Enopira Top Priorat 2017

Enopira- 01/06/2017

Vinhos apresentados:

 

1-      Finca Dofi 2005

Produtor- Alvaro Palacios (1989)- Gratallops- Priorat- Espanha

Castas- 60% Garnacha, Cariñena, Cabernet Sauvignon, Merlot e Syrah.

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 16 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 700,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 16º C

Excelente vinho, constrastando o nariz acanhado com uma boca marcante.

Muito equilibrado, boa acidez, frutas vermelhas, notas minerais, tostado, leve menta e aniz, excelente retrogosto. Nota 94, meu quarto melhor vinho da noite.

Depois foi se apagando na evolução de taça.

Obteve 75 pontos, ficando na sétima posição.

 

2-      Ferrer Bobet Selecció Especial Vinyes Velles 2013

Produtor- Ferrer Bobet (2002)- Porrera- Priorat- Espanha

Castas- 100% Cariñena

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 18 meses em barricas de carvalho francês.

Preço- R$ 700,00

Serviço- Decantado por três horas e servido a 16º C

Muito bom vinho, estruturado, frutas em geleia, tostado, chocolate, especiarias, leve tamarindo, excelente retrogosto. Nota 92+, meu nono melhor vinho da noite.

Obteve 51 pontos, com um primeiro lugar, ficando na nona posição.

 

3-      Vall Llach 2001

Produtor- Vall Llach (1998)- Porrera- Priorat- Espanha

Castas- 65% Cariñena, 25% Merlot e 10% Cabernet Sauvignon.

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 17 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 1.000,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Excelente vinho, no auge, abriu um pouco com o decanter e manteve-se inalterado ao longo da prova.

Viril, elegante, boa acidez, madeira bem integrada, pimenta, leve alcaçuz, excelente retrogosto. Nota 95, meu segundo melhor vinho da noite.

Obteve 88 pontos, com um primeiro lugar, ficando na quarta posição.

 

4-      Doix Coster de Vinyes Velles 2012

Produtor- Mas Doix (1998)- Poboleda- Priorat- Espanha

Castas- 55% Cariñena e 45% Garnacha

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 16 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 800,00

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 16º C

Muito bom vinho, estruturado, viril, taninos finos, tostado alto, madeira, chocolate amargo, especiarias, excelente retrogosto. Nota 93, meu sétimo melhor vinho da noite.

Obteve 39 pontos, ficando na décima posição.

 

5-      La Creu Alta 2014

Produtor- Bodegas Mas Alta (1999)- La Villela Alta- Priorat- Espanha

Castas- 50% Cariñena, 30% Garnacha e 20% Syrah

Teor alcoólico- 15,5%

Amadurecimento- 18 meses em barricas (80% novas) de carvalho francês.

Preço- R$ 1.000,00

Serviço- Decantado por quatro horas e servido a 16º C

Excelente vinho, muito novo, grande estrutura, taninos finos e muito agradáveis, frutas negras maduras, leve cocada preta, pimenta, tomilho, álcool bem integrado e excelente retrogosto. Nota 94, meu quinto melhor vinho da noite.

Obteve 101 pontos, com um primeiro lugar, ficando na segunda posição.

 

6-      Clos Mogador 2009

Produtor- Clos Mogador (1989)- Gratallops- Priorat- Espanha

Castas- 44% Garnacha, 21% Cariñena, 19% Cabernet Sauvignon e 16% Syrah

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 18 meses em barricas (300 l) de carvalho francês.

Preço- R$ 700,00

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 16º C

Excelente vinho, nariz um pouco velho, com couro rustico.

Na boca mostrou-se muito estruturado, complexo, viril, leve picante, frutas negras maduras, tostado, tabaco, especiarias e excelente retrogosto. Nota 94+, meu terceiro melhor vinho da noite.

Obteve 97 pontos, com um primeiro lugar, ficando na terceira posição.

 

7-      Clos Figueres 2008

Produtor- Clos Figueras (1997)- Gratallops- Priorat- Espanha

Castas- 85% Garnacha e Cariñena, 10% Syrah e 5% Cabernet Sauvignon/Mourvedre

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 14 meses em barricas de carvalho francês.

Preço- R$ 650,00

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 18º C

Muito bom vinho, frutas negras e vermelhas, madeira bem integrada, baixa acidez, especiarias, muito bom retrogosto. Nota 92, meu décimo melhor vinho da noite.

Teve uma boa melhora na evolução de taça, principalmente na parte olfativa, mas eu já tinha implicado com ele.

Obteve 86 pontos, ficando na quinta posição.

 

8-      Clos Martinet 2005

Produtor- Mas Martinet (1989)- Gratallops- Priorat- Espanha

Castas- Garnacha, Cariñena, Cabernet Sauvigon, Merlot e Syrah

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 22 meses em barricas de carvalho francês.

Preço- R$ 800,00

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 18º C

Muito bom vinho, sutil, complexo, elegante, muito equilibrado, frutas vermelhas e pretas maduras, madeira bem integrada, taninos finíssimos, especiarias e excelente retrogosto. Nota 93+, meu sexto melhor vinho da noite.

Obteve 79 pontos, ficando na sexta posição.

 

9-      Alvaro Palacios L’Ermita Velles Vinyes 1996

Produtor- Alvaro Palacios (1989)- Gratallops- Priorat- Espanha

Castas- Garnacha

Teor alcoólico- 13,5%

Amadurecimento- 18 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 4.000,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 16º C

Excelente vinho, viril, elegante, complexo, muito equilibrado, boa acidez, notas minerais, taninos finíssimos e muito agradáveis, frutas e madeira bem integrada, notas defumadas, especiarias e excelente retrogosto. Nota 96, meu melhor vinho da noite.

Obteve 138 pontos, com 11 primeiro lugar, ficando na primeira posição.

 

10-  Terroir al Limit Les Manyes 2014

Produtor- Terroir Al Limit (2003)- Torroja del Priorat- Priorat- Espanha

Castas- 100% Garnacha

Teor alcoólico- 13,5%

Amadurecimento- 20 meses em tanques de cimento de 1200 l.

Preço- R$ 2.000,00

Serviço- Decantado por quatros horas e servido a 16º C

Vinho com perfil completamente diferente dos demais.

No abrir mostrou aromas vinosos, lembrando gammay, com floral intenso (cera da noite e violeta) e muita groselha.

Mostrou uma excelente evolução no decanter.

Corpo médio, frutado (cereja, groselha), taninos finos, notas minerais, fumaça, notas terrosas, leve garrigue com excelente retrogosto.

Muito bom vinho, mas eu prefiro as versões do 2012 e 2010, com um pouco de madeira e mais complexidade.

Se nas versões anteriores triangulava com Bourgogne, Piemonte e Rhône, nesta versão de 2014 ficou linear, com Chateauneuf, Fleurie e Pommard.

Nota 92+, meu oitavo melhor vinho da noite.

Obteve 71 pontos, ficando na oitava posição.

 

Após a degustação tivemos um Arròs de Conill, Guatlla, Costelles de Senglar, Carxofes i Ceps, que ficou muito bom, e na minha opinião harmonizou melhor com os vinhos menos intensos.

 

Até a próxima, na Enopira Top Rioja 2017, dia 29 de junho, no Hyatt SP.


Priorat_Top_2017






































Enopira Top Ribera del Duero 2017

Restaurante Eau- Hotel Hyatt- 03/05/2017

Vinhos apresentados:

 

1-      Alion 2012

Produtor- Bodegas Alion (Vega Sicilia)- Peñafiel- Valladolid- Espanha

Castas- 100% Tinto Fino (Tempranillo) - Albillo Mayor X Benedicto

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 16 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 600,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Muito bom vinho, frutado, bom retrogosto. Nota 91, meu décimo melhor vinho.

Obteve 24 pontos, ficando na décima posição.

 

2-      Aalto PS (Pagos Selecionados) 2011

Produtor- Aalto Bodegas e Viñedos- Quintanilla de Arriba- Valladolid- Espanha.

Castas- 100% Tinto Fino (Tempranillo)

Teor alcoólico- 15%

Amadurecimento- 22 meses em barricas novas de carvalho francês

Preço- R$ 1.060,00  

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 18º C

Muito bom vinho, frutado, amadeirado, muito bom retrogosto. Nota 93, meu sexto melhor vinho.

Obteve 51 pontos, ficando na sétima posição.

 

3-      Valbuena nº 5 2010

Produtor- Bodegas Vega Sicilia- Valbuena de Duero- Valladolid- Espanha

Castas- 95% Tinto Fino e 5% Merlot

Teor alcoólico-14,5%

Amadurecimento- 3 anos em barricas de carvalho francês e americano e em tonéis.

Preço- R$ 1.400,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Muito bom vinho, sutil, harmônico, bom retrogosto. Nota 92+, meu oitavo melhor vinho.

Obteve 52 pontos, ficando na sexta posição.

 

4-      Flor de Pingus 2000

Produtor- Dominio de Pingus- Quintanilla de Onesimo- Valladolid- Espanha

Castas- 100% Tinto Fino

Teor alcoólico- 14%

Amadurecimento- 14 meses em barricas novas e usadas de carvalho francês.

Preço- 800,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Muito bom vinho, embora com um pouco de brett, já evoluído, aromas de estrebaria, bom retrogosto. Nota 91+, meu nono melhor vinho.

Obteve 45 pontos, ficando na nona posição.

 

5-      Arzuarga Navarro Gran Reserva 1996

Produtor- Bodegas Arzuaga Navarro- Quintanilla de Onesimo- Valladolid- Espanha

Castas- 90% Tempranillo, 8% Cabernet Sauvignon e 2% Merlot

Teor alcoólico- 14%

Amadurecimento- 26 meses em barricas de carvalho francês e americano.

Preço- R$ 1.220,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Excelente vinho, no seu auge, complexo, boa acidez, muito equilibrado, excelente retrogosto. Nota 95+, foi a surpresa da noite. Meu terceiro melhor vinho.

Obteve 97 pontos, ficando na terceira posição.

 

6-      Vega Sicilia Único Reserva Especial NV (2016=1996, 1998 e 2002)

Produtor- Bodegas Vega Sicilia- Valbuena de Duero- Valladolid- Espanha

Castas- Tinto Fino, Cabernet Sauvignon e Merlot

Teor alcoólico- 14%

Amadurecimento- 7 anos em barricas novas e usadas e tonéis.

Preço- R$ 3.800,00

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 18º C

Excelente vinho, muito complexo, evoluiu muito no decanter, excelente retrogosto. Nota 97, meu melhor vinho.

Obteve 110 pontos, ficando empatado na primeira posição.

 

7-      Sastre Pesus 1999

Produtor- Hermanos Sastre- La Horra- Burgos- Espanha

Castas- 80% Tinto Fino e 20% Cabernet Sauvignon e Merlot

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 22 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 3.500,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Muito bom vinho, embora tenha ficado fechado, mesmo após o decanter, começou a abrir no final da taça, excelente retrogosto. Nota 94, meu quinto vinho.

Obteve 76 pontos, ficando na quarta posição.

 

8-      Pingus 1999

Produtor- Dominio de Pingus- Quintanilla de Onesimo- Valladolid- Espanha

Castas- 100% Tinto Fino

Teor alcoólico- 14%

Amadurecimento- 14 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 7.000,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

Excelente vinho, no auge, muito equilibrado, sutil, elegante, excelente retrogosto. Nota 96, meu segundo vinho.

Obteve 110 pontos, ficando empatado na primeira posição.

 

9-      Pago de Carraovejas Cuesta de Las Liebres VS 2005

Produtor- Pago de Carraovejas- Peñafiel- Valladolid- Espanha

Castas- 100% Tinto Fino

Teor alcoólico- 15,5%

Amadurecimento- 24 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 1.600,00

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 18º C

Muito bom vinho, frutado, amadeirado, muito bom retrogosto. Nota 93, meu sétimo vinho.

Obteve 49 pontos, ficando na oitava posição.

 

10-  Pago de Los Capellanes El Picon 2010

Produtor- Pago de Los Capellanes- Pedrosa de Duero- Burgos- Espanha

Castas- 100% Tinto Fino

Teor alcoólico- 14,5%

Amadurecimento- 24 meses em barricas novas de carvalho francês.

Preço- R$ 1.800,00

Serviço- Decantado por duas horas e servido a 18º C

Excelente vinho, estruturado, muito equilibrado, excelente retrogosto. Nota 95, meu quarto vinho.

Obteve 75 pontos, ficando na quinta posição.

 

Depois da degustação tivemos o jantar harmonizado.

Menu e Vinhos:

 

Entrada- Creme de Espinafre, Língua de Boi defumada, Abobrinha e Foie Gras

Vinho: Cava Cossetània Grand Reserva Brut Nature 2007

Produtor- Castell D’Or- Vila Rodona- Tarragona- Espanha

Castas- 50% Xarel-lo, 30% Macabeo e 20% Parellada

Teor alcoólico- 11,5%

Preço- R$ 150,00

Serviço- Servido a 8º C

 

Peixe- Prejereba confit, Emulsão de Presunto Serrano, Couscous de Limão e Legumes

Vinho: Pezas da Portela Godello Valdeorras 2008

Produtor- Bodega ValdeSil- Vilamartin de Valdeorras- Ourense- Galicia- Espanha

Castas- 100% Godello

Teor alcoólico- 14%

Amadurecimento- 5 meses sobre as lias em barricas de carvalho francês.

Preço- R$ 260,00

Serviço- Aberto uma hora antes e servido a 10º C

 

Prato principal- Filé Mignon Angus, Espuma de Batata Doce, Bombom de Couve e Tutano, Molho de vinho do Porto

Vinho: Abadia Retuerta Seleccion Especial Sardon de Duero 2010

Produtor- Abadia Retuerta- Sardon del Duero- Valladolid- Espanha

Castas- 75% Tempranillo, 20% Cabernet Sauvignon e 5% Merlot.

Teor alcoólico- 13,5%

Amadurecimento- 18 meses em barricas de carvalho francês e americano.

Preço- R$ 280,00

Serviço- Decantado por uma hora e servido a 18º C

 

Sobremesa- Mil folhas de Avelã, Sorvete de Baunilha

Vinho: Cossart Gordon Madeira Malmsey 5 Year Old

Produtor- Madeira Wine Company- Funchal- Portugal

Castas- 100% Malvasia

Teor alcoólico- 19%      Açúcar residual- 110 g/l

Amadurecimento- 5 anos em cascos de carvalho americano em canteiro.

Preço- R$ 260,00

Serviço- Servido a 12º C

 

Até a próxima, com os top do Priorat, dia 01/06/2017, na Enopira.

 

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Vinos de Jerez.

 

História

 

Mais do que um Denominação de Origem, os vinhos de Jerez são o resultado de diferentes circunstâncias históricas, que modelaram seus vinhos conforme distintas civilizações foram aportando suas culturas e conhecimentos ao longo dos últimos 3.000 anos, e que resultaram na identidade única dos vinhos da região.

 

Os vinhedos de Jerez provavelmente tiveram origem 1.000 aC, quando os fenícios trouxeram as primeiras videiras para esta região, a que deram nome de Xera - origem do nome Xerez ou Jerez. Gregos, Cartagineses e Romanos difundiram suas culturas pela região e contribuíram para a elaboração de seus vinhos.

 

Em 711 DC começa a dominação árabe na Espanha, que se estende por cinco séculos, e que, apesar da proibição do consumo de bebidas alcoólicas pelos muçulmanos, possibilitou que Jerez (Sherish, em árabe) seguisse como um importante centro de produção de vinhos, pois a elaboração de uvas passas para consumo das tropas e a obtenção de álcool destilado para perfumes e medicamentos serviam de pretexto para a manutenção das videiras e a produção clandestina de vinhos. Os conhecimentos dos mulçumanos sobre a destilação de álcool e suas aplicações foram um acréscimo valioso na elaboração dos vinhos fortificados.

 

Em 1264 o monarca castelhano Alfonso X reconquista Sherish, que se converte na nova fronteira entre cristãos e muçulmanos; ele rebatiza a cidade como Xeres de la Frontera. O plantio de videiras e a produção de vinhos são incentivados, e se convertem no motor econômico da região, com terras distribuídas conforme o prestígio social e o mérito alcançado. Então, uma figura se destaca, dando o nome a uma das uvas emblemáticas de Jerez: Fernán Ibáñez Palomino; talvez o mesmo tenha acontecido com outra uva fundamental da região: Pedro Ximénez (PX).

 

A Inglaterra começa a ser um mercado importante para os vinhos de Jerez (Sherry) e, a partir do século XVIII, a demanda mundial de vinhos teve um acréscimo considerável, levando a uma transição entre os estilo de vinhos ofertados e a demanda do gosto de novos consumidores, como também na necessidade de conservação dos vinhos para mercados distantes. O choque de interesses entre os produtores (que queriam produtividade e escoamento de vinhos do ano) e os comerciantes (que queriam qualidade estável e diferenciação dos vinhos), foi fundamental para a identidade dos vinhos de Jerez e o seu sistema de amadurecimento por criadeiras e soleras.

 

No final do século XIX a filoxera devastou os vinhedos de Jerez e o replantio da mudas significou a definitiva seleção das 3 uvas xerezanas: Palomino, Pedro Ximénez e Moscatel. No início do século XX, os vinhos de Jerez têm rápida expansão, mas também surgem estilos semelhantes em diversos locais do mundo. Como salvaguarda legal, os locais criam a Denominación de Origen Jerez, em 1933 e, em janeiro de 1935, se publica o regulamento da Denominação de Origem Jerez e do Consejo Regulador, o primeiro da Espanha.

 

Zona de vinhedos

 

A zona de produção dos vinhos da DO Jerez/Xérès/Sherry y Manzanilla-Sanlúcar de Barrameda possui uma superfície de 7.000 hectares no extremo sul da península ibérica, distribuídos nas áreas dos municípios de Jerez de La Frontera, Trebujena, Sanlúcar de Barrameda, Chipiona, El Puerto de Santa María, Puerto Real, San Fernando e Chiclana.

 

Os solos desta região mais propícios ao vinhedos são compostos principalmente de Albariza (Giz) e, em menor parcela, de Barro e Areia. Os solos calcários de Albariza são perfeitos para a Palomino; 90% dos vinhedos de Jerez são plantados nestas áreas e com esta casta. A Albariza absorve e retém água (fundamental para prover as vinhas nos períodos secos), reflete a luz solar otimizando a fotossíntese, e é bastante solta, facilitando a lavra e o desenvolvimento do sistema radicular das raízes das vinhas.

Os solos de Barros (argilosos), mais férteis, dão boa produtividade, mas com qualidade inferior. Os solos de Areia são plantados com Moscatel, menos exigente que a Palomino.

 

A Pedro Ximénez é cada vez mais rara na região de Jerez, ficando mais na DO vizinha de Montilla-Morilles, onde os produtores de Jerez vão buscar estas uvas, o que é perfeitamente legal.

 

Zona de Crianza

 

Outra delimitação importante é a chamada Zona de Crianza, também conhecida como o Triângulo de Jerez. Somente nas cidades de Jerez de La Frontera, El Puerto de Santa María e Sanlúcar de Barrameda se pode completar o processo de amadurecimento dos vinhos da DO Jerez-Xérès-Sherry e, portanto, é onde se encontram as Bodegas de Crianza. Para os vinhos da denominação Manzanilla-Sanlúcar de Barrameda as Bodegas de Crianza têm de estar em Sanlúcar de Barrameda.

 

Vinificação

 

O início do processo de produção do Jerez é semelhante a qualquer vinho branco seco, em que as uvas são colhidas, imediatamente prensadas (ainda nos vinhedos) e fermentadas, obtendo-se um vinho branco base, seco, pálido, delicado, levemente frutado, com baixa acidez e teor alcoólico entre 11 e 12,5%. Ele é muito consumido na região, sendo conhecido como vinho de mosto.

 

Classificação do Mosto

 

Os vinhos base, logo após o deslio (débourbage, desborra, separação das borras grossas do liquido) são submetidos a uma classificação e separados em dois grandes grupos:

 

- vinhos pálidos, finos e delicados, destinados para crianza como Finos ou Manzanillas; são marcados com um risco de giz em diagonal (um Palo).

- vinhos com maior estrutura, destinados para crianza como Oloroso; são marcados com um círculo.

 

Fortificação inicial

 

A fortificação é a adição de álcool vínico ao vinho base e sua graduação é fundamental no controle do tipo de crianza a que o vinho se submeterá.

- Finos e Manzanilla- os vinhos-base com teor de 11 a 12,5% terão seus níveis de álcool elevados gradativamente até o teor máximo de 15%, limite tolerável pelas leveduras, para prosseguir seu desenvolvimento, evitando assim a oxidação do vinho por contato direto com o ar, numa crianza biológica.

- Oloroso- os vinhos-base classificados como Oloroso terão seus níveis de álcool elevados acima de 17%, matando as leveduras, eliminando o véu protetor de oxidação e proporcionando uma crianza oxidativa.

 

A Flor do Vinho

Com a escassez de açúcares no vinho-base e consequente fim da fermentação alcoólica, outras leveduras autóctones da região de Jerez vão se desenvolvendo na superfície dos vinhos-base com teor alcoólico até 15,5%, formando uma nata de leveduras (Véu, Flor). Estas leveduras continuam seu desenvolvimento alimentando-se de álcool, álcoois superiores e outros compostos, a ponto de cobrirem totalmente a superfície do vinho, assim evitando o contato do mesmo com o oxigênio do ar e sua oxidação - desde que o teor alcoólico não ultrapasse os 15,5%.

 

Segunda classificação

Após um período de seis meses a um ano é feita uma segunda classificação para observar se os vinhos e principalmente a Flor estão se desenvolvendo adequadamente.

Os Olorosos já tiveram sua fortificação definitiva e seguiram para o seu envelhecimento no sistema solera.

Os Finos e Manzanillas demandam uma maior atenção:

- os vinhos em que a flor está com grande vitalidade e segue protegendo o vinho da oxidação prosseguem como Finos e Manzanillas e obtêm um segundo Palo (palma).

- os vinhos em que a flor se desenvolveu, mas cujas características apontam para uma evolução melhor em crianza oxidativa, são marcados com um risco horizontal, cortando o Palo anterior, ou seja um Palo Cortado.

- os vinhos em que a flor não se desenvolveu bem e tem buracos são fortificados acima dos 17%, seguindo para crianza oxidativa como Olorosos.

 

Após esta segunda classificação os vinhos estão prontos para alimentar as criaderas dos diversos sistema de solera.

 

A Crianza.

 

Tanto a Crianza biológica como a Crianza oxidativa se dão em barris de madeira, conhecidos como Botas (barril de 500/600 l, normalmente de carvalho americano), estipuladas com um mínimo de 2 anos de amadurecimento pelo Conselho da Denominação de Origem. Normalmente, entretanto, tal período se estende por muito mais do que isto.

Este amadurecimento se faz num sistema conhecido como Solera, onde os barris são empilhados, na prática ou na teoria (o importante é que se conheça a ordem) uns em cima dos outros, numa pilha vertical de 3 a 7 fileiras horizontais de barris.  A cada ano, se pode retirar até 1/3 do vinho para engarrafamento da fileira do chão (Solera), e a porção extraída é completada pelo barril de cima (1.a Criadera), a qual é completada pelo barril de cima (2.a Criadera) e assim sucessivamente até a última Criadera, conhecida como Sobretablas, que é preenchida com o vinho da segunda classificação completando o sistema. O termo sobretablas serve para denominar o vinho novo que abastece a última fileira homônima.

 

Cada tipo de vinho vai alimentar a criadera especifica, ou seja Fino/Manzanilla, Oloroso e Palo Cortado.

Este sistema garante a estabilidade e a homogeneidade do estilo e da qualidade dos vinhos de Jerez.

 

As Soleras dos Finos/Manzanillas são periodicamente esvaziadas para manter o frescor dos vinhos e as Soleras dos Olorosos podem nunca ser esvaziadas. Normalmente os Finos/Manzanillas amadurecem por um período de 5 anos (2 mínimos). A partir dos 8 anos, com a diminuição de nutrientes, o véu de flor começa a desaparecer, dando origem aos Finos de 3 palmas, ou Finos Amontillados, ou a Manzanillas Pasadas, que podem assim ser engarrafados. Para prosseguir o amadurecimento, é necessária uma nova adição de álcool, elevando o teor para mais de 17%, eliminando a totalmente o véu de flor e iniciando uma crianza oxidativa; isso resulta nos Amontillados.

 

Tipos de Vinhos

Temos 3 grandes grupos de vinhos de Jerez: Generosos, Generosos de Licor e Dulces Naturales.

 

Vinhos Generosos

Fino- Vinho branco seco, elaborado com uva Palomino da região de Jerez e em Crianza Biólogica no Triângulo de Jerez.

Manzanilla- Vinho branco seco, elaborado com uva Palomino da região de Jerez e em Crianza Biológica na cidade de Sanlúcar de Barrameda.

Amontillado- Vinho seco, elaborado com uva Palomino, de coloração variada, pois depende de quanto tempo ficou em Crianza biológica e quanto tempo em Crianza oxidativa. Vinhos muito complexos.

Palo Cortado- Vinho seco, elaborado com uva Palomino, de coloração castanha, com característica mista, tendo a delicadeza aromática do Amontillado e o corpo e complexidade do Oloroso.

Oloroso- Vinho seco, elaborado com uva Palomino, de coloração âmbar escuro, criado exclusivamente em Crianza oxidativa, encorpado e complexo.

 

Vinhos Generosos de Licor

Pale Cream- Elaborado a partir de um Fino/Manzanilla, adoçado pela adição de mosto concentrado/retificado (açúcar de uva), elevando seu teor sacárico para 45 - 115 g/l.

Medium- Elaborado a partir de uma mescla de um vinho generoso (normalmente Amontillado) e um vinho Dulce Natural (ou, mais comumente, mostro concentrado/retificado e corante caramelo), tendo o seu teor de açúcar entre 5 e 115 g/l. Quando tem menos de 45 g/l de açúcar é chamado de meio seco (Medium Dry) e, acima de 45 g/l, de meio doce (Medium Sweet).

Cream- Elaborado a partir de uma mescla de Oloroso com um Pedro Ximénez, tendo um teor de açúcar entre 115 e 140 g/l.

 

Vinhos Dulces Naturales

Pedro Ximénez (PX)- Elaborado com a casta Pedro Ximénez. As uvas são passificadas ao sol e os vinhos são amadurecidos em Crianza oxidativa, tendo a cor muito escura e sendo muito doces, com teor de açúcar acima de 212 g/l.

Moscatel- Elaborado com uvas Moscatel (de Alexandria), passificadas ao sol e amadurecido em Crianza oxidativa, tendo a coloração castanha escura e teor de açúcar acima de 160 g/l.

 

Categorias especiais

Jerez de Añada ou Vintage- vinhos especiais, e raríssimos, de uma só colheita, que amadurecem num sistema de Crianza estática (num só barril, em vez do sistema de solera).

 

Jerez com indicação de envelhecimento

Os vinhos antigos podem ser classificados pela idade em estilos que remetem a 12, 15, 20 e 30 anos.

Estas idades nas Soleras são determinadas através de degustações no conselho regulador, para determinar o estilo em que se enquadram. Não são, portanto, nem uma média nem uma idade fixa, mas sim uma apreciação de estilo. Estes são:

- 12 Anos (12 years)

- 15 Anos (15 years)

- Mais de 20 anos, que são identificados como Vinum Optimum Signatum (VOS), que por coincidência também pode significar Very Old Sherry.

- Mais de 30 anos, que são identificados como Vinum Optimum Rare Signatum (VORS), que novamente por coincidência pode significar Very Old Rare Sherry.

 

  

Uma inesquecível viagem enogastronomica à Espanha.

 

Após concretizar um grupo de 05 enófilos para visitar vinícolas e restaurantes na Espanha, saímos no dia 11/10/2013, sexta feira, as 19:10, num vôo direto da Iberia, com destino a Madri.

Chegamos em Madri as 10:20 do dia 12/10 e fomos direto para o Hotel Petit Palace Lealtad Plaza, bem no centro, praticamente ao lado dos museus.

O dia da nossa chegada coincidiu com o dia nacional da Espanha (ou dia do Hispânico), em homenagem ao dia 12 de outubro de 1492, data do descobrimento da América por Cristovão Colombo.

Madri fervilhando, inúmeros desfiles, transito bloqueado, quase nos impediu de chegar com as malas no hotel.

Acomodados, fomos fazer um tour rápido pelo centro e acabamos visitando o Museu Reina Sofia (Guernica), um rápido almoço e fomos visitar o Museu Sorolla, numa longa caminhada a pé.Reina_Sofia

Museu_Sorolla


















A noite seguimos caminhando entre multidões até a Puerta do Sol e Teatro Real para jantarmos no restaurante El Abrazo de Vergara, que nos surpreendeu pela qualidade da comida e sua excelente relação custo/beneficio. Recomendo.

Um Cava Recadero e um Alion completaram nossa refeição.

Domingo festivo e igualmente movimentado, fomos para visitar o Museu do Prado, impossível, pois a fila tinha quilômetros, tinha a opção da mostra de Velasquez, mas novamente muita fila, desistimos; fomos ver o Museu Tyssen-Bornemisza, mas igualmente lotados; fomos até a Moratin Vinoteca Bistrot para tapear, mas estando fechada, nos acomodamos na La Plateria, que nos atendeu muito bem.

Cava, Verdejo e Mencia completaram a seleção de tapas.

 

Segunda, dia 14/10, com a Van lotada, saímos cedo com destino da Quintanilla de Onésimo, em Ribera del Duero.

Viagem tranqüila, avistando ao longe o Vale de Los Caidos nas proximidades de Guadarrama, passando pela bela Segovia, seguindo até Cuellar, aonde cortei caminho por Cogeces del Monte até Quintanilla de Onésimo, fazendo os 190 Km em duas horas, chegando na Vega Sicilia as 10:00 em vez das 11:00 agendada.

Fomos conduzidos para um espetacular jardim japonês, aonde esperamos um pouco a chegada da Sra.Yolanda Perez, que também estava vindo de Madri para nos recepcionar e conduzir a visita.

Veja Sicilia é um mito e sonho de visita de todos enófilos, ansiosos em desvendar seus segredos, da constância de sua qualidade, que o tornaram referência não somente dos vinhos de Ribera del Duero, mas também dos grandes vinhos espanhóis.

O árduo trabalho no cuidado com os vinhedos, a busca do ponto ideal de maturação, a seleção das uvas, a tecnologia implantada na vinificação, o asseio das instalações, a própria tanoaria, o cuidado do amadurecimento na sala de crianza, o afinamento em garrafas, a eficiência da logística de distribuição/exportação, o cuidado da imagem, tudo somado para a realização de uma lenda, expressa na forma de seus vinhos: Vega Sicilia Único, Vega Sicilia Reserva Especial, Valbueña nº 5; e também Alion, Pintia, Oremus e o Macan, novo projeto de vinhos em Rioja, em parceria com Benjamin Rothschild.

Seguimos para uma belíssima e ancestral casa, ricamente decorada, aonde pudemos degustar os vinhos Pintia 2009, Alion 2009, Veja Sicilia Único 2003 e Oremus Tokaji 5 Puttonyos, todos excelentes, com destaque para o Único 2003, uma mão de ferro em luva de pelica que mereceu 95 pontos na minha avaliação.

 

 

Saímos da Vega Sicilia e fomos direto para a Aalto, aonde Arantxa estava nos esperando para a visita.

A Aalto é moderna, toda asseada, pratica e funcional, com sua vinificação minimalista, baseada em suas excelentes uvas, provenientes principalmente de Aguillera, Moradillo de Roa e La Horra, zonas mais elevadas de Ribera del Duero e na expertise de Mariano Garcia.

Só produz dois vinhos, o Aalto e o Aalto PS (Pagos Selecionados), os quais tivemos o privilégio de provar a safra de 2011, com a presença de Javier Zaccagnini.

Excelentes vinhos, com destaque para o Aalto PS 2011, que mereceu 95 pontos na minha avaliação, sendo o segundo representante de Ribera del Duero, junto com o Veja Sicilia Único 2000, para o painel dos grandes vinhos de Ribera del Duero e Rioja.

 

Saindo da Aalto, fomos para Sardon del Duero, na Abadia Retuerta, almoçar no belíssimo restaurante Vinoteca/Le Domaine, dentro do  hotel de mesmo nome.

Excelente refeição, acompanhadas dos vinhos: Le Domaine Blanco 2012, Abadia Retuerta Seleccion Especial 2009 e Abadia Retuerta Pago Negralada 2010.

 

Em êxtase seguimos para Peñafiel, para acomodarmos no excelente e moderno hotel AF Pesquera, aonde a noite provei uns tapas e umas tulipas de cordeiro, acompanhadas do Pesquera Gran Reserva 1995 e do Pesquera Janus 2003.

Dormir que no dia seguinte tinha mais.

 

Terça, dia 15/10, saímos as 9:00 com destino a La Horra para visitar a Viña Sastre.

A vindima este ano estava muito complicada em Ribera del Duero, pois devido a um inverno rigoroso e tardio, o desenvolvimento natural da videiras tinha atrasado pelo menos uns 15 dias, conseqüentemente tardando a vindima, como podemos ver in loco, já que era dia 15 de outubro e em algumas regiões ainda não tinha sido feita a colheita, visto que as uvas, mesmo com graduação de açucares adequados, não possuíam maturação fenólica adequada, que culminando com alguma chuva nestes dias, fazia o pesadelo de quase todos vitivinicultor de Ribera del Duero.

Foi neste clima que nos deparamos na Viña Sastre; o pessoal da vindima parado, esperando o tempo firmar, para ver se iriam colher ou não neste dia.

Fomos recebido por Eugenio Bayon, que nos mostrou toda a bodega, simples e prática, numa sinergia de tradição e tecnologia, capaz de fazer alguns dos grandes vinhos da Espanha.

Jesus Sastre nos cumprimentou rapidamente, absorvido em suas preocupações de autorizar ou não a vindima.

Fomos para a prova dos vinhos, provando o Sastre Crianza 2010, Pago de Santa Cruz 2010 e Regina Vides 2011, sendo este ultimo muito refinado e elegante, o qual também pontuei com 95 e trouxe uma garrafa para o painel.

Saindo de La Horra e tendo tempo para o almoço, que só abriria as 14:00, resolvi fazer um tour por Olmedillo de Horra, Anguix, Quintanamanvirgo, Boada de Roa e Pedrosa de Roa, aonde só entramos na Pago de Capellanes (sem visita)e paramos na Perez Páscua; sem agendamento, acabamos por ser convidados a visitar a Viña Pedrosa, por Adolfo Peres Herrero e seu pai Adolfo Peres Pascuas, que ainda nos proporcionaram um prova dos vinhos Gavilan Crianza 2010, Pedrosa Crianza 2010, Pedrosa La Navilla 2009 e Pedrosa Gran Reserva 2005.

Enfim fomos para Roa, para o almoço no bonito e acolhedor Asador Nazareno, para provarmos o famoso Lechazo asado; muito bom, muito tenro, o qual acompanhamos com um Pago de Capellanes El Nogal 2009.

Terminado o almoço, já um pouco atrasado, seguimos para a Finca Santa Marta, local da sede a bodega Alonso del Yerro, aonde Miguel Alonso del Yerro nos esperava.

Miguel numa receptividade surpreendente nos levou para conhecer as diversas parcelas de seus vinhedos, nos mostrando a diversidade de solos e exposições.

Depois, voltando a bodega, para uma prova de vários vinhos ainda em barricas e depois na casa de seus pais, a prova de seus três vinhos: Alonso del Yerro 2010, Maria 2010 e seu novo vinho de Toro, o Paydos 2010, todos surpreendentes para quem não conhece a qualidade dos seus vinhos; num aspecto complexo, viril e explosivo o destaque ficou com o Maria 2010, alcançado os 95 pontos, o qual também trouxe uma garrafa para o painel.

Anoitecendo voltamos para Peñafiel, ainda a tempo de matar  a garrafa do Pesquera Gran Reserva que tinha deixado pela metade e que ainda estava ótima.

 

Quarta, dia 16/10, saímos não tão cedo para a visita a Pago de Carraovejas, que tínhamos agendado para as 10:00; errei a entrada e acabei chegando na vinícola por trás, fazendo uma pré-visita a seus vinhedos, principalmente aos de mais altitudes.

Impressionante arquitetura da bodega, como também da sua vista, descortinando uma parte do vale e tendo o castelo de Peñafiel ao fundo.

Uma visita que pareceria burocrática, se mostrou fantástica, com mais de 5 horas de duração, aonde alem de conhecer as instalações, nos buscaram uvas e folhas das variedades Tempranillo, Cabernet Sauvignon e Merlot, para que notássemos as diferenças ampelográficas, suas salas de vinificações, de crianza, visita ao vinhedo Cuesta de Las Liebres, seu mirador, o controle de insetos através de feromonios, seu laboratório, a prova de seus vinhos harmonizados com tapas (Autor e Crianza), a visita a suas instalações de cozinha e restaurante, a prova do Pago de Carraovejas El Anejon Cuesta de Las Liebres 2009, junto com Pedro Luiz Ruiz; outro vinho de destaque, com um nariz fantástico e completamente harmônico em boca, também teve os 95 pontos na minha avaliação.

Já estando com a cota de vinhos de Ribera del Duero lotada, não inclui ele no painel.

Ainda esperamos a chegada das uvas, para acompanhar o processo de recebimento e inicio do processo de vinificação, comprovando que um fiscal do Conselho Regulador de Ribera del Duero, estava presente, conferindo a procedência e o rendimento do vinhedo, que no caso de Ribera del Duero é de no máximo 7 t/ha, mas que muitas bodegas trabalham com rendimento menor, razão de ver tantas uvas descartadas nos chão dos vinhedos.

 

Voltamos ao hotel e a pé fomos para a visita na Bodega Protos, as 18:00, numa visita turística.

Muita bonita a bodega, num contraste entre as velhas instalações e a moderna arquitetura.

Provamos o Verdejo, já velho conhecido, que como sempre não decepciona, e um crianza, também muito bom.

Fora da degustação pedi um Gran Reserva e um Protos Seleccion El Grajo Viejo para degustarmos também, mas rapidinho, pois estava fechando. Rs

Saindo da Protos, uma breve passagem no hotel para um banho e fomos jantar no restaurante Molinos de Palacios, pertinho dali, para novamente provar um Lechazo asado.

Tivemos sorte e tinha Setas (cogumelos), as quais pedimos de entrada, junto com um Ossian Capitel, visto que está bodega do enólogo Pierre Milleman, foi recentemente comprada pela Pago de Carraovejas.

Para mim o Lechazo estava fantástico, que embora não tão tenro quanto ao do Asador Nazareno, estava muito mais saboroso, na minha percepção não ficando somente no sal/água/vinho, mas num sutil tempero de garrigue. Para acompanhar um Mauro Terreus 2010.

 

Dormir que no outro dia tinha de sair cedo para Rioja, numa viagem de 200 km.

Primeira etapa cumprida, próxima etapa: Rioja.

 

Quinta feira, dia 17/10/2013, após tomarmos café e fazer o check-out no hotel AF Pesquera, saímos com destino a Haro, em La Rioja.

Viagem de 210 km, tranqüila, passando por Aranda del Duero, Burgos, seguindo pela AP1 em direção a Miranda del Ebro/Vitoria; eu ia cortar caminho em Pancorbo, pegando a N-232 para Haro, mas na hora, ao ver descortinar na minha frente a belíssima paisagem do Parque Natural Montes Obarenes-San Zadornil e vendo que a estrada entrava num túnel, fiquei curioso para ver o que tinha do outro lado e segui em frente, seguindo pela bela paisagem até Miranda del Ebro e contornando até Haro.

Chegamos na Bodega Lopes de Heredia/Viña Tondoñia um pouco cedo e ficamos aguardando até o começo da visita, as 12:00.

A Lopes de Heredia é uma das mais tradicionais bodegas de Rioja, e faz seus vinhos de maneira mais tradicional possível, recebendo suas uvas ainda em cones de madeira, tipo Gönc, vinificação em toneis de madeira velhas, leveduras naturais, longo amadurecimento de seus vinhos em barricas usadas, etc...

Eles estavam recebendo uvas para a vinificação e a correria era grande, podendo conversar somente um pouco com a enóloga Mercedes Lopes de Heredia.

Percorrido todas as instalações, incluindo a tanoaria,  fomos para a prova do Gravonia Blanco 2004 e Bosconia Reserva 2003.

Tentei comprar uma garrafa do Tondonia Gran Reserva Blanco 1991 e uma garrafa do Tondonia Gran Reserva 1994, mas nos informaram que estes vinhos só podiam ser vendidos, uma garrafa, se comprasse 01 cx do Bosconia Reserva, o que era inviável para mim; com apelo da minha parte, consegui que me vendesse 01 gf do Tondonia Gran Reserva Blanco 1991, para prova ali na bodega.

Eu sempre gostei muito deste Blanco de 1991 (mais que o 1981) e tinha certeza que ele seria o vinho branco que traria para integrar o painel, mas infelizmente, a garrafa provada não estava nos seus melhores, não estando bouchonné, mas também não tendo a vivacidade das outras garrafas que tinha provado. Paciência, coisas dos vinhos.

Chato que sou para tentar aprender com estas situações, ia até interpelar a Mercedes, para que desse sua opinião, mas vendo-a atarefada com os procedimentos do inicio da vinificação, tive o bom senso de não atrapalhar.

Saindo da Tondonia fomos para o centro de Haro tapear, num pequeno circuito conhecido como La Herradura, tendo como opções o Bar Tiriquilla, o Atamauri e o Beethoven; decidimos por este ultimo, mas o Beethoven I, bar de tapas e não o restaurante Beethoven II. Muito bom, nos deliciando com tapas, pinchos e várias raciones de setas, caracoles, bacalao, etc... e provar alguns vinhos: Roda, Dinastia Vivanco e mais alguns em copas, que não me recordo.

 

As 16:00 tínhamos visita agenda na Bodega Muga e para lá fomos, podendo observar na frente da mesma a locomotiva e vagão com o tonel de vinho, meio de transporte de antigamente.

Fomos muito bem recebidos e fizemos todo o recorrido das instalações, a tanoaria, numa mistura de tradição e modernidade.

Separados do grupo, fomos encaminhados para uma sala de recepção ricamente decorada, aonde na ausência do Juan Muga, fomos recepcionados por Jesus Viguera e provamos os vinhos: Muga Blanco Fermentado em Barricas 2012, Muga Reserva 2009, Muga Seleccion Especial 2009, Muga Prado Enea Gran Reserva 2005 e o Torre de Muga 2009, este ultimo alcançando os 95 pontos na minha classificação e comprando um garrafa para meu painel.

Deixando Haro, cortei caminho por Labastida até Ábalos, tendo a belíssima Sierra Cantabria a minha esquerda.

Muito bem acomodados no hotel Villa de Ábalos, jantamos no restaurante do hotel, La Cocina de Merche e aproveitei para conhecer os vinhos que José Luis Castillo elabora, o Empatia Blanco Fermentado em Barrica e o Empatia tinto Vendimia Selecionada.

Cair na cama e desmaiar, que outro dia os serviços começariam cedo, tanto que ao anunciar que teríamos visita as 8:30, no hotel nos anunciaram que ninguém recebia nesta hora e o café da manhã era somente após as 09:00. rs

 

Sexta feira, dia 18/10/2013, saímos cedo para Páganos, para visita na Bodega Viñedos de Páganos, do grupo Eguren.

Chegamos as 08:30, mas nos informaram que o Alberto Saldón estava nos esperando na Bodega San Vicente, em San Vicente de Sonsierra; aproveitamos para ver rapidamente os vinhedos El Puntido e La Nieta e tocamos para San Vicente, uns 20 minutos dali, retornando por Ábalos.

Alberto nos esperava na entrada da bodega, que fica dentro de San Vicente, e numa rápida visita nos mostrou as instalações, que tinha recebido as uvas no dia anterior e estava em processo de vinificação.

O grupo Eguren possui 06 bodegas, sendo 04 em Rioja (San Vicente, Sierra Cantábria, Viñedos Sierra Cantábria e Viñedos de Páganos), uma em Toro (Teso La Monja) e a Dominio de Eguren, que produz vinhos com uvas da região de La Mancha (Vino de La Tierra de Castilla)

Após o recorrido, fomos para a prova dos vinhos, que seria o meu café da manhã: Sierrra Cantábria Reserva 2007 (91 pontos), San Vicente 2008 (93), La Nieta 2009 (95+), Finca El Bosque 2009 (94) e o Alabaster 2010 (96).

O La Nieta e o Finca El Bosque são sensacionais, mas eu me rendi ao Alabaster 2010, um vinho de vinhedos de 145 anos, préfiloxérico, que contraria o que se esperava da DO Toro, potente sim, mas com uma finesse contagiante, uma acidez quase sápida, muito equilibrado, taninos finíssimos e muito agradáveis, evolução em taça excelente, um retrogosto delicioso e prolongado, complementando o conjunto. Espetacular.

Eu particularmente gosto muito dos vinhos de Teso La Monja, tanto do Vitorino (R$ 400,00), como do Almirez (R$ 190,00), que são versões mais econômicas que os E$ 130/R$ 1.300,00 do Alabaster.

Acabei depois comprando um La Nieta 2010 na Vilaviniteca para integrar o meu painel, já que não podia colocar o Alabaster, pois não vistamos Toro.

 

Terminada a visita, um pouco atrasados, seguimos para a Finca Allende em Briones, do outro lado do Ebro.

Sem indicação do nome da bodega no prédio, acabamos entrando pelo fundo, área de recepção das uvas, sendo orientados para contornar e entrar pela frente, aonde Nathalie, com um ar cansado nos esperava.

Recepção fria, numa visita enfadonha, quase deu vontade de desistir, mas prosseguindo, subimos até um belo mirante, vendo descortinar a nossa frente todo o vale do Ebro, com a Serra Cantábria ao fundo.

Fomos para as provas dos vinhos e acabamos provando uns 9 rótulos, com destaque para Allende Branco, o Calvário e o Aurus; como o Allende Blanco foi o melhor vinho branco que tinha provado até agora nesta excursão, acrescentei ele ao meu painel.

 

Retornamos a Páganos, para almoçar no restaurante do Hector Oribe, o qual se mostrou muito bom, com uma sequência de pratos muito bem conseguidos e saborosos e um preço bastante razoável pela qualidade da comida e do serviço. A não perder. Uma garrafa de vinho branco e uma de tinto, que não me recordo os  nomes, completaram a nossa refeição.

 

Saindo de Páganos seguimos para Oion, pertinho de Logroño, para a visita a Bodega Faustino, mas Javier Perez acabou tendo um contratempo e não pudemos fazer a visita, já que era final de tarde de sexta e não tinha ninguém para nos conduzir na visita.

Como tinha pessoas aqui de Piracicaba que não participaram da degustação dos Faustino de Itaipava, e de tanto ouvirem falar do Faustino Gran Reserva 1964, comprei um garrafa do mesmo para integrar o meu painel, mas não deram/dei sorte, pois esta garrafa quebrou na mala (junto com um Chave Hermitage Blanc 2003), mesmo estando embalada em papel bolha e roupas, visto que a mala de policarbonato quase furou ao ser jogada de encontro a uma superfície pontuda. Prejuízo.

Voltamos para Ábalos para um passeio a pé pelas cercanias da cidadezinha, circulando entre vinhedos ao cair da tarde, num belíssimo por do sol  e depois uma breve visita a bonita igreja de San Esteban.

A noite fui na pracinha, aonde um único bar, reunia praticamente todos os moradores da cidade, com seus filhos brincando alegremente, enquanto seus pais bebiam uma copa de vino ou uma cerveja, numa conversa animada.

Pedi uma copa do vinho da casa, joven, frutado e fiquei bebericando e observando o movimento do povo.

Cansado, fui dormir.

 

Sábado, dia 19/10/2013, retornamos até Laguardia para visitar a Bodega Ysios.

Bodega de arquitetura impressionante, muito bonita.

Visita turística, com o atrativo que tinha umas 10 crianças juntas, que ficou engraçado pelo inusitado da mesma; criança em cima das barricas tirando fotos, criança correndo, de olho para não cair junto ao remonte, os pais cerca uma, a outra escapa. Rs

Depois da visita, fomos para a prova de dois vinhos: Ysios Reseva 2006 e Ysios Essencia 2007, muita badalação, fashion e marketing, mas pouco vinho.

De Laguardia fomos para Elciego, aonde tinha agendado almoço na Marques de Riscal.

Muita bonita a Ciudad del Vino, com a sua arquitetura surpreendente.

Como chegamos um pouco cedo, nos acomodamos no terraço do hotel, com a bela paisagem da cidade a nossos pés e a Sierra Cantábria ao fundo.

Eu já tinha reservado o menu Chirel do restaurante e harmonizado com o Marques de Riscal Finca Montico, O Marques de Riscal Limousin e o top da casa, que eu não conhecia, o Gehry Selection 2001.

Pedi que servisse o Finca Montico no terraço, excluindo-o do almoço.

Muito bonito o restaurante, e o menu Chirel de 8 passos foi sendo servido: Tejas de pipas y pan de aceitunas negras (muito bom), Suero de tomate a modo de cerveza (inexpressivo), Caviar de vino tinto (inexpressivo),Sardina, pan y queso (bom), La croqueta del Echaurren (bom), carpaccio de gamba roja sobre tartar de tomate y ajoblanco (muito bom), cigalas (lagostim) sobre uma base de almendras y um fondo de crema de puerros (muito bom), remolacha asada a la sal sobre tierra, tallarines de sépia y esfera de yogurt (médio), Cocochas em caldo untuoso com patata, panceta y perejil (médio), Láminas de bacalao com um ligero gusto de parrilla, siemprevivas y carbón (médio), Pichón (pombo) asado al momento sobre concassé de pêra y lima (muito bom), Mojito com plátano y menta (médio), Tosta templada com queso Cameros, manzana y helado de miel (bom), Petits fours (inexpressivo).

Alguns pratos bem conseguidos, outros nem tanto, está longe de ser uma cozinha de referência.

Os vinhos do Marques de Riscal não são caros e não tive a preocupação de checar os preços dos mesmos; qual não foi a minha surpresa ao ver a conta e constatar que o Gehry custava a bagatela de E$ 350, num vinho que na minha avaliação não passava dos 93 pontos, devia ter escolhido um Marques de Riscal Gran Reserva 1994. Mea culpa feita, serviu de lição de não pedir nada sem saber o preço.

Total do menu/vinho- E$ 180 por pessoa.

 

Voltamos para Ábalos por Villabuena de Alava, passando pelas bodegas Izadi e Luis Cañas e seguindo até a Bodega Puelles, aonde Jesus Puelles nos recebeu cordialmente.

Pequena e bonita bodega, praticamente encravada no sopé da Sierra Cantabria, na qual pudemos ver as instalações no antigo moinho, seus vinhedos, a construção de uma moderna bodega e a prova de seus vinhos: Joven, Crianza, Reserva, Gran Reserva e Zenus; este ultimo comprei uma garrafa.

Saindo da Puelles, ao entardecer, subimos por uma estradinha de terra até os 850 m na Sierra Cantábria, no camino de la ermita de La virgem de La Rosa, aonde pudemos ver todo o vale do Ebro, com as cidadezinhas de Bastida, Pecina, Ábalos, Samaniego e San Vicente de Sonsierra abaixo de nós.

Escurecendo e umas nuvens mais pesadas se formando, o bom senso nos enviou de volta aos 600 m de Ábalos.

Check-out feito, o jeito era descansar e ter um bom sono, pois no dia seguinte seriam 420 km até o Priorat e teria de sair cedinho.

O ruim destas viagens é ter de acordar cedo. Rs

 

 

Domingo, 20/10/2013, saímos cedinho de Ábalos com destino a Porrera, no Priorat, numa viagem direta de 420 km, passando por Logroño, Zaragoza, cortando caminho em Fraga e seguindo por Serós, Flix, seguindo o curso do rio Ebre até Mora d’Ebre, e daí seguindo até Falset e adentrando pelas curvas do Priorat até Porrera.

Chegamos cedo a Porrera, as 12:00, num percurso de 5 horas, e seguimos até a pracinha, aonde situa-se a Sangenís I Vaqué, e como combinado anteriormente, se chegássemos cedo faríamos a visita as 12:30 em vez das 16:00 agendada.

Antes da visita, pudemos ver a localização da Celler Vall Lach, que estava fechada.

Pere Sangenís nos mostrou todo o processo de vinificação, onde estavam fazendo o remontado duas vezes ao dia, e fomos para a prova dos vinhos, que poderia dizer que se encaixavam na escola tradicional do Priorat: Lo Costers Blanc 2011, Porrera 2008, Dara 2008, Vall Por 2004, Coranja 2000, Clos Monlleó 2000 e Sinfonia del Dulç 2007.

Muito bons vinhos e este ultimo, por sua atipicidade, pois foram elaboradas somente 800 garrafas dele, trouxe uma garrafa para o painel do Priorat.

É um vinho doce natural, de Garnacha e Cariñena, de uvas passificadas no pé, envelhecido em barricas, com 15,5% de álcool e ainda uns 70 g/l de açúcar residual.

Depois da visita, passamos na loja Vinum e um breve descanso na frente do Bar Carl Carlet, seguimos para o restaurante La Cooperativa, a poucos metros dali.

Muito bom restaurante, numa cozinha tradicional de cocção lenta: Amanida de Ruca amb Foie i confitura de Figues, Flam de porros amb salsa de gorgonzola, Arrós Salvatge amb Favetes, Assortiment d’iberics a La brasa amb confitura de pebrot escalivat (secreto, pluma e presa), Llom de Bacallá a la llauna, Lagostins amb salsa d’ ametlles.

Para beber um Marco Abella Olbia 2012 e um Clos Mogador 2009; eu ainda comprei um NIT de Vin 2011 para o meu painel.

Saindo de Porrera nos dirigimos para Torroja del Priorat, para nos acomodarmos no hotel Cal Compte, bem no centro da pequena cidade, aonde a Van quase não conseguiu chegar de tão estreitas as ruelas.

Bem acomodados, pudemos curtir o belíssimo por do sol sob as montanhas do Priorat.

 

Segunda, 21/10/2013, saímos cedo até Scala Dei para dar uma olhada no monastério, mesmo sabendo que estava fechado; muito bonito, praticamente encravado na montanha.

Dali seguimos para Poboleda, para a visita a Mas Doix, onde Valenti nos esperava e nos conduziu para uma visita a um vinhedo, que considera emblemático, tanto de solo (licorella), como de exposição (leste). A curiosidade deste vinhedo é que o solo deste foi tombado e o sentido da extratificação da licorella está em sentido vertical e não no horizontal, permitindo o aprofundamento das raízes das vinhas em busca de nutrientes em até 15 m. As videiras centenárias (1902) estão plantadas em vasos e nos vinhedos ao lado já estão plantadas em patamares, com videiras mais jovens.

E ao atingir o seu cume a 400 m de altitude, na exposição oeste nos deparamos com sua vegetação original arbustiva, bastante aromática (madresilva, menta, açucena, etc...), podendo ver Poboleda ao fundo.

É das uvas deste vinhedo (Garnacha e Cariñena) que se produz o Doix e a edição especial 1902, um vinho 100% Cariñena.

A safra de 2013 foi muito boa para o Priorat.

Depois desta didática visita ao vinhedo, fomos para a visita as instalações da bodega e a prova de vinhos: Les Crestes 2011, Salanques 2010 e Doix 2010, o qual comprei uma garrafa para o meu painel.

Diria que os vinhos da Doix são num estilo mais moderno do Priorat.

Terminada a visita seguimos por entre as curvas do Priorat para Cornudella de Monstsant e dali até a cidadezinha de Siurana, a 730 m de altitude e uma paisagem deslumbrante sobre o pequeno cânion do rio Siurana e as matizes de cores de suas formações rochosas. Fantástico.

Almoçamos no restaurante Siurana, muito bom. Como não era época de calçots, pedimos umas Setas a la plancha, ensalada de Siurana, Alpargata (tostada com escalivada y anchoa), Bacalao ao estilo de la casa, costillitas de cabrito a la brasa e paletilla de cordero al horno.

Uma Cava Canals& Canales Brut Nature e um vinho tinto Castillo di Siurana Selecion Costeros acompanharam  a refeição.

Uma bola de sorvete de mandarina e uma dose de Ratafia completaram a refeição.

Saimos de Siurana e seguimos para Torroja, voltando por La Morera de Montsant (800 m), Escaladei e Torroja, chegando pontualmente as 16:00 na Terroir al Limit, aonde Dominik Huber nos esperava e rapidamente nos conduziu pela montanha, para o topo do vinhedo Les Tosses, de solo licorella, 100% Cariñena centenárias.

Voltando para o bodega Terroir al Limit, pudemos ver o processo de vinificação e provar alguns de vinhos ainda em tanques/foudres, toneis.

Dominik está para o que denomino de artista, com muito cuidado na vinha, mas indo em sentido contrário a sobre maturação das uvas e baixo rendimento, procurando ter vinhos fluidos, com baixo teor alcoólico, boa acidez natural  e expressão de mineralidade; na cantina procura intervir pouco, pouca barrica nova e mais foudres inertes, incansável na busca de frescor e personalidade em seus vinhos.

Para mim um novo estilo no Priorat e que deve levar os seus vinhos brancos a um patamar que poderá igualar ao prestigio de seus tintos.

De seus vinhos, todos bons, para mim destaca o Pedra de Guix Blanc 2011, o Arbossar 2010, o Les Tosses 2011 e o grande Les Manyes 2008 e 2010.

Trouxe uma garrafa do Pedra de Guix 2011, uma do Les Manyes 2010 e uma garrafa do azeite Caragols (azeitonas Rojala, Arbequina e Farga) para o meu painel.

 

Terça, dia 22/10/2013, saímos cedo de Torroja, com destino a Sant Sadurni D’Anoia, em Penedés, numa bonita e tranqüila viagem de 120 km, atravessando Réus, contornando Tarragona e passando por Villafranca de Penedés.

Chegamos no horário na Bogeda Juvé y Camps em Sant Sadurni, esperando um pouco a chegada do Oriol, qua acabou nos levando conhecer a nova bodega no bairro de Espiels.

Grandiosa e moderna bodega, com tanques enormes, galerias de repouso das garrafas, pulpitres, etc... conhecendo todo o processo da elaboração dos cavas.

Depois de volta as instalações antigas em Sant Sadurni D’Anoia, provamos o  Cava Reserva de Familia e o Gran Juvé Gran Reserva 2007, a qual colocarei no meu painel.

Saindo da Juvé y Camps fomos até o restaurante La Cava D’en Sergi, aonde tinha reserva para o almoço.

Bom restaurante, mas como tínhamos visita as 15:00, optamos pelo menu diário, com uma entrada, um prato principal e sobremesa.

Um Cava e um tinto acompanharam a refeição.

Um pouco atrasados fomos à visita a Gramona, aonde o enólogo David Piqué nos mostrou todas as instalações, com destaque para o fechamento das garrafas com rolhas de cortiça e grampo, em vez das tampinhas coronas e as soleras onde se processa o seu licor de expedição.

Provamos a Gramona Imperial Gran Reserva, a Gramona III Lustros Gran Reserva, a Gramona Argent Rosé e a Gramona Gran Reserva Celler Batlle 2002, a qual trouxe uma garrafa para o meu painel.

 

Terminada as visitas as bodegas, seguimos  para Barcelona, sendo complicado chegar ao hotel Barcelona Catedral, visto que as vielas estavam interditadas para chegar até a praça catedral.

Deixando a Van num estacionamento próximo, levamos as malas por uns dois quarteirões até o hotel Barcelona Catedral, aonde nos instalamos e um banho reparador me aliviaria do cansaço.

A noite, quente, numa Barcelona fervilhante de pessoas e turistas, nas praças e nas ramblas, seguimos por vielas cheias de fotógrafos até o Sensi Bistrô, lotado, mas que tinha a nossa mesa reservada; deixamos o menu por conta do dono, numa sequencia de croquetas, setas, calamares, tartar de atum com maionese de gergelim, ventresca de atum, Duck Timbale e sobremesas. Muito bom. Recomendo.

Eu ainda fui num concerto de jazz no ótimo Jamboree e estiquei no dance club até madrugada adentro.

 

Quarta feira, dia 23/10/2013, dia livre, aonde fui na Vilaviniteca comprar alguns vinhos e aproveitei para comer uns tapas lá mesmo, queijos diversos, um ótimo pata negra joselito Gran Reserva, junto com umas copas de vinhos e uma garrafa do Pardas Collita Rojas, vinho com a uva Sumoll negro, que eu não conhecia.

A tarde fui até o aeroporto, entregar a Van na GoldCar e a noite fomos no restaurante La Estrella, quase na ronda litoral.

O restaurante prometia, e as entradas de setas e aspargos nos animou, mas o primeiro prato de bacalao deixou um pouco a desejar no sabor, os Calluts do delta d’Ebre, diferentes, até hoje não sei se gostei ou não?, o meu pezinhos de porco dessosado com migas e coentro estava muito bom. Bom, mas esperava mais.

Bebemos um vinho branco e um tinto que não me recordo quais foram

Aproveitei a noite para conhecer o Ocaña e seu ótimo Mojito e depois esticar um pouco no seu dance clube e passando novamente pelo Jamboree.

 

Quinta feira, dia 24/10/2013, dia livre, aonde aproveitei para comprar mais alguns vinhos que estavam faltando na minha lista.

A noite fomos jantar no restaurante Lasarte, do Martin Berasategui, tendo a frente o Chef Paolo Casagrande, o Maitrê Joan Carlos Ibañez e o Somellier Antonio Coelho.

Bonito restaurante, mas que na verdade não exigia o traje formal que fomos.

Tinha a opção de 3 menus:  menu Lasarte, menu degustación e a La Carta, só que todos da mesa tinha de pedir o mesmo menu.

Pedimos o menu Lasarte, de 8 passos a E$ 115. 

- Atún en crudo al balsámico, con minestrone fría de verduras, infusión de manzana verde y su sorbete de albahaca

- Ravioli de cigala con yogurt a las finas hierbas, jugo espumoso de jamón y albahaca

- Foie-gras asado en algas con caldo de soja fermentada, citronelle, cuajada de raifort y sal de avellanas 

- Denton del Mediterráneo, bombón líquido de pescados de roca al azafrán y salsa gribiche

- Solomillo de vaca asado, terrina de patata, tocineta ibérica a la flor de sal y mostaza

- Cremoso al miso y chocolate blanco, gelée de miel con helado de pera y yuzu

- Frutos rojos del bosque al ron con helado de coco

- Petit Fours

 

Tinha a sugestão de vinhos harmonizados a E$ 65 cada, mas preferi eu mesmo escolher os vinhos:

- Pazo de Señorans Selección de Anada

- Pedra de Guix 2011

- Aalto PS 2010

- Henriques & Henriques 10 anos Sercial

- Bacalhoa Moscatel Roxo de Setubal

Total da conta E$ 200 por pessoa.

Fantástico, valeu cada euro.

Desta vez não estiquei a noite e desmaiei na cama.

 

Sexta feira, dia 25/10/2013, dia livre, com a Plaza Catedral lotada, já que teria inicio do Rally RACC Catalunya Costa Daurada 2013, com a largada em frente da Catedral, as 18:00, mas que os preparativos levaram o dia todo.

Eu fui almoçar no Pasadis del Pep, indo numa seqüência de raciones, muito boa.Recomendo.

Pedi uma garrafa de Milmanda para acompanhar.

A noite tínhamos reserva no restaurante Con Gracia, perto da Sagrada Famillia, mas cansados, resolvemos ficar por ali mesmo e acabamos indo jantar no restaurante japonês Sinjunku, que tirando um tempurá de camarão que estava ótimo, o resto era bem mediano. Serviço muito ruim também.

 

Sábado, dia 26/10/2013, fazer check-out e pedir um táxi para o aeroporto, aonde um senhor muito simpático fez milagre ao conseguir colocar 08 grandes malas na SUV e ainda 04 passageiros.

Lembrei da piada, que era só dizer que não cabia, que espanhol, teimoso, daria um jeito de caber. Rs

Pegamos o vôo as 17:45 até Madri e depois o vôo das 00:35 para Guarulhos, chegando as 07:20, cansados, mas com sensação de que valeu a pena.

 

Até a próxima.

 

Abs,

Luiz Otávio

 

Vinhos da Espanha

A Espanha é um dos lideres mundiais na elaboração de vinhos,  possuindo a maior área de vinhedos do mundo, com seus 1,1 milhões de hectares e ocupa a terceira posição na produção de vinhos, com 35 milhões de hectolitros.

A vitivinicultura espanhola ao longo destes 30 anos tem-se modernizado, e ao lado de seus vinhos tradicionais apresenta-se dinâmica e diversificada, nos brindando com vinhos de todos os estilos, dos alegres e frutados aos grandes vinhos de topo mundial.

 

O sistema de classificação regional dos vinhos espanhóis.

Temos 3 tipos básicos de classificação dos vinhos espanhóis:

1- Vinho de mesa- Básicos, aonde não se pode indicar no rótulo a região, a uva e a safra.

54% dos vinhos espanhóis se situam nesta classificação.

2- Vinhos com Indicação Geográfica Protegida- São os denominados Vino de la Tierra, aonde temos 43 zonas demarcadas, com destaque para os Vino de la Tierra de Castilla e os Vino de la Tierra de Castilla y León.

7,5% dos vinhos espanhóis se situam nesta classificação.

Seguem regras menos rígidas que as DO, aonde 85% das uvas tem de ter procedência da região indicada no rótulo.

3- Vinhos com Denominação de Origem Protegida- São vinhos cuja qualidade e características são essencialmente e exclusivamente devidas a sua origem geográfica, com seus fatores humanos e culturais inerentes.

38,5% dos vinhos espanhóis se situam nesta classificação, espalhados por 85 zonas demarcadas.

Dividem-se em:

- D.O.Ca- Denominación de Origen Calificada- 02

a) Rioja

b) Priorat)

 

- D.O- Denominación de Origen- 67

 

- Vino de Pago Calificado- nenhuma

 

- Vino de Pago-14 (8 em Castilla-La Mancha, 3 em Navarra, 2 na Comunidade Valenciana e 1 em Aragón).

a) Arianzo- Navarra- Bodega Arianzo

b) Campo de La Guardia – Castilla La Mancha)- Bodega Martue

c) Casa del Blanco- Castilla La Mancha- Bodega Pago Casa del Blanco

d) Dehesa del Carrizal- Castilla La Mancha- Bodega Dehesa del Carrizal

e) Dominio de Vadepusa- Castilla La Mancha- Bodega Dominio de Vadepusa

f) El Terrerazo- Comunidad Valenciana- Bodega Mustiguillo

g) Finca Élez- Castilla La Mancha- Bodega Manuel Manzaneque

h) Florentino- Calstilla La Mancha- Bodega Pago Florentino

i) Guijoso- Castilla La Mancha- Bodega Sanches Moliteano

j) Los Balagueses- Comunidade Valenciana- Bodega Los Balagueses

k) Otazu- Navarra- Bodega Pago Otazu

l) Pago Aylés- Aragón- Bodega Pago Aylés

m) Pago Calzadilla- Castilla La Mancha- Bodega Pago Calzadilla

n) Prado de Irache- Navarra- Bodegas Irache

 

- Vino de Calidad com indicación geográfica- 6 (3 Castilla Y León, 2 Andalucia e 1 Asturias)

a) Cangas- Asturias

b) Granada- Andalucia

c) Lebrija- Andalucia

d) Sierra Salamanca- Castilla y León

f) Valles Benavente- Castilla y León

g) Valtiendas- Castilla y León

Destaque para as DOCa Rioja e Priorat e para as DO Cava, Ribera del Duero, Toro e Jerez/Manzanilla.

 

As variedades de uvas mais comuns na Espanha são:

- Brancas- Airén, Pardina, Macabeo (Viura) e Palomino.

- Tintas- Tempranillo, Bobal, Garnacha tinta e Monastrell.

As DO Rias Baixas, Valdeorras, Rueda, Bierzo e Montilla-Moriles vem ganhando bastante notoriedade com suas uvas autóctones de Albariño, Godello, Verdejo, Mencia e Pedro Ximénez respectivamente.

Tambem as castas internacionais, como a Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Sauvignon Blanc e Chardonnay vem sendo utilizadas nas suas diversas regiões, principalmente nas regiões de La Mancha, Navarra, Rueda e Catalunha.

 

O sistema de classificação dos vinhos por tempo de amadurecimento e envelhecimento. Inicialmente na DOCa Rioja, e hoje cada vez mais adotada pelas demais DO, o sistema de classificação dos vinhos espanhóis leva em conta o tempo de amadurecimento (nas barricas de carvalho) e do tempo de envelhecimento  (nas garrafas), alem das características organolépticas de cada tipo de vinho, que é verificado pelos Consejo Regulador de cada denominação.

Os 04 tipos de classificação para os vinhos tintos são:

Joven- Vinhos jovens, sem passagem por barrica, ou com tempo insuficiente para se classificar como Crianza, e que conservam suas características primárias, de frescor e frutado.

Crianza- Vinhos com pelo menos dois anos de estágio, dos quais ao menos 06 meses (em Rioja são 12 meses) em barricas de carvalho e complementado pelo envelhecimento em garrafas.

Reserva- Vinho superior das melhores safras, com pelo menos três anos de estágio, dos quais ao menos  12 meses em barricas de carvalho e complementado pelo envelhecimento em garrafa.

Gran Reserva- Vinho superior de safras excepcionais, com pelo menos cinco anos de estágio, dos quais ao menos 24 meses em barricas de carvalho e complementado pelo envelhecimento em garrafa.

 

Como podemos ver, podemos encontrar vinhos espanhóis de todos os estilos, para todas as ocasiões e para todos os bolsos, aonde podemos nos deparar com vinhos de excelente custo/beneficio em todas as suas faixas de preço.

Não deixe de conhecer e provar estes vinhos e se encante com um Jerez Fino acompanhando um Jamon; com a alegria borbulhante de um Cava;  o frescor de um Albariño, um Rueda ou um Godello acompanhando uns mariscos ou um polvo a galega; dos tintos leves e frutados a base de Tempranillo, Bobal ou Monastrell a acompanhar uma Paella mista; dos clássicos Rioja, Ribera del Duero, Toro com seus diferentes nomes para a Tempranillo, que com seu sabor de frutas vermelhas e um tostado maravilhoso farão par perfeito para um cordeiro ou um leitão assado; os grandes vinhos do Priorat, com a garnacha e homens ajoelhados na pizarra e olhos para o céu, exprime no seu iodado/terroso o significado da devoção a um Terroir; a excelência das castas francesas, seja em Conca de Barbera, Navarra ou Malpica.

 

Vinho, na sua diversidade está o seu encanto; no compartilhar com a família e os amigos, a felicidade; acompanhado de um boa refeição, o deleite; não é a toa que faz bem para o corpo e para alma.

 

Saudações,

Luiz Otávio


DO Cava

A Do Cava não é definida geográfica, mas sim pelo método de elaboração (Tradicional com segunda fermentação em garrafa) e outras normas definidas pelo Consejo Regulador e são produzidas nas seguintes comunidades:

1-      Catalunya, concentra mais de 95% dos Cava produzidos:

A)     Barcelona- 63 municípios

B)      Tarragona- 52 municípios

C)      Lleida- 12 municípios

D)     Girona- 05 municípios

2-      La Rioja- 18 municípios

3-      Pais Basco- 03 municípios

4-      Aragón- 02 municípios

5-      Navarra- 02 municípios

6-      Extremadura (Badajoz)- 01 município

7-      Comunidade Valenciana (Valencia)- 01 município

8-      Castilla y León (Burgos)-Bodega  Peñalba Lopez

 

Em 2012 foram 32.355 hectares de vinhas inscritas para produção de uvas para a elaboração de Cavas, distribuídas nas seguintes variedades:

1-      Macabeo (Viura)- 11.390,04

Macabeo- cruzamento da Heben (Gibi) com a Brustiano Faux

2-      Xarel-lo- 7.970,66

3-      Parellada- 7.044,40

4-      Chardonnay- 2.902,87

Chardonnay- cruzamento da Heunisch Weiss (Gouais Blanc) com a Pinot

5-      Garnacha tinta- 1.075,74

6-      Trepat- 1.004,23 (somente para Rosé)

7-      Pinot Noir- 865,62

8-      Subirat Parent(Malvasia Riojana)- 73,25

       Subirat Parent- cruzamento da Heben com a Tortozon (Rojal tinta X Heptakilo).

9-      Monastrell- 28,49

 

Em 2012 tiveram 253 empresas elaborando Cavas, com uma produção de 243.232 mil garrafas (182.422 hl), sendo destinadas 161.407 mil garrafas para o mercado externo e 81.825 mil garrafas para o mercado interno.

É interessante notar a evolução da produção e de mercado, aonde em 1990 foram elaboradas 139.726 mil garrafas (92.500 mercado interno e 47.226 externo); em 2000 foram elaborados 196.751 mil garrafas (99.732 mercado interno e 97.019 externo).

Podemos observar um aumento consistente na produção de Cava, aumento este absorvido pelas exportações, já que o consumo interno mais ou menos se estabilizou na ordem de 85/90 milhões de garrafas.

 

Desta produção, 209.622.542 garrafas foram do tipo Crianza (9 meses ), 29.078.424 garrafas do tipo Reserva ( 15 meses) e 4.531.057 garrafas do tipo Gran Reserva (30 meses)

Sds,
Luiz Otávio



Vinhos da Espanha.
Por Carlos Delgado no El Pais

A Espanha é um pais de grande tradição vitivinicola, e em certas ocasiões, de notáveis inovações.
Conquistamos os mercados com as nossas variedades de maior prestigio, nomeadamente a gloriosa Tempranillo. Mas os tempos mudam, os gostos evoluem e os mercados do vinho sãoc ada vez mais exigente e competitivo.
Hoje, reestruturado o vinedo e reconvertido tecnologicamente as bodegas, o maior desafio para um vinho é ter a sua própria personalidade. O caminho para conseguir isto passa por resgatar o Terroir e recuperar castas autóctones até então neglicenciadas, mal faladas ou proscritas.
Este caminho tem sido entendido por alguns produtores com visão e audácia empresarial, que se empenharam para a dificil tarefa de recuperação de lagumas variedades pouco cotadas, muitas ameaçadas de extinção.
Há de exemplos de precaução, tais como a Garnacha em La Rioja, usada profusamente, para em seguida ser menosprezada, e agora valorizada novamente.
Há exemplos tambem no Priorat e Montsant, onde a partir de vinhas velhas tem se conseguido vinhos extraordinários.

A estes casos de sucesso podemos acrescentar o maiorquino Callet, o valenciano Mandó, a tenerifiana Baboso, a galega Caiño, a austuriana Carrasquín, a leonense Prieto Picudo, a salamanca Juan Garcia, enfim uma lista que não para de crescer e já inclui mais de 20 variedades nativas.

Felizmente a grande maioria das DO espanholas acabou aceitando as suas uvas menos expressivas e que podem fazer a diferença para conquistar o consumidor com sua grande personalidade.

 

Segue abaixo 22 variedades tintas e as regiões aonde podem ser encontradas:


 

1-    Baboso Negro
Variedade das Canárias, com cacho muito compacto, de maturação precoce, que pode gerar alto teor alcoólico. Pode dar origem a grandes vinhos, muito tânico e aveludado, com paladar ligeiramente doce.

Exemplares: DO El Hierro

 

2-    Bobal
Variedade ancestral na área entre La Mancha e Valência, com cacho pequeno e compacto. Dá origem a vinhos muito retintos, alta acidez e baixo teor alcoólico.

Exemplares: DO Valencia

 

 Brunal

Variedade tinta de cacho pequeno e escuro, com película azul escuro, polpa dura, não colorida e com sabor bem peculiar.

Exemplares: DO Arribes del Duero

 

4-    Caiño

Variedade galega, pouca produtiva e de maturação tardia, resultando em vinhos vermelho rubi, de boa acidez e sabores frutados muito intenso.

Normalmente usado em corte com outras uvas para aportar estrutura ao vinho.

Exemplares: DO Rias Baixas

 

5-    Callet

Cepa originária de Mallorca (Felanitx), vigorosa, com cachos bastante compactos, dando origem a vinhos com aroma frutado intenso e particular, concentrado e persistente. Podem também se apresentar com caráter rústico se não bem elaborado.

Exemplares: Vino de la Tierra de Baleares

 

6-    Cariñena

Variedade oriunda do Campo del Cariñena, se cultiva com excelentes resultados em Priorat e La Rioja.

Origina vinhos de coloração intensa, boa acidez e intensos aromas florais e frutados.

Tambem conhecida como Mazuela.

Exemplares: DOCa Priorat

 

7-    Carrasquín

Variedade exclusiva da Asturias, com cachos médios e formato esférico, dando uvas vermelhas escuras de pruína azuladas, que quando amadurecem bem e procedem de vinhedos de vinhas velhas, origina vinhos tintos leves e frescos, complexos  e de elegante frutosidade.

Exemplares: Vino de la Tierra de Cangas

 

8-    Garnacha Tinta

É a variedade tinta mais popular na Espanha, devido ao seu vigor, facilidade de cultivo e boa produtividade. Origina vinhos aromáticos, muito frutados, paladar fresco e agradável, cobrindo uma ampla gama de tipos.

Exemplares: DO Campo de Borjas

 

9-    Garnacha Tintorera

Variedade tinta de cultivo ancestral em Alicante. Seus vinhos tem uma cor intensa e importante extrato, são equilibrados, concentrados, frutados e muito saborosos; alcançam um alto teor alcoólico.

Exemplares: DO Almansa

 

10Graciano

Variedade de uvas redondas e de coloração negra que dá origem a vinhos de cor intensa e elevada acidez, de muita personalidade, nervo e potencial de envelhecimento.

Exemplares: DOCa Rioja

 

11Juan García

Variedade de Arribes del Duero. Origina vinhos de teor moderado de álcool (12%), rosados e tintos; tambem usado em cortes para complementar com outras variedades.

Exemplares: DO Arribes

 

 Listán Negro

Variedade das Canárias, muito vigorosa, cachos médio, formato regular e alto potencial de açúcar; muito apropriado para a elaboração de vinhos doces.

Exemplares: Tacoronte-Acentejo

 

13- Maturana Tinta

Variedade Riojana praticamente extinta e recuperada por Viña Ijalba. De frutos muito pequeno, produz vinhos bem dotado de cor, álcool, estrutura e acidez.

Exemplares: DOCa Rioja

 

14- Mencia

Há diversas teoria sobre a sua origem, a mais generalizada é que é uma cepa da Galicia e do norte de León. Origina tintos de cor púrpura, com aromas elegantes, levemente frutado e um bom equilíbrio de álcool e acidez.

Exemplares: DO Bierzo

 

15- Monastrell

Uva tinta, largamente difundida pelo litoral Mediterrâneo, que origina tantos vinhos secos, como doces de alto teor alcoólico, como o Fondillón de Alicante.

Exemplares: DO Alicante

 

16- Negramoll

Variedades das Canárias, bem adaptada, de cachos e vigor médio, com baixa produtividade. Origina vinhos sedosos, frescos, aromáticos e equilibrados.

Exemplares: DO Icoden Daute Isora

 

17- Prieto Picudo

Variedade autóctone de León e parte de Zamora, de cachos compactos e uvas em formato de pinhões e pele negra azulada.

Existem dois tipos de uvas: com formato elíptico e esférico, esta ultima dando vinhos de melhor qualidade e complexidade.

Exemplares: DO Tierra de León

 

18- Rufete

Variedade assentada principalmente na Serra de Salamanca, com uvas de tamanho médio, pele fina, o que proporciona certa sensibilidade à doenças.

Proporciona um tipo de uva muito aromática, com notas de amoras e framboesas.

Exemplares: Vino de la Tierra de Castillo Y León

 

19- Sousón

Variedade galega, que se cultiva em pequena quantidades. Sua brotação é meio tardio e seu ciclo de maturação lento. Origina vinhos de médio teor alcoólico, acidez elevada e cor vermelho cereja.

Exemplares: DO Valdeorras

 

20- Tempranillo

A mais destacada e prestigiada variedade tinta espanhola, origina vinhos de grande fineza e caráter, com excelente potencial de envelhecimento.

Exemplares: DOCa Rioja

 

21- Tintilla

Variedade estendida por diversas áreas. Videira vigorosa, de baixo rendimento e brotação tardia. Origina vinhos de ótimo sabor e longevidade,  leves, de boa coloração e taninos.

Exemplares: DO Tocoronte-Acentejo

 

22- Vidadillo

Variedade aragonesa com características semelhantes a Garnacha Tinta, embora com menor teor de açúcar, mas maior intensidade de coloração e conteúdo de polifenóis totais, alem de boa acidez e grande riqueza aromática.

Exemplares: DO Cariñena

 

 

Sds,

Luiz Otávio

com Mencia e Monastrell.

A estes cass de sucesso podemos acrescentar o maiorquino Callet, o valenciano Mandó, a tenerifiana Baboso, a galega Caiño, a austuriana Carrasquín, a leonense Prieto Picudo, a salamanca Juan Garcia, enfim uma lista que não para de crescer e já inclui mais de 20 variedades nativas.

Felizmente a grande maioria das DO espanholas acabou aceitando as suas uvas menos expressivas e que podem fazer a diferença para conquistar o consumidor com sua grande personalidade.

 

 
 
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