Áustria

Vinhos Austríacos

História

As videiras selvagens existiam há mais de 60 milhões de anos atrás. No período de aquecimento pós-Era Glacial (10.000 a 5.000 anos atrás), a videira migrou para o noroeste ao longo do Danúbio. Os seres humanos como “homo sapiens” encontraram a videira selvagem que é considerada o arquétipo da videira cultivada de todas as variedades nobres da Europa.

Sementes de uva datadas da Idade do Bronze (Século X a IX AC) encontradas no Traisental e no Weinviertel comprovam uma tradição vitícola milenar destas regiões, sendo estas sementes claramente atribuídas às espécies Vitis vinifera, caracterizando um dos achados mais antigos do gênero na Europa Central. 

Os celtas e provavelmente também os ilírios cultivaram videiras em uma forma muito simples de viticultura; sementes de uva da videira Vitis vinifera são claramente encontradas em um cemitério celta do período de Hallstatt, na cidade vinícola de Zagersdorf, em Burgenland .

No século I AC os romanos também começam com uma forma sistemática de viticultura em nossas latitudes: evidências podem ser encontradas na região do Danúbio (na atual região vinícola de Carnuntum ), ao redor do lago Neusiedl, no sul de Burgenland e no sul da Estíria, perto de Flavia Solva.

Nos anos de 276 a 282 DC o imperador romano Marcus Aurelius Probus, que governou durante esse período, aboliu explicitamente a proibição de cultivo emitida pelo imperador Domiciano para as vinhas ao norte dos Alpes e que impediu seu exército de plantar novas vinhas na região da Panônia.

Em 488 DC os romanos finalmente abandonam seu domínio sobre a antiga província de Noricum; no tumulto subsequente da migração de nações, as vinhas austríacas estão em grande parte devastadas.

Em 795 Carlos Magno publicou seu “Capitulare de Villis”, que incluía informações detalhadas sobre viticultura, cultivo e lei do vinho. Como parte da colonização carolíngia, a viticultura na região leste do Império Franconiano é promovida de forma sustentável: Entre outras coisas, é introduzido um cadastro vitícola e é realizada uma avaliação e ajuste do grande número de castas.

Entre 890 e 955 a viticultura sofreu contratempos devido às invasões magiares.

Nos século X a XII os cistercienses trouxeram a cultura vinícola da Borgonha para a Áustria através da Abadia Heiligenkreuz e o claustro Freigut Thallern, na atual região de Thermen.

Ao longo do rio Danúbio, foram principalmente as dioceses e abadias da Baviera que começaram com o cultivo dos vales dos rios, como o estabelecimento de uma cultura de terraço em Wachau; nesse ponto mosteiros como o Niederaltaich, Herrieden, Tegernsee e Metten na Baviera; os acerbispado de Freising, Passau e Regensburg também cultivam vinhas, assim como o arcebispado de Salzburgo, que até hoje possui uma pequena parcela de vinha.

Em 1170 quando a residência dos Babenberg é transferida para Viena, a viticultura na região experimenta um aumento, com os cidadãos vienenses podendo comprar e implantar vinhedos.

Em 1327 foi criada a primeira Seitzerkeller (adega) na Dorotheergasse em Viena.

Nos séculos XV e XVI a área cultivada com vinhedos atinge sua maior extensão na Áustria, tendo as vinhas se estendendo ao longo do Danúbio até a Alta Áustria, da Estíria até Semmering, e também em Salzburgo, Caríntia, Tirol e Vorarlberg, de modo que a viticultura ocupava uma área três vezes maior do que ocupa hoje em dia.

Em 1524 a rainha húngara Maria concede aos viticultores de Rust o privilégio de queimar um grande “R” em seus barris de vinho como uma proteção inicial de origem.

Em 1956 em Donnerskirchen (Burgenland), na propriedade da nobre família Esterházy, é produzido o primeiro vinho de sobremesa de alta qualidade documentado, o Luther Wine (provavelmente um Trockenbeerenauslese).

O príncipe Paul Esterházy adquiriu um grande barril em 1653 e seu conteúdo proporcionou prazer para os apreciadores por 300 anos, sendo a última gota bebida em 1852.

No século XVII guerras religiosas, cercos turcos, altos impostos e o boom da cerveja restringiram severamente a viticultura.

No século XVIII sob Maria Teresa (1740 – 1780) e seu filho Joseph II (1780 – 1790), a vinicultura foi fortemente promovida novamente. Este é também o período em que a análise científica da viticultura na Áustria começou.

O decreto do imperador Joseph II de 17 de agosto de 1784 (o “Josephinische Zirkularverordnung”) concede a cada indivíduo o privilégio de vender ou servir alimentos, vinho e cidra que eles mesmos produziram em todas as épocas do ano, quando e a qualquer preço que escolherem. Este é, portanto, o antecessor do famoso ‘Buschenschankverordnung’, que possibilita a ascensão triunfal do Heurigen e Buschenschänken – as tabernas de vinho – na Áustria.

Em 1860 Freiherr von Babo fundou o primeiro centro de pesquisa a escola de viticultura e enologia em Klosterneuburg, que passou para a administração estadual em 1874 e desde 1902 é conhecido como Höhere Lehranstalt für Wein- und Obstbau (Faculdade Federal de Viticultura, Enologia e Fruticultura). Muitos outros institutos similares baseados neste modelo são estabelecidos em toda a monarquia. A ‘Escola Federal Superior de Viticultura e Fruticultura’ em Klosterneuburg é hoje a mais antiga faculdade de viticultura do mundo.

Em 1850, o oídio e em 1878 a peronospora ( míldio ) são vistos pela primeira vez nas vinhas austríacas. A introdução da filoxera de 1872 também destruiu amplamente as culturas de vinho na Áustria.

Em 1890, Ludwig Hermann Goethe assume a liderança da Associação Agrícola de Proteção da Viticultura Austríaca e publica uma história abrangente da viticultura nas latitudes austríacas, na qual estão documentados os locais de origem e as variedades de uva contemporâneos mais importantes.

Em 1907, a primeira lei austríaca do vinho entra em vigor, que lista, entre outras coisas, as técnicas permitidas na produção de vinho e proíbe a produção de vinho artificial.

Em 1918, após o colapso da monarquia dos Habsburgo, a área cultivada com videiras na nova pequena nação da Áustria diminui de 48.000 hectares antes da Primeira Guerra Mundial para cerca de 30.000 hectares na década de 1930.

Em 1922, o professor Friedrich Zweigelt, mais tarde diretor do ‘Höheren Bundeslehr- und Bundesversuchsanstalt da Wein-, Obst- und Gartenbau’ em Klosterneuburg, cruza as castas Sankt Laurent e Blaufränkisch, e com isto cria uma nova variedade austríaca, a Rotburger, que mais tarde é renomeada Blauer Zweigelt.

Em 1936, uma nova lei federal que regula a viticultura, que proíbe a criação de novas vinhas e o plantio de novos cultivares híbridos, deve ser vista como um exemplo típico da política agrícola da Primeira República, caracterizada por fortes tendências protecionistas.

Em 1950, o pioneiro da viticultura de Rohrendorfer, Lenz Moser, publica seu trabalho inovador “Weinbau, de alguma forma diferente”, que declara guerra aos métodos tradicionais de viticultura. Com a introdução do chamado ‘sistema de alto treinamento’ durante a década de 1950, a mecanização (e racionalização) da viticultura tornou-se possível e, com isso, um aumento considerável no tamanho dos rendimentos. Esse estilo de cultivar as vinhas tomou conta da Áustria no final da década. Na década de 1980, quase 90% da área cultivada com vinha é trabalhada dessa maneira.

Em 1985, o declínio cíclico dos preços dos vinhos a granel e a adulteração de vinhos com dietileno glicol que levam ao chamado ” escândalo do vinho “. Como resultado, as exportações caíram quase a zero. Como reação a isso, é introduzida uma nova e rigorosa lei do vinho, que entre outros aspectos exige uma inspeção completa e continua dos estoques de vinho.

1986- Fundação da Österreich Wein Marketing GmbH (” ÖWM “) para promover a imagem e as vendas de vinhos austríacos.

Em 1991, com a fundação da Weinakademie Österreich, foi estabelecido um centro de treinamento, de reconhecimento internacional, oferecendo muitos programas educacionais em alemão e inglês. Com 750 seminários e mais de 15.000 participantes do curso, a Weinakademie, tornou-se o instituto de educação vinícola mais abrangente da esfera alemã.

Em 1995, após a adesão da Áustria à UE, foi também adotada a legislação vitivinícola comunitária.

No período de 2000 a 2008, são introduzidas medidas de política estrutural prescritas pela UE, que apoiam as propriedades produtoras de vinho, mas também se preocupam com o desmantelamento e conversão de certas parcelas de vinhedo.

Em 2001, são criados comitês regionais de vinho, compostos por representantes proeminentes da comunidade vitivinícola de cada região. Seu objetivo principal é melhorar a coordenação de vendas (por exemplo, através da padronização de contratos em gestão de contratos e medidas de qualificação), além de trabalhar para estabelecer estilos idiomáticos e regionalmente típicos de vinho, em estreita colaboração com o ÖWM para fins de marketing e posicionamento da área. O trabalho dos Comitês Regionais do Vinho é supervisionado e coordenado pelo Comitê Nacional do Vinho.

Neste mesmo ano, uma emenda à lei do vinho cria a possibilidade de estabelecer vinhos regionais típicos definidos pelos comitês de vinho com a designação suplementar DAC (Districtus Austriae Controllatus) anexada ao nome da região vinícola. Somente esses vinhos, examinados quanto ao número de controle federal e submetidos a uma inspeção adicional quanto à tipicidade, podem exibir a origem da região de cultivo especificada (por exemplo, Weinviertel) no rótulo. Todos os outros vinhos devem ser comercializados com o nome da região vinícola genérica (por exemplo, Baixa Áustria).

Em 2002, é criada a Weinviertel DAC e em 2003 O Weinviertel DAC é o primeiro vinho de origem regional típico a entrar no mercado na forma de um Grüner Veltliner seco e típico.

Em 2006, surge o primeiro vinho tinto austríaco com designação de origem (safra 2005) com um perfil de sabor típico de Mittelburgenland DAC. Pela primeira vez, um vinho DAC é dividido em duas categorias – Klassik e Reserve.

Com a safra de 2006, o segundo vinho branco de origem, o Traisental DAC ( Riesling e Grüner-Veltliner), chega ao mercado.

Com a safra de 2007 sai a Kremstal DAC e Kamptal DAC com as variedades Grüner Veltliner e Riesling, ambas disponíveis nas categorias Klassik e Reserve; e em 2009 o Weinviertel DAC Reserve.

A partir de 1º de setembro de 2010, mais dois vinhos de origem Burgenland podem ser vendidos pela primeira vez com denominação de origem: o DAC de Leithaberg (branco de 2009, tinto de 2008) e o DAC de Eisenberg (Blaufränkisch, clássico de 2009, reserva de 2008).

Em março de 2012, o regulamento para o Neusiedlersee DAC entra em vigor. Aplica-se para o Zweigelt típico do distrito, enquanto os vinhos de Reserve são compostos como cuvées baseados em Zweigelt, e já se aplica para a safra de 2011.

Em 2013, o Wiener Gemischter Satz DAC é a nona denominação na Áustria

Em 2016, é introduzida a pirâmide de três camadas para os Österreichischer Sekt g.U. (Sekt/Espumantes com proteção de origem): Klassik, Reserve and Grosse Reserve (Grande Reserve).

Em 2017, é formada a Rosalia DAC, e em 2018 são introduzidas as denominações de origem da Estíria Weststeiermark DAC, Südsteiermark DAC e Vulkanland Steiermark DAC.

Em 2019, é formada a Carnuntum DAC, a primeira DAC em Niederösterreich, com presença de vinhos tintos (Blaufränkisch and Zweigelt), ao lado dos vinhos brancos (Chardonnay, Grüner Veltliner and Weissburgunder).

Clima, Solo e Cultivo

É claro que existem muitas diferenças regionais, devido a diversidade na estrutura do solo e as variáveis condições microclimáticas.

Existem quatro zonas climáticas primárias (Danúbio, Weinviertel, Panônia e Steiermark), as quais sofrem influencias de quatros condicionantes climáticos:

– o clima quente continental Pannonian

– o clima moderado e úmido Atlântico

– o clima frio do norte

– o clima quente Illyrian Mediterrâneo

Região do Danubio.

De Wachau no oeste, a Viena a leste, Grüner Veltliner e Riesling, com estrutura firme, são as expressões dominantes desta região. Esses vinhos sofrem a influência do ar quente da Panônia flutuando através do Wagram nos vales laterais do Danúbio (Strassertal, Kamptal, Kremstal, Traisental …) e, finalmente, através do estreito vale do Wachau, esculpido profundamente na rocha primordial do Maciço da Boêmia às margens do rio Danúbio ao longo de inúmeros milhares de anos.

Os aromas característicos dos vinhos danubianos são modelados em parte pelas mudanças substanciais de temperatura que ocorrem entre o dia e a noite, especialmente durante o dia ensolarado de setembro, quando as noites são cobertas com ar fresco que desce do norte. O charme sedutor desses vinhos reside na frescura de seus aromas, juntamente com a maturação fisiológica avançada que resulta do longo ciclo da vegetação, que mantém as colheitas indo até novembro.

Região de Weinviertel.

O Weinviertel, a região vinícola mais ao norte da Áustria, e devido ao seu grande tamanho, seus limites claramente estabelecidos (Manhartsberg no oeste, o Danúbio ao sul e a fronteira austríaca/tcheca que se estende do norte ao leste) e suas inúmeras diferenças microclimáticas e geológicas, faz esta região ser complexa.

O clima do Weinviertel favorece não apenas o Grüner Veltliner, mas também uma ampla variedade de variedades, como as refrescantes Welschriesling, Weissburgunder e Riesling. É importante notar que também existem bolsões de produção de vinho tinto no Weinviertel – por exemplo, em torno de Haugsdorf.

Portanto, não é de admirar que o ‘Weinviertel’, com seu clássico Grüner Veltliner apimentado, tenha feito história como o primeiro vinho de origem da Áustria no novo sistema de denominação DAC. Em contraste com os Veltliners do Danúbio, o Weinviertel tem um aroma e caráter mais rústico, que torna seus vinhos um parceiro ideal para a culinária local. Em locais especiais Weinviertel, o Grüner Veltliner na categoria Reserva demonstra o mesmo tipo de concentração e requinte que caracterizam os vinhos do Danúbio.

Região da Panonia.

No sudeste da capital austríaca de Viena, as contínuas influências do clima quente de Pannonain ajudam a definir o caráter dos vinhos. Ao contrário de outras áreas, uma sensação corporal mais completa e arredondada caracteriza os vinhos de Carnuntum, Thermenregion e Burgenland. A região da Panônia é onde a Áustria mostra suas proezas na produção de vinho tinto, e o Zweigelt encorpado é dominante de Carnuntum a Seewinkel.

O Sankt Laurent aveludado, com seu nariz típico de cereja Morello, é a variedade ideal para a região de Thermen. Mittelburgenland tem a Blaufränkisch como seu cartão de visita varietal. Os solos parcialmente argilosos aqui contribuem para o buquê exclusivo de frutos silvestres desta variedade. E no Eisenberg, no sul, o vinho já começa a revelar um toque de frescor da Estíria. Na região crescente de Rosalia, a combinação de um clima quente da Panônia e solos geologicamente jovens produz um estilo poderoso e picante de Blaufränkisch. Um tipo de Blaufränkisch completamente diferente, rico em taninos e rico em taninos, prospera entre o Hügelland (na costa oeste do Neusiedlersee) e o Spitzerberg na região vinícola de Carnuntum.

Os locais mais frios do Leithaberg, rico em giz, produzem Weissburgunders e Chardonnays particularmente expressivos, com buquês sofisticados e multicamadas. E nas encostas do Wienerwald (Bosque de Viena) em torno de Gumpoldskirchen, a produção tradicional de vinho branco está florescendo novamente com as variedades indígenas Zierfandler e Rotgipfler. A alta umidade ao redor do Seewinkel, com seus inúmeros pequenos lagos, é propícia ao desenvolvimento de podridão nobre (Botrytis cinerea), que leva à produção de vinhos de classe mundial suprema nos níveis de Prädikat, que variam até o altamente concentrado Trockenbeerenauslese. Vinhos doces excelentes tambem são feitos do outro lado do Lago Neusiedl, com o renomado Ruster Ausbruch.

Região de Steiermark.

O Steiermark ou Styria, tem uma identidade muito especial de seus vinhos, aonde a frescura tipicamente austríaca atinge sua apoteose nas paisagens montanhosa.

Aqui, o fator determinante é o contraste entre dias quentes e noites frias. O primeiro é devido à influência do clima do sul da Ilíria, e o segundo as encostas íngremes proporcionam um efeito de resfriamento.

A variedade que liga a área entre Hartberg, no leste, e Deutschlandsberg, no oeste, é a Welschriesling, com sua fragrância refrescante de maçã e um toque de especiarias.

A Gelber Muskateller seco mostra uma expressão distinta Styriana e a Traminer tem o seu lugar de destaque no terroir vulcânico em torno de Klöch.

Região de Bergland

Embora a indústria do vinho na Áustria esteja concentrada nas duas principais áreas vinícolas de Weinland (Danúbio, Weinviertel e Pannonian) e Steirerland (regiões vinícolas de Steiermark), também encontramos vinhedos espalhados por Bergland (Caríntia, Alta Áustria, Salzburgo, Tirol e Vorarlberg). O caráter desses vinhos foi influenciado substancialmente pelo clima atlântico e pelos Alpes vizinhos.

A temperatura média anual do ar naturalmente mais baixa reduz a possível área onde as videiras podem ser plantadas, com encostas protegidas do sul ou bolsões de terra microclimáticos específicos favoráveis.

Após o atual aquecimento global, a viticultura está passando por um renascimento em Bergland, particularmente nas áreas vinícolas de Kärnten (Caríntia), onde o clima alpino mais frio favorece tradicionalmente as variedades de maturação precoce, como Chardonnay, Müller Thurgau, Frühroter Veltliner, Bouvier, Muskat Ottonel, Pinot Gris, Blauer Portugieser e Blauburger.

As mudanças no clima agora possibilitam e incentivam a produção de vinho de qualidade em locais mais quentes de variedades de amadurecimento tardio, como Grüner Veltliner, Riesling (por exemplo, no estilo médio-doce do ‘Mosel Valley’ com açúcar residual), Welschriesling, Sauvignon Blanc, Muscat, Traminer, Pinot Blanc, Pinot Noir, Zweigelt e Roesler.

Solo.

Encostas íngremes, vales, colinas, terraços e locais específicos das regiões vinícolas austríacas são características que pertencem ao encanto visível das paisagens de nosso país. Escondidas sob os solos, as rochas geralmente não são visíveis, mas são de grande importância para os produtores de vinho, porque influenciam significativamente a escolha da variedade de uva e o gerenciamento das vinhas.

As rochas que formam o material de origem dos solos, mas também nossa paisagem e clima atuais, são produtos do desenvolvimento da história da Terra. A pesquisa geológica está focada nesses aspectos e as implicações práticas decorrentes desses estudos aumentaram a consciência geral da geologia, também dentro da comunidade vinícola. As rochas determinam até que ponto as raízes da videira podem penetrar para encontrar água, se o solo é pedregoso, arenoso ou argiloso, se a cor tende a ser mais clara ou mais escura, se tem capacidade para reter calor, ar e água, seja estão presentes minerais de argila que facilitam a troca de nutrientes inorgânicos e se o solo é inerentemente carbonato ou isento de cal.

A dureza variável das rochas, o curso das fronteiras tectônicas, bem como os processos de elevação e subsidência em larga escala afetam a paisagem das áreas vitícolas e, devido à sua altitude, orientação e inclinação, influenciam também o alívio dos solos e, consequentemente, o clima local das vinhas. Esses fatores e a localização da Áustria no cinturão de produção de vinho do norte da Terra são o resultado do movimento tectônico das placas da crosta terrestre e mudanças relacionadas na posição dos oceanos e continentes. Esse movimento também deu origem a cadeias de montanhas e é a razão pela qual as planícies no leste do país não são mais ocupadas por mares, mas são áreas que exibem diversas paisagens culturais.

Como as principais unidades rochosas atravessam essencialmente a Áustria longitudinalmente, enquanto as regiões vitícolas traçam um arco no leste do país, as últimas incluem consequentemente ocorrências de quase todas as principais unidades geológicas. É por isso que nossas paisagens vinícolas são tão variadas, únicas e interessantes!

Cerca de 70% dos vinhedos da Áustria estão localizadas em substratos de rocha não consolidada, enquanto aproximadamente 30% estão localizados em solos que se desenvolveram a partir de rochas consolidadas. Ambos os grupos compreendem rochas muito diferentes, que são separadas com base na estrutura e composição de seus constituintes químicos e mineralógicos.

Entre as rochas consolidadas estão incluídos granitos, gnaisses, xistos, quartzos, anfibólites, serpentinites e basaltos; além de marga, calcários, conglomerados, arenitos e tufos vulcânicos.

Entre as rochas não consolidadas são, em primeiro lugar, os loess calcários, os cascalhos arenosos e os detritos rochosos derivados dos terraços dos rios, bem como os lodos arenosos e argilosos, os remanescentes de uma grande paisagem do lago que se formou na esteira do recuo do mar, cerca de 11 milhões anos atrás.

Regiões.

Devido a condições climáticas mais favoráveis, a maioria das regiões vinícolas está localizada na parte oriental do país. No entanto, você também encontrará viticultura em todo o resto da Áustria.

A Áustria possui 46.752 hectares de vinhedos implantados, em 04 regiões e subdivididos em 05 Bundesländer e 17 Weinbaugeite.

Niederösterreich (Baixa Áustria)

Possui 28.145 hectares e é a maior região vinícola da Áustria para vinhos de qualidade. As oito regiões vinícolas especificadas localizadas em Niederösterreich, podem ser divididas em três zonas climáticas: o Weinviertel no norte, a região do rio Danúbio e seus vales laterais (Traisen, Kamp e Krems) a oeste de Viena e Pannonian Niederösterreich a sudeste.

Ao longo do Danúbio, de Melk a Klosterneuburg, e ao longo de seus rios tributários Krems, Traisen e Kamp, encontra-se deliciosas aldeias de vinho enfiadas como um colar de pérolas. Aqui, a Riesling se posicionou como uma variedade emblemática ao lado da Grüner Veltliner. Essas duas uvas expressam suas características típicas como Kremstal DAC, Kamptal DAC e Traisental DAC e suas encostas íngremes de rochas cristalinas, em terraços de Loess e especialmente em Heiligenstein, com seus conglomerados livres de calcário, que conferem aos vinhos um caráter distinto.

Roter Veltliner, Weissburgunder e Chardonnay completam as varietais.

No Pannonian Niederösterreich, sul e leste de Viena, são cultivados alguns dos vinhos tintos mais destacados da Áustria, com Zweigelt e Blaufränkisch robustos em Carnuntum DAC.

Os vinhos brancos típicos da região entram em cena aqui mais uma vez, vinificados em Chardonnay, Weissburgunder ou Grüner Veltliner.

Na região de Thermen, Pinot Noir e Sankt Laurent deram o tom ao vinho tinto. As variedades brancas Zierfandler e Rotgipfler são especialidades indígenas encontradas quase exclusivamente nesta área.

Em Niederösterreich temos 08 DACs:

– DAC Carnuntum- 906 hectares.

– DAC Kamptal- 3.907 hectares

– DAC Kremstal- 2.368 hectares

– DAC Thermenregion- 2.181 hectares

– DAC Traisental- 815 hectares

– DAC Wachau- 1.344 hectares.

– DAC Wagram- 2.720 hectares

– DAC Weinviertel- 13.858 hectares

Burgenland.

Possui 13.100 hectares de vinhedos, e seus vinhos tintos encorpados e ricos abundam na região leste de Burgenland, sob a influência do clima quente e continental da Panônia. Dentro desta área, existem muitas distinções que desempenham um papel igualmente importante. Por exemplo, o Eisenberg na parte mais ao sul de Burgenland desfruta de uma estrutura complexa do solo e toque de influências climáticas refrescantes da vizinha Steiermark, que fornecem condições ideais de crescimento para Blaufränkisch e outras variedades de vinho tinto com caráter mineral fino e elegância incomparável. O lendário Ruster Ausbruch – o vinho de sobremesa nobre e de renome internacional – simboliza a forte identidade da região.

Os solos densos de barro de Mittelburgenland e a região vinícola de Rosalia produzem Blaufränkisch com frutos particularmente profundos e comprimento excepcional. No Leithaberg, a oeste do Neusiedlersee (Lago Neusiedl), a variedade produz vinhos com mineralidade expressiva e taninos emocionantes.

Em Burgeland temos 05 DACs:

– DAC Eisenberg- 515 hectares

– DAC Leithaberg- 3.097 hectares

– DAC Mittelburgeland- 2.104 hectares

– DAC Neusiedlersee- 6.675 hectares

– DAC Rosalia- 297 hectares

Steimark/Styria

Possui 4.633 hectares, produzindo vinhos frescos e brilhantes.

Todas as três regiões vinícolas da Estíria, com suas especialidades incomparáveis, estão localizadas mais ou menos no sul do estado federal. No oeste desta região montanhosa geograficamente distinta, o Schilcher reina supremo, um rosado saboroso que é um dos vinhos terroir mais distintos que podem ser encontrados em qualquer lugar. Em Sausal e na South Styrian Wine Road, Sauvignon Blanc e Muskateller dão o tom, enquanto ao sudeste em Vulkanland Steiermark, o Traminer ocupa seu lugar.

A variedade mais plantada da Estyria é a Welschriesling, com seu buquê de maçãs verdes.

Pinot Noir mais encorpados, Weissburgunder cultivado em solos ricos em calcário expressão sua mineralidade refinada, Chardonnay, (também conhecido aqui como Morillon) e Grauburgunder (Ruländer, Pinot Gris) completam a oferta de seus vinhos.

Weinbaukarte Steiermark

Na Styria temos 03 DACs:

– DAC Südsteiermark- 2.563 hectares

– DAC Weststeiermark- 546 hectares

– DAC Vulkanland Steirmark- 1.524 hectares

Os vinhos brancos seco da região (assim como o Schilcher em Weststeiermark) foram organizados em três níveis de vinho: Gebietswein (regional wine), Ortswein (“villages” wine) and Riedenwein (single vineyard wine).

Viena- 637 hectares

Possui 637 hectares de vinhedos, e eles servem ativamente à preservação de uma guirlanda verde da natureza ao redor de Viena e fornecem a base para vinhos de alta qualidade. Desde 2013, a especialidade local “Wiener Gemischter Satz”(Vienniese Field Blend) faz parte da família DAC austríaca e fortalece ainda mais a identidade do vinho Vienniese.

Até o final da Idade Média, as videiras cresciam dentro das muralhas da cidade (mesmo no primeiro distrito da baixa de hoje), mas agora o foco da produção de vinho está nos subúrbios nos limites da cidade, onde os vinhedos no Bisamberg, ao norte do rio Danúbio (cultivadas por produtores em Strebersdorf, Stammersdorf e Jedlersdorf) são particularmente adequadas para membros da família Pinot.

De Ottakring através de Hernals até Pötzleinsdorf, e acima de tudo no 19º Distrito (nas comunidades de Heiligenstadt, Nussdorf, Grinzing, Sievering e Neustift am Walde) são favorecidos Riesling, Chardonnay e Weissburgunder, crescendo nos variados solos ricos em calcário. No sul de Viena (Rodaun, Mauer e Oberlaa, com solos de rendzina, terra marrom e preta) cuvées de vinho tinto opulentos e brancos robustos florescem. Mas nunca há um viticultor que renuncie à oportunidade de produzir o Wiener Gemischter Satz, no qual várias variedades de uvas brancas são plantadas juntas, colhidas juntas e subsequentemente fermentadas em vinho juntos.

Uma descoberta importante dos últimos anos foi a montanha de Nussberg, que atraiu jovens viticultores, bem como pessoas que mudam de carreira com o amor pelo vinho.

– DAC Wiener Gemischter Satz

Bergland.

Possui 237 hectares de vinhedos, distribuídos em seus 05 Bündeslander.

Havia uma vez extensas vinhas em toda a Bergland, e a viticultura em Oberösterreich (Alta Áustria) estava no auge, entre os séculos XIV e XVI. Isto foi, no entanto, seguido por um boom de fabricação de cerveja, devido em grande parte a mudanças climáticas, com menos luz solar e o que hoje é considerado uma mini “Era do Gelo”, de modo que a indústria do vinho na região de Bergland diminuiu gradualmente e praticamente parou completamente no século XIX. Portanto, é emocionante ver o renascimento das vinhas aparecendo, especialmente as da Caríntia (Caríntia).

– Kärnten (Caríntia)- 170 hectares

Os centros de viticultura em Carinthia concentram-se no Längsee (lago Läng) e na área ao redor do castelo Hochosterwitz, no distrito de Sankt Veit, no vale de Lavant, no distrito de Feldkirchen e nos arredores de Klagenfurt.

Aqui são os Pinot que predominam; além disso, encontram-se Sauvignon Blanc, Riesling e Traminer, além de Zweigelt e Blauer Burgunder.

Os vinhos da Caríntia estão sendo posicionados como a bebida preferida para o turismo na região, demonstrando um potencial bastante promissor.

– Oberösterreich (Alta Áustria) – 45 hectares.

Uma grande variedade de nomes locais, domésticos e de campo em todo o estado federal testemunha o fato de que a viticultura já foi um fator econômico relevante em Oberösterreich (Alta Áustria). Após o declínio no século 19, a terra acima do rio Enns agora está passando por um renascimento; hoje encontramos 45 hectares de videiras aqui. Os arredores ensolarados do vale do rio Danúbio, Machland, Linzer Gaumberg e as fronteiras da bacia de Eferdinger estão agora apoiando a viticultura, assim como a parte central de Oberösterreich, o distrito central montanhoso e as vinhas arejadas do Mühlviertel. Mesmo na parte sul do Salzkammergut, o vinho está sendo produzido mais uma vez. A viticultura é focada nos tipos brancos Grüner Veltliner e Chardonnay, assim como Zweigelt e Roesler para os tintos.

– Salzburgo – 7 hectares.

O ano de 2001 marcou o plantio das primeiras vinhas nos tempos modernos em Salzburgo, no Grossgmain am Untersberg. Desde 2008, as videiras Frühroter Veltliner são cultivadas no complexo de Paris Lodron, na famosa montanha Mönchsberg, com vista para a cidade de Salzburgo. A produção é de cerca de 500 garrafas por ano e é vendida por 40 Euros por garrafa, com todos os recursos sendo doados aos Escoteiros de Salzburgo. A abadia beneditina Michaelbeuern também lançou um projeto vitícola que abrange 4.000 videiras.

– Tirol- 5 hectares.

Enquanto a indústria do vinho no Südtirol (Alto Adige) permanece de grande importância, a Associação de Produtores de Vinho do Tirol do Norte tem apenas duas dúzias de membros hoje. Até o conhecido vinhedo de Zirl, famoso desde o século XIV, atualmente permanece incultivado. Mas agora podemos ver novos sinais de vida da viticultura em Tirol, com as propriedades mais ativas de Haiming, Tarrenz e Silz, com plantações de Pinot Noir e Chardonnay.

– Vorarlberg- 10 hectares.

Já houve 500 hectares de vinhedos crescendo no estado federal de Vorarlberg, predominantemente em Walgau e Rheintal (Vale do Reno). As consequências da filoxera (combinadas com a concorrência dos vinhos do Südtirol após a conclusão da ferrovia Arlberg) levaram ao desaparecimento quase total da produção de vinho aqui, exceto por uma única vinha em Röthis. Aqui nas vinhas, Müller-Thurgau, Riesling e as clássicas variedades Pinot reivindicam um lugar de destaque entre os brancos, enquanto Blauer Burgunder (Pinot Noir) é a variedade preferida de vinho tinto.

Grapes/Uvas.

Área em hectares.

Classificação dos vinhos Austríacos.

A classificação dos vinhos Austríacos seguem o mesmo modelo dos vinhos alemães, com a inclusão do Strohwein (Vin de Paille) na mesma categoria do BA/Eiswein e o Ausbruch entre o BA e TBA.

Notar que hoje em dia há uma tendencia para os vinhos Trocken (secos).

Fonte- https://www.austrianwine.com/

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