Castas espanholas

Vinhos da Espanha.

Por Carlos Delgado no El Pais.

A Espanha é um país de grande tradição vitivinícola, e em certas ocasiões, de notáveis inovações.

Conquistamos os mercados com as nossas variedades de maior prestígio, nomeadamente a gloriosa Tempranillo. Mas os tempos mudam, os gostos evoluem e os mercados do vinho são cada vez mais exigente e competitivo.

Hoje, reestruturado o vinhedo e reconvertido tecnologicamente as bodegas, o maior desafio para um vinho é ter a sua própria personalidade. O caminho para conseguir isto passa por resgatar o Terroir e recuperar castas autóctones até então negligenciadas, mal faladas ou proscritas.

 Este caminho tem sido entendido por alguns produtores com visão e audácia empresarial que se empenharam para a difícil tarefa de recuperação de algumas variedades pouco cotadas, muitas ameaçadas de extinção.

Há exemplos de precaução, tais como Garnacha em La Rioja, usada profusamente, para em seguida, ser menosprezada e agora valorizada novamente. Há exemplos também no Priorat e Montsant, onde a partir de vinhas velhas têm se conseguido vinhos extraordinários.

Algo semelhante aconteceu com Mencia e Monastrell.

A estes casos de sucesso podemos acrescentar o maiorquino Callet, o valenciano Mandó, a tenerifiana Baboso, a galega Caiño, a austuriana Carrasquín, a leonense Prieto Picudo, a salamanca Juan Garcia, enfim uma lista que não para de crescer e já inclui mais de 20 variedades nativas.

Felizmente a grande maioria das DO espanholas acabou aceitando as suas uvas menos expressivas e que podem fazer a diferença para conquistar o consumidor com sua grande personalidade.

Segue abaixo 22 variedades tintas e regiões aonde podem ser encontradas:

  • Baboso Negro/Alfrocheiro Preto
    Variedade das Canárias, com cacho muito compacto, de maturação precoce, que pode gerar alto teor alcoólico. Pode dar origem a grandes vinhos, muito tânico e aveludado, com paladar ligeiramente doce.
  • Exemplares: DO El Hierro
  • Bobal
    Variedade ancestral na área entre La Mancha e Valência, com cacho pequeno e compacto. Dá origem a vinhos muito retintos, alta acidez e baixo teor alcoólico.
  • Exemplares: DO Valencia
  • Brunal
  • Variedade tinta de cacho pequeno e escuro, com película azul escuro, polpa dura, não colorida e com sabor bem peculiar.
  • Exemplares: DO Arribes del Duero
  • Caiño
  • Variedade galega, pouca produtiva e de maturação tardia, resultando em vinhos vermelho rubi, de boa acidez e sabores frutados muito intenso.
  • Normalmente usado em corte com outras uvas para aportar estrutura ao vinho.

Exemplares: DO Rias Baixas

  • Callet/Manto Negro
  • Cepa originária de Mallorca (Felanitx), vigorosa, com cachos bastante compactos, dando origem a vinhos com aroma frutado intenso e particular, concentrado e persistente. Podem também se apresentar com caráter rústico se não bem elaborado.
  • Exemplares: Vino de la Tierra de Baleares
  • Cariñena/Mazuelo/Carignan
  • Variedade oriunda do Campo del Cariñena, se cultiva com excelentes resultados em Priorat e La Rioja.
  • Origina vinhos de coloração intensa, boa acidez e intensos aromas florais e frutados
  • Exemplares: DOCa Priorat
  • Carrasquín
  • Variedade exclusiva da Asturias, com cachos médios e formato esférico, dando uvas vermelhas escuras de pruína azuladas, que quando amadurecem bem e procedem de vinhedos de vinhas velhas, origina vinhos tintos leves e frescos, complexos  e de elegante frutosidade.
  • Exemplares: Vino de la Tierra de Cangas
  • Garnacha Tinta
  • É a variedade tinta mais popular na Espanha, devido ao seu vigor, facilidade de cultivo e boa produtividade. Origina vinhos aromáticos, muito frutados, paladar fresco e agradável, cobrindo uma ampla gama de tipos.
  • Exemplares: DO Campo de Borjas
  • Garnacha Tintorera/Alicante Bouschet
  • Variedade tinta de cultivo ancestral em Alicante. Seus vinhos tem uma cor intensa e importante extrato, são equilibrados, concentrados, frutados e muito saborosos; alcançam um alto teor alcoólico.
  • Exemplares: DO Almansa
  • Graciano
  • Variedade de uvas redondas e de coloração negra que dá origem a vinhos de cor intensa e elevada acidez, de muita personalidade, nervo e potencial de envelhecimento.
  • Exemplares: DOCa Rioja
  • Juan García
  • Variedade de Arribes del Duero. Origina vinhos de teor moderado de álcool (12%), rosados e tintos; tambem usado em cortes para complementar com outras variedades.
  • Exemplares: DO Arribes
  • Listán Negro
  • Variedade das Canárias, muito vigorosa, cachos médio, formato regular e alto potencial de açúcar; muito apropriado para a elaboração de vinhos doces.
  • Exemplares: Tacoronte-Acentejo
  • Maturana Tinta/Trousseau
  • Variedade Riojana praticamente extinta e recuperada por Viña Ijalba. De frutos muito pequeno, produz vinhos bem dotado de cor, álcool, estrutura e acidez.
  • Exemplares: DOCa Rioja
  • Mencia/Jaen
  • Há diversas teoria sobre a sua origem, a mais generalizada é que é uma cepa da Galicia e do norte de León. Origina tintos de cor púrpura, com aromas elegantes, levemente frutado e um bom equilíbrio de álcool e acidez.
  • Exemplares: DO Bierzo
  • Monastrell
  • Uva tinta, largamente difundida pelo litoral Mediterrâneo, que origina tantos vinhos secos, como doces de alto teor alcoólico, como o Fondillón de Alicante.
  • Exemplares: DO Alicante
  • Negramoll
  • Variedades das Canárias, bem adaptada, de cachos e vigor médio, com baixa produtividade. Origina vinhos sedosos, frescos, aromáticos e equilibrados.
  • Exemplares: DO Icoden Daute Isora
  • Prieto Picudo
  • Variedade autóctone de León e parte de Zamora, de cachos compactos e uvas em formato de pinhões e pele negra azulada.
  • Existem dois tipos de uvas: com formato elíptico e esférico, esta ultima dando vinhos de melhor qualidade e complexidade.
  • Exemplares: DO Tierra de León
  • Rufete
  • Variedade assentada principalmente na Serra de Salamanca, com uvas de tamanho médio, pele fina, o que proporciona certa sensibilidade à doenças.
  • Proporciona um tipo de uva muito aromática, com notas de amoras e framboesas.
  • Exemplares: Vino de la Tierra de Castillo Y León
  • Sousón/Souzão/Vinhão
  • Variedade galega, que se cultiva em pequena quantidades. Sua brotação é meio tardio e seu ciclo de maturação lento. Origina vinhos de médio teor alcoólico, acidez elevada e cor vermelho cereja.
  • Exemplares: DO Valdeorras
  • Tempranillo
  • A mais destacada e prestigiada variedade tinta espanhola, origina vinhos de grande fineza e caráter, com excelente potencial de envelhecimento.
  • Exemplares: DOCa Rioja
  • Tintilla
  • Variedade estendida por diversas áreas. Videira vigorosa, de baixo rendimento e brotação tardia. Origina vinhos de ótimo sabor e longevidade,  leves, de boa coloração e taninos.
  • Exemplares: DO Tocoronte-Acentejo
  • Vidadillo
  • Variedade aragonesa com características semelhantes a Garnacha Tinta, embora com menor teor de açúcar, mas maior intensidade de coloração e conteúdo de polifenóis totais, alem de boa acidez e grande riqueza aromática.
  • Exemplares: DO Cariñena

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