dos anos 60 e início dos anos 70, um novo sistema surgiu na região. Trata-se dos patamares horizontais com taludes em terra, com 1-2 linhas de videiras e com densidades de plantação baixas, na ordem de 3 000 – 3 500 plantas/ha. Dado que necessita de parcelas de grande dimensão para a sua instalação, é um sistema que não está adequado a zonas de minifúndio.

Mais recentemente, e como alternativa aos patamares, aparecem as vinhas plantadas segundo as linhas de maior declive do terreno (‘ Vinha ao Alto ‘). Com uma densidade de plantação semelhante à das vinhas tradicionais, na ordem das 4 500 – 5 000 plantas/ha, este sistema apresenta uma boa adaptação para pequenas parcelas, podendo ser o trabalho mecanizado pela utilização de guinchos ou, até declives na ordem dos 40%, por tracção directa, com tractores de rastos,

O CLIMA


O micro-clima da Região Demarcada do Douro deve-se ao seu natural enquadramento, a norte com a serra do Alvão e a sul com a Serra de Montemuro, formando-se um anel com uma altitude média de 1000 m, que protegem os vinhedos dos ventos úmidos do Atlântico e frios do norte.
A alta qualidade dos vinhos da região está diretamente relacionada com as elevadas temperaturas do ar, moderada precipitação e substancial percentagem de insolação direta no solo, graças à exposição a sul das encostas: as videiras criadas junto à encosta do rio e afluentes sofrem uma incidência de raios solares propícia à boa maturação das uvas; os solos conservam menor umidade que em terrenos planos, adquirindo as uvas uma maior concentração de açucares e de cor.

Sub-regiões do Douro

A Região demarcada do Douro estende-se desde Barqueiros até Barca D Alva, quase na fronteira com Espanha, estando dividida em três sub-regiões naturalmente distintas, não só por fatores climáticos como também sócio – econômicos: a oeste o Baixo Corgo, no centro o Cima Corgo, coração da região demarcada do Douro, e a leste o Douro Superior.

O total das vinhas implantadas na Região demarcada do Douro é de 43.608 hectares, com a produção anual de 1,69 milhões de hectolitros, que corresponde a 26% da totalidade dos vinhos produzidos em Portugal.

Nela temos 02 DOC e 01 IG:

DOC Douro – Vinhos tranquilos e espumantes

Na DOC Douro engloba os vinhos tranquilos e espumantes (desde 2018), sendo que a produção dos vinhos tranquilos estão em ascensão e hoje já correspondem a cerca de 50% dos vinhos produzidos na RDD, sendo que a 10 anos atrás não passavam de 27%.

A produção de vinhos DOC Douro em 2019 foi de 81.510.535 litros, correspondendo a 48,2% da produção total da RDD.

DOC Porto- Vinhos generosos

O “Vinho do Porto” distingue-se dos vinhos comuns pelas suas características particulares: uma enorme diversidade de tipos em que surpreende uma riqueza e intensidade de aromas incomparáveis e uma persistência muito elevada, quer de aromas, quer de sabor, para além de um teor alcoólico elevado (geralmente entre os 19 e os 22% vol.), numa vasta gama de “doçuras” e grande diversidade de cores.

A 10 anos atrás correspondiam a quase 60% dos vinhos produzidos no Douro, e embora a sua produção permaneça mais ou menos estável, a sua participação na totalidade dos vinhos do Douro vem decaindo, devido ao aumento na produção dos vinhos DO Douro.

A produção de vinhos DOC Porto em 2019 foi de 75.249.263 litros, correspondendo a 44,5% da produção total da RDD.

DOC Douro- Moscatel

A produção de vinhos Moscatel em 2009 foi de 4.355.848 litros, correspondendo a 2,6% da produção total da RDD.

IG Duriense- Vinhos tranquilos

Merece também destaque o Vinho Regional Duriense cuja região de produção é coincidente com a Região Demarcada do Douro.

A produção de vinhos IG Duriense em 2019 foi de 896.615 litros, correspondendo a 0,5% da produção total da RDD.

A produção de vinhos de mesa (sem DOC e IG) em 2019 foi de 7.059.230 litros, correspondendo a 4,2% da produção total da RDD.

– Baixo Corgo

– 45.000 hectares de área total, sendo 13.209 hectares ocupados de vinhas.

Produção de 61.314.618 litro de vinhos, correspondendo a 36,3% da RDD.

  • DO Douro- 30.926.279 litros
  • DO Porto- 27.813.281 litros
  • DO Douro Moscatel- 89.330 litros
  • IG Duriense- 151.426 litros
  • Vinho mesa- 2.334.302 litros

O Baixo Corgo é a primeira sub-região a merecer a atenção dos comerciantes e produtores, dada a sua proximidade à cidade de Vila Nova de Gaia através de vias de comunicação e junto de importantes centros urbanos como a Régua, Lamego, Mesão Frio.

Na paisagem verdejante sobressai os baixos declives, solo fundo e fácil de cultivar, com clima mediterrâneo mas ainda com muita influência do atlântico. O Baixo Corgo é uma sub-região de grande produtividade e pluviosidade, originando vinhos menos concentrados e menos complexos.

A região do Baixo Corgo, outrora considerada a melhor região para a produção do vinho do Porto, revela melhores condições para a produção de vinho de mesa. 

Produtores em destaque:

Vinícola Alves de Sousa

Quinta do Mourão

– Cima Corgo

– 95.000 hectares de área total, sendo 20.426 hectares ocupados de vinhas.

Produção de 79.902.484 litros de vinhos, correspondendo a 47,3% da RDD.

  • DO Douro- 34.027.821 litros
  • DO Porto- 36.961.091 litros
  • DO Douro Moscatel- 4.215.384 litros
  • IG Duriense- 663.942 litros
  • Vinho mesa- 4.034.246 litros

Após a primeira demarcação da região em 1756, as mais belas quintas formam uma mancha vinícola única e de elevada qualidade, num raio de 15 a 20 km à volta do Pinhão ” coração do Douro”. A paisagem apresenta-se com elevados declives, solos rijos de difícil mecanização, pressentindo o difícil trabalho no solo xistoso e cascalhento, com clima mediterrâneo seco.

Suas vinhas apresentam baixo rendimento, dando frutos com alta concentração e qualidade, apresentando excelentes condições para a produção de vinhos do Porto.

Produtores em destaque:

Quinta do Crasto

Niepoort

Quinta do Noval

Quinta da Poeira

Jorge Moreira

– Douro Superior

– 110.000 hectares de área total, sendo 9.973 hectares ocupados de vinhas.

Produção de 27.854. 389 litros de vinhos, correspondendo a 16,4% da RDD.

  • DO Douro- 16.556.435 litros
  • DO Porto- 10.474.891 litros
  • DO Douro Moscatel- 51.134 litros
  • IG Duriense- 81.247 litros
  • Vinho de mesa- 690.682 litros

A partir de 1971 a imensa extensão do Douro Superior desperta a curiosidade dos produtores, até então esquecida pela grande distância geográfica em relação à cidade de Vila Nova de Gaia. A paisagem com milhares de hectares de olival apresenta terraços mais homogêneos onde o xisto não é tão rijo de se partir em pequenas pedras, com clima mediterrâneo continental, mais árido, onde em algumas zonas é necessário recorrer a alguma irrigação para obter uma melhor maturação da uva. O Douro Superior é a sub-região mais árida de todas, com maior potencial de desenvolvimento, com custos de produção inferiores devido à sua fácil mecanização.

Está em plena ascensão, quase dobrando a sua produção de vinhos nos últimos 10 anos, isto devido a escalada de seus vinhos DO Douro.

Produtores em destaque:

Quinta do Vale Meão

Quinta de São José

Castas

A Região Demarcada do Douro não se caracteriza por ter castas muito produtivas, quando comparada com outras regiões vinícolas do Mundo. Será de referir que o rendimento máximo permitido por lei é de 55 hl/ha (cerca de 7.500 kg/ha), mas a produtividade média é de cerca de 30 hl/ha (4.100 kg/ha), prevalecendo a qualidade do Vinho do Porto.

As 7 castas tintas principais da Região Demarcada do Douro são: a Tinta Amarela, a Tinta Barroca, a Tinta Roriz, a Tinto Cão, a Touriga Franca, a Touriga Nacional e a Sousão.

Tinta Amarela: Cor intensa, tonalidades vermelhas, aroma floral e de especiarias.Taninos muito nobres, conservando bem a cor e estrutura do vinho, permitindo longo envelhecimento em garrafa ou madeira. Vinhos perfumados, finos, muito equilibrados e estáveis.

Tinta Barroca: Cor de media intensidade, aroma de frutos vermelhos (amora, framboesa e cereja preta), rocha mãe, especiarias, notas herbáceas e lenhosas. taninos discretos, delicados e femininos. Conserva bem a cor e estrutura do vinho ao longo do tempo, podendo afirmar-se que é muito persistente.Vinhos macios, femininos, e longos.

Tinta Roriz: Cor muito intensa, retinto. Aromas de Frutos pretos (amora, cereja preta), compota e especiarias. Acidez baixa, taninos potentes, mas nobres. Boa manutenção de cor e estrutura. Envelhecimento longo em garrafa ou madeira.

Tinto Cão: Cor fraca, tonalidades vermelhas. Aromas florais e notas de especiarias. Taninos fortes e delicados, não se revelando nos primeiros anos.Vinhos elegantes, duradouros e corretos.

Touriga Franca: Cor esplêndida, intensa, tonalidades roxas. Aromas com notas intensas e florais (rosas), frutos silvestres e amora, cereja preta, especiarias, esteva, notas herbáceas e lenhosas

Touriga Nacional: Cor intensa, tonalidades vermelhas. Aromas macios, redondos quentes. Frutos silvestres quase pretos, florais (violeta), esteva, compota e amora. Taninos macios e persistentes, conservando bem a cor e estrutura do vinho. Vinhos concentrados, com muito pedigree.

Sousão: Cor por excelência. Aromas de ligeiros frutos vermelhos. Terroso.Taninos médios, macios. Acidez elevada. Intensa concentração antociânica.

Um site WordPress.com.

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: